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As mudanças climáticas não podem parar a agricultura

As mudanças climáticas têm sido consideradas o maior desafio a ser enfrentado pelos agricultores nas últimas décadas. Com a sua intensificação, as temperaturas médias do planeta devem aumentar, a distribuição das chuvas deve ser modificada e cada vez mais, mudanças bruscas no tempo deverão ocorrer, assim como tempestades, ondas de calor e geadas. Além disso, as mudanças climáticas fazem com que as plantas fiquem susceptíveis a novas pragas e doenças, colocando a agricultura em risco. 

Dessa forma, para que nossa produção de alimentos, fibras e energia continuem estáveis, é preciso não só enfrentar esses desafios, mas também inovar, buscando de produção que também mitiguem as mudanças climáticas.  

Explicando as mudanças climáticas

O clima do planeta Terra já sofreu mudanças ao longo da história. Inclusive, o fim da última era de gelo, há cerca de 12 mil anos, foi um marco no início ao desenvolvimento da civilização humana, coincidindo também com o início da agricultura. 

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Até então, o aquecimento e o esfriamento da Terra estavam relacionados, principalmente com pequenas alterações na quantidade de energia solar que o planeta recebia. No entanto, a elevação de temperatura que vem ocorrendo desde o século 20 é quase que, exclusivamente, resultado de ações humanas. 

Simples atividades como descarte de lixo e andar de carro, assim como outras ações mais complexas realizadas por indústrias e, que são destinadas aos consumidores resultam na produção de gases do efeito estufa (GEE), como o dióxido de carbono (CO2). 

A maior concentração desses gases no planeta aumenta a retenção de calor – literalmente como acontece em uma estufa. O resultado é o aquecimento global.

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Esse processo já foi comprovado por diversos estudos paleoclimáticos, onde cientistas avaliam a concentração de gás carbônico de épocas passadas. Nessas pesquisas são avaliados, por exemplo: núcleos de gelo retirados da Groenlândia, anéis de árvores, sedimentos oceânicos, recifes de coral e rochas sedimentares. 

Os dados mostram que o atual processo de mudança climática (nesse caso o aquecimento global) está aumentado em 250 vezes, quando comparado à última mudança e, a causa disso é, principalmente o dióxido de carbono oriundo das atividades humanas, conforme pode-se verificar abaixo.

Gráfico sobre a concentração de gás carbônico na atmosfera - mudanças climáticas

Agricultura frente às mudanças climáticas

A agricultura é altamente dependente de fatores climáticos, de modo que nossas plantas foram adaptadas a regiões específicas, priorizando maior produção por área. Afinal, pequenas alterações de temperatura e umidade são suficientes para impedir o bom desenvolvimento de uma planta e afetar a sua produtividade. 

Caso o aquecimento global chegue a 2° C, como é previsto ainda para o século 21, os períodos de secas agrícolas, caracterizados pela falta de umidade no solo, devem ser intensificados nos próximos anos, inviabilizando a produção agrícola em muitas regiões. 

Além disso, as mudanças climáticas são responsáveis pelo aparecimento de novas pragas e doenças e também por eventos extremos como:

Portanto, para que esses eventos não se intensifiquem ainda mais, é importante que todos os setores adotem medidas que visem mitigar a emissão de gases do efeito estufa. Única alternativa para atrasar o aquecimento global.  

Agricultura moderna garante produtividade e sustentabilidade

Compreendida por um modelo de produção que incorpora um grande acervo de tecnologias, a agricultura moderna enfrenta os desafios decorrentes das mudanças climáticas. Com a agricultura moderna, a gestão das lavouras associa elevado planejamento, escolha de sementes de alto valor agregado, os melhores defensivos químicos e biológicos e monitoramento digital  do desenvolvimento das plantas, umidade do ambiente e qualidade do solo. Conforme pode-se analisar na imagem abaixo.

Gráfico sobre a Agricultura Moderna

Essa forma de produzir tem garantido ao Brasil uma agricultura que além de ser produtiva também tem conservado o meio ambiente. A agricultura moderna é a grande responsável em fazer do Brasil uma das maiores potências agrícolas do planeta, sem deixar de ser um país megadiverso.

Mesmo com o impacto das alterações climáticas, já presentes nesse século, plantas tolerantes à seca possibilitam o desenvolvimento dos vegetais em um ambiente de estresse hídrico. Para isso, lançam mão de adaptações genéticas, fisiológicas e de morfologia.

Cultivares de plantas tolerantes ao calor, como o trigo, podem manter altas taxas de fotossíntese e manter o funcionamento do seu metabolismo, mesmo em estresse térmico. Essa característica faz com que não haja prejuízos para a planta e sua produção.

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Nesse cenário em que já não é mais possível contar com a periodicidade das chuvas, os investimentos em sistemas de irrigação modernos, técnicas para melhorar a infiltração da água da chuva, variedades de cultivos resistentes à seca e adoção de boas práticas como formas de cuidar desse recurso são algumas das ferramentas de agricultura sustentável.

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Para se ter uma ideia, atualmente, o cultivo do milho no Brasil é feito em uma área 8 vezes menor do que a necessária para produzir a mesma quantidade na década de 1980. Ou seja, uma grande quantidade de florestas foi conservada graças à adoção de sementes híbridas, transgênicas, defensivos e outras tecnologias. O que fica muito claro ao olharmos para dentro das propriedades rurais, responsáveis por 25% de toda a vegetação nativa conservada no país. Dessa forma, a agricultura moderna tem diminuído, constantemente, o seu impacto nas mudanças climáticas.

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A elevada produtividade brasileira não seria possível sem a proteção dos cultivos, realizada principalmente pelo emprego de defensivos. Esses são cada vez mais específicos, seletivos e seguros.

Para se ter ideia, com o desenvolvimento de novos produtos, as taxas de aplicação de defensivos químicos por hectare foram reduzidas em até 95% desde os anos 50. A toxicidade dos produtos diminuiu 40%, em média, desde a década de 1960.

Produtos mais eficientes, requerem menos aplicações nas lavouras e, com isso, reduzem as operações no campo e, por consequência, a queima de combustível fóssil e a emissão de CO2 na atmosfera.

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Outra forma de proteger as plantas e reduzir a emissão de gases do efeito estufa é pela adoção de plantas transgênicas resistentes a insetos, mais conhecidas como culturas Bt. Elas também são responsáveis por aumentar a produção e facilitar o manejo no campo.

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O crescimento no uso de biodefensivos tem aumentado a biodiversidade no campo, uma vez que os agentes biológicos de controle conseguem sobreviver no solo e nas plantas garantindo uma proteção mais duradoura e sustentável.

A agricultura não pode parar e por isso precisamos de ciência e inovação

Precisamos manter a produção de alimentos, fibras e energia e a agricultura moderna será fundamental para a sociedade. A ciência tem demonstrado que não é preciso retroceder em nosso sistema de produção, muito pelo contrário, hoje temos à disposição conhecimento, técnicas e tecnologias para proteger a agricultura, tornando-a mais resiliente e segura para o agricultor.

Agricultura moderna para mitigar gases do efeito estufa

Se adotadas de forma correta é possível seguir com a produção agrícola e controlar as emissões de gases do efeito estufa do setor. São exemplos dessas medidas:

Os sistemas integrados de produção, conforme demonstrado na imagem abaixo, aqueles que comportam mais de uma atividade agrícola em um mesmo espaço, ao mesmo tempo. Essa estratégia agrega valor aos produtos gerados, reduz custos de produção, aumenta produtividade e auxilia no controle das emissões de GEE.

Demonstração dos sistemas integrados de produção - mudanças climáticas

A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) reúne todos os componentes: agrícola, pecuária e florestal em um único sistema. No Brasil já são 15 milhões de hectares que usam esse sistema de produção.

Além dos sistemas de cultivo, devem ser reconhecidas, as práticas conservacionistas de solo como o  Plantio Direto, que consiste na ausência do revolvimento da terra no momento do preparo do solo. Com essa prática o uso de maquinários é diminuído o que promove a redução de emissão de CO2 e de outros gases de efeito estufa.

Benefícios do plantio direto

No Brasil, cerca de 60% da área com lavouras já emprega essa semeadura, enquanto em outras partes do mundo a adoção é muito menor, podendo chegar a menos de 5%, como é o caso da Europa.

O emprego de bactérias fixadoras de nitrogênio (fixação biológica) também é uma estratégia para redução de emissões de GEE, uma vez que reduz a necessidade no uso de fertilizantes sintéticos – responsáveis pela produção de óxido nitroso (N2O) e considerado um GEE. Pode-se observar a ficação biológica do nitrogênio na imagem abaixo.

Fixação Biológica do nitrogênio

O emprego de plataformas digitais para o monitoramento e caracterização das atividades no campo. As “fazendas inteligentes” são melhores geridas e proporcionam ganhos de produtividade com economia de insumos. Se o produtor aplica menos ele também gasta menos combustível e assim diminui a emissão de CO2. Com as fazendas “conectadas” fica mais fácil monitorar a sustentabilidade dos sistemas agrícolas e sugerir ajustes no manejo desses sistemas de produção.

Para colocar essas e outras estratégias em prática, o Brasil conta com o Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono), criado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Uma iniciativa que vem implementando ações para reduzir a emissão de gases de efeito estufa na agropecuária. Na imagem abaixo pode-se analisar os resultados alcançados do Plano ABC.

Resultados Alcançados do Plano ABC Agricultura

Principais fontes

Dickie, A., et al. Strategies for mitigating climate change in agriculture: abridged report. Climate Focus and California Environmental Associates, 2014.

FAO. Agriculture and climate change Challenges and opportunities at the global and local level – Collaboration on Climate-Smart Agriculture. Rome, 2019.

Tesfahun W., Climate change mitigation and adaptation through biotechnology approaches: A review. Cogent Food and Agriculture, 2018.

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