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O que a agricultura digital está mudando no cenário do agro

A Agricultura Digital vem facilitando e melhorando o trabalho do agricultor. Com a incorporação da internet das coisas (em inglês, Internet of Things – IoT), estão sendo desenvolvidas as denominadas Smart Farms – “Fazendas Inteligentes”, numa tradução simples. Mas, é bem mais do que isso. Estamos falando da verdadeira revolução digital no campo. 

A lavoura está sendo mais bem monitorada, os sensores e as máquinas agrícolas estão cada vez mais conectados e entregam um melhor panorama da produção no campo e da gestão, consequentemente o manejo da propriedade rural fica cada vez mais otimizado.

O que é a agricultura digital?

Agricultura digital é a utilização de diferentes formas da tecnologia nos processos agrícolas. É mais focada na gestão da propriedade e das etapas da cadeia produtiva. No entanto, também otimiza algumas atividades do campo. Tudo para ajudar o produtor a tomar decisões de maneira mais precisa.

Internet das coisas: é a conexão digital dos objetos do nosso cotidiano com a internet. É a ligação em rede para agrupar e transmitir dados.

Smart Farms: compõe várias tecnologias desde gestão até operações e monitoramento, ajudando o produtor a ter cada vez mais controle dos seus processos e resultados.

SAIBA MAIS: 

AGRICULTURA DIGITAL: aprimorando sementes

Um dos benefícios diretos da agricultura digital é o ganho de produtividade e maior lucratividade por produção, pensando apenas na economia de insumos. Afinal, a precisão do momento exato e dos cálculos de volume de aplicação de produtos numa lavoura fazem muita diferença ao final. 

E esse impacto se reflete num aumento de produção de alimentos por área no mundo. A tendência é que a utilização da tecnologia IoT na agricultura possa proporcionar um aumento de até 70% na produtividade agrícola mundial. 

A TIInside (fonte de consulta sobre tendências e inovações em tecnologia e negócios digitais) faz uma projeção de um aumento de até 49 milhões de toneladas na produtividade agrícola, até 2030.

Grupos de implementação e desenvolvimento da agricultura digital

Para ficar mais claro como a agricultura digital opera no campo, podemos desmembrá-la em três grupos que são conectados entre si. 

O primeiro grupo de tecnologias que compõem a agricultura digital, é voltado na obtenção de dados, o segundo grupo é direcionado para a transmissão de dados e por fim, um terceiro grupo está centrado na aplicação (que é a implementação), para análise de dados e emprego de resposta, ou tipo de manejo. Dentro de cada um desses grupos encontramos diversas ferramentas e tecnologias que viabilizam suas atuações. 

Obtenção dos dados

Os dados são obtidos no campo a partir de componentes eletrônicos (hardwares) e programas computacionais (softwares). Dentre os componentes, pode-se citar: sensores, atuadores, transceptores, sistemas embarcados, tecnologias de radiofrequência e diferentes elementos de monitoramento.

Atuadores: equipamentos ou dispositivos que convertem energia elétrica, hidráulica ou pneumática em energia mecânica.

Transceptor: dispositivo que combina um transmissor e um receptor utilizando componentes de circuito comuns para ambas funções num só aparelho.

Sistemas embarcados: são sistemas completos e independentes, que são mais simples que um computador e tem uma função determinada. Eles estão nos objetos do dia a dia. Exemplos desses sistemas são os televisores e as câmeras digitais.

Na lavoura, os componentes são acoplados às máquinas agrícolas ou drones, por exemplo, e se comunicam entre si por meio dos softwares. Esse uso possibilita ao produtor capturar os dados do campo, das operações de planejamento e manejo da propriedade. Algumas dessas tecnologias já são comuns no dia-a-dia, outras estão sendo implementadas aos poucos. 

Considerando os equipamentos (hardware), podemos dizer que os sensores são os mais utilizados atualmente, suas funções mais comuns são:

Além desses, alguns elementos de menor atuação tem sido incorporados, cabendo citar os sensores de nível, de oxigênio, de movimento, de fluxo e conteúdo de água e de dióxido de carbono. 

Ainda no grupo de obtenção de dados, a utilização de programas (softwares) é compreendida por diversos setores, com especial destaque para:

Transmissão dos dados

Na transmissão de dados estão incluídas as redes de informações que permitem a comunicação dos dispositivos utilizando-se redes e sensores sem fio. Nesse grupo estão contidos também os diferentes protocolos e mídias de rede que pouco a pouco se envolvem nas tecnologias de IoT.

A tecnologia mais utilizada desse grupo é o sistema de posicionamento global (GPS). Mas as informações também podem ser transmitidas via rádio, ou pela rede Wi-Fi, por exemplo. 

O sistema guarda todas as informações de onde os equipamentos passaram, e os dados ficam disponíveis ao produtor. O uso dessa ferramenta, por exemplo, permite o acompanhamento em tempo real da colheita ou aplicação de defensivos agrícolas.

A implementação desse serviço pode ser feita por sensores acoplados nas máquinas agrícolas e até mesmo por drones. Outro uso do GPS é no monitoramento da irrigação nas lavouras.

GPS: sistema de navegação por satélite que fornece a um aparelho receptor móvel a sua posição, assim como o horário, sob quaisquer condições atmosféricas, a qualquer momento e em qualquer lugar do planeta.

Partindo dessas tecnologias, estamos avançando no monitoramento das culturas, ou seja, coletamos informações sobre a planta, solo ou ambiente em geral e aplicamos diretamente no manejo da produção agrícola. O grupo de transmissão de dados faz a interação entre os equipamentos, aplicativos e máquinas. 

Podemos fazer uma correlação com nossos televisores. O sinal é enviado pela emissora de TV e é transformado em imagem nos aparelhos. O grupo de transmissão de dados é justamente quem levam esses dados que foram emitidos e os transformam no programa da televisão.

No campo, as informações são coletadas, transmitidas por esses sistemas (GPS, via rádio, Wi-Fi etc.), e chegam até a tela dos computadores, smartfones e tablets.

Aplicação

A aplicação é representada pelo grupo que atua na implementação e no desenvolvimento da IoT. Afinal, é nessa fase que os técnicos especializados contribuem diretamente na tomada de decisão nas lavouras. 

É nesse momento que o produtor rural ou o profissional técnico vai interpretar os dados obtidos e saber o momento certo da tomada de decisão. O gerenciamento de forma mais eficiente das características da propriedade em que a tecnologia é implantada resultam em ganhos produtivos e econômicos.

Mas como esses aplicativos funcionam?

Uma das formas de programação e funcionamento dos aplicativos é por meio do Machine Learning, ou aprendizado da máquina. Esse aprendizado é um ramo da inteligência artificial que analisa os dados e, a partir deles, aprende, identifica padrões e toma decisões, com baixa intervenção humana. 

A partir das informações que são fornecidas para o aplicativo, por meio de fotos e descrição da doença ou planta daninha a ferramenta consegue criar processos e modelos analíticos identificando o que lhe foi pedido.

Não é preciso adquirir equipamentos com tecnologia de ponta para adotar a agricultura digital. Celular, tablet e/ou computador com acesso à internet já possibilitam sua utilização por meio de aplicativos e softwares.

E não pense que tudo isso está distante do Brasil. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), juntamente com o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuário e Abastecimento) já lançaram medidas para difundir a agricultura digital (Câmara Agro 4.0). Essa parceria tem como objetivo a expansão da internet no meio rural, e a aproximação do produtor a novas tecnologias e serviços inovadores.

Resultados da agricultura digital

Por meio de toda essa tecnologia, atualmente os produtores já contam com diferentes suportes para a implantação da agricultura digital na propriedade rural. A tecnologia otimiza o manejo das atividades da lavoura, o planejamento e a gestão da propriedade. Na prática, a agricultura digital entrega ao produtor:

Ferramentas tecnológicas no campo contribuem para uma agricultura mais sustentável. O aumento da produtividade e a melhor gestão dos insumos dispensa o aumento de novas áreas produtivas e diminui o risco de desperdício de produtos no campo. 

Com essa perspectiva, a cada ano são desenvolvidos novos aplicativos para a agricultura. Por meio deles é possível monitorar plantações remotamente, via smartphone, computadores ou tablets. Muitos são gratuitos e são elementos-chave na agricultura digital. 

O uso dessas ferramentas digitais torna as decisões mais precisas e seguras. Os desafios podem ser mais bem controlados e algumas vezes até previstos, melhorando a gestão da propriedade rural. 

Quando o agricultor se mantém conectado, otimiza seu tempo no gerenciamento da produção. Isso também pode resultar em maiores rendimentos na lavoura e maior sustentabilidade na agricultura. E ao final, numa maior oferta de alimentos e demais produtos agrícolas. 

Quais são as tendências da agricultura digital?

O Ministério da Ciência Tecnologia (MCTI) estima que até 2025 o uso da tecnologia e o crescimento das Smart Farms irão movimentar no agro brasileiro entre 5 e 21 bilhões de dólares. Segundo especialistas da área, algumas tendências pautam o futuro dessa área da tecnologia:

ROI: sigla em inglês para Retorno do Investimento (Return On Investiment). É quanto o produtor pode receber de volta considerando o investimento inicial na tecnologia. Ou seja, pelo ROI é possível saber se o investimento foi ou não viável.

 

 

Com o uso dessa tecnologia, será possível o rastreamento de todos os processos produtivos, desde a compra da semente até a mesa. Esse rastreio identifica as possíveis perdas, e registra todas as etapas da cadeia. 

Com toda a cadeia monitorada, também será possível a sua otimização. As informações poderão ser utilizadas em contratos de seguro agrícola e transações do agronegócio, devido a toda confiabilidade e transparência em todo o processo.

Cada vez mais os consumidores exigem transparência sobre a origem dos alimentos e de como são produzidos. A tendência é que comecem a procurar por produtores que usam tecnologias como de rotulagem inteligente para fornecer esse nível de detalhe.

A rastreabilidade já está sendo implantada no Brasil, no setor de frutas, verduras e legumes (FLV). Em 2018 foi aprovada a Instrução Normativa Conjunta nº 2, que traz a diretrizes sobre essa mudança. O processo de regulação será feito de forma gradativa, até o 2021.

Com essas medidas será possível ter informações detalhadas sobre o alimento, qual a sua procedência e sobre as etapas da cadeia, desde o campo até a mesa.

 

Referências

Klerkxa, L.; Jakkub, E.; Labarthec, P. A review of social science on digital agriculture, smart farming and agriculture 4.0: New contributions and a future research agenda. NJAS – Wageningen Journal of Life Sciences 90–91, 2019.

Regasson, C. A. L.; Senger, I.; Lautert R. K. Panorama brasileiro de aplicativos móveis para a agricultura. VI Simpósio da Ciência do Agronegócio. Faculdade de Agronomia. Porto Alegre, 2019.

P. Tovar Soto, J. de los S. Solórzano Suárez, A. Badillo Rodríguez, y G. O. Rodríguez Cainaba, “Internet de las cosas aplicado a la agricultura: estado actual”, Lámpsakos, (22), pp. 86-105 (julio-diciembre, 2019). doi: 10.21501/21454086.3253