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A perda de alimentos na cadeia de produção precisa diminuir

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 1 bilhão de toneladas de alimentos são perdidos ou desperdiçados a cada ano no planeta. Além desse dado remeter a discussões sobre a fome, a segurança alimentar e o crescimento populacional, todo esse alimento que vai para o lixo também causa danos ambientais e auxilia na intensificação das mudanças climáticas.

Tanto a perda, quanto o desperdício de alimentos, precisam ser diminuídos e medidas de prevenção e conscientização têm que se estender por toda a cadeia produtiva.

Qual a diferença entre perda e desperdício de alimentos?

Precisamos entender a diferença entre perda e desperdício de alimentos, para sabermos onde isso ocorre e o que podemos fazer para diminuir tantos prejuízos. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) calcula esses componentes a partir de índices, separadamente.

A perda de alimentos é a uma categoria maior, e incorpora qualquer alimento comestível que não é consumido em qualquer estágio da cadeia produtiva. Isso inclui:

Nessa categoria também estão os alimentos que não são consumidos em casas e lojas (supermercados, feiras, sacolões etc.).

Já o desperdício de alimentos é uma parte específica da perda de alimentos, que o Serviço de Pesquisa Econômica (ERS) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) define como alimentos descartados pelos varejistas devido à cor ou aparência, além do desperdício no prato, pelos consumidores

O desperdício de alimentos inclui a refeição pela metade deixada no prato de um restaurante, restos de comida do preparo de uma refeição em casa e o leite azedo que uma família despeja no ralo, por exemplo. Alimentos são desperdiçados de várias maneiras:

Atualmente, existem algumas ações para minimizar essas perdas e conscientizar as pessoas a consumir o “feio”.

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Menos perda e desperdício de alimentos levariam a um uso mais eficiente da terra e a uma melhor gestão dos recursos hídricos, com impactos positivos nas mudanças climáticas e nos meios de subsistência.

A distribuição das perdas pela cadeia de produção

O Brasil ocupa o ranking dos 10 países que mais perdem alimentos no mundo, com cerca de 35% da produção sendo desperdiçada todos os anos. Os alimentos podem ser perdidos em todos os pontos da cadeia alimentar: em fazendas e barcos de pesca, durante o processamento e distribuição, em lojas de varejo, em restaurantes e em casa.

A perda de alimentos ocorre por vários motivos, com alguns tipos de perda, como deterioração, ocorrendo em todas as fases da produção e da cadeia de abastecimento. Entre os estágios da fazenda e do varejo, a perda de alimentos pode surgir de problemas durante a secagem, moagem, transporte ou processamentos que expõem os alimentos a danos causados por insetos, roedores, pássaros, fungos e bactérias. 

No nível de varejo, o mau funcionamento do equipamento (como armazenamento a frio defeituoso), pedidos em excesso e descarte de produtos estragados podem resultar em perda de alimentos.

Perdas nas fazendas e na pesca

A perda de alimentos ocorre nas fazendas por vários motivos. Os alimentos podem não ser colhidos devido a danos causados pelo clima, pragas e doenças. Que, dependendo da cultura essas perdas podem chegar em até 40% da produção.

Períodos longos de seca, geadas ou chuvas fortes muito intensas podem causar sérios danos às plantas, impedindo a sua colheita. Além disso, as perdas também podem ocorrer pelos desafios de mercado e comercialização dos produtos agrícolas produzidos.

Estudos da FAO estimam que 8% dos peixes capturados na pesca marinha mundial são descartados – cerca de 78,3 milhões de toneladas por ano. Os descartes acontecem pela parte da captura de peixes que não é retida e geralmente retorna mortos ou morrendo de volta à água.

Perdas no transporte e armazenamento

No transporte, boa infraestrutura e logística comercial eficientes são essenciais para evitar a perda de alimentos. Além disso, o armazenamento inadequado – em locais onde não há uma temperatura e umidade do ar controlados – podem prejudicar os produtos e aumentar a incidência de pragas e doenças pós-colheita.

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O processamento e a embalagem também desempenham um papel importante na preservação dos alimentos, e as perdas são frequentemente causadas por instalações inadequadas, mau funcionamento técnico ou erro humano.

Desperdício no varejo

Na loja e distribuidoras de alimentos, as causas do desperdício estão relacionadas à vida útil limitada, que pode ser prejudicada pelo mal armazenamento e transporte incorretos. 

Além disso, a cultura do embelezamento dos produtos, que tem a necessidade de atender aos padrões estéticos em termos de cor, forma e tamanho. O que não se enquadra nos padrões, é jogado no lixo.

Diversos cenários contextualizam esta situação, o CEASA-RS por exemplo, destaca que, são geradas 38 toneladas de resíduos orgânicos por dia, o que equivale a uma produção diária para uma cidade de 50 mil habitantes

Desperdício em casa e restaurantes

Em casa ou em restaurantes o desperdício do consumidor geralmente é causado por compras e planejamento de refeições inadequados, compras em excesso (influenciadas por porções e embalagens muito grandes), confusão sobre os rótulos e armazenamento deficiente em casa.

A preparação excessiva, armazenamento impróprio de ingredientes e não utilização de restos e resíduos de alimentos também podem contribuir para a perda de alimentos em restaurantes. 

Buffets com rodízio são particularmente desperdiçadores, uma vez que alimentos extras não podem ser legalmente reutilizados ou doados devido às restrições do código de saúde.

A situação em números

Esse problema está mais perto da gente do que imaginamos. Na média global, aproximadamente de 40 a 50% dos resíduos de alimentos são jogados fora pelos consumidores finais – nós mesmos.

Desperdício de alimentos no mundo

Já no Brasil, estimativas da Embrapa e ONU revelam perdas e desperdícios para cada atividade da cadeia. O país é considerado um dos dez territórios que mais desperdiçam alimentos em todo o mundo, com cerca de 30% da produção descartada na fase pós-colheita. E o elo do transporte e manuseio dos alimentos é atualmente o maior responsável pelas perdas.

Perdas e desperdício de alimentos no Brasil

E o que todo esse alimento perdido causa?

Para se ter ideia, esse 1 bilhão de toneladas de comida que vão para o lixo a cada ano encheriam cerca de 25 milhões de caminhões de 40 toneladas. Que se os colocarmos para-choque com para-choque, seria o suficiente para dar a volta na Terra sete vezes

Todo esse montante equivale a um pouco mais de ¼ de todo alimento produzido anualmente no mundo, jogado fora.

A maioria dos estudos de resíduos alimentares causados pelos consumidores finais ocorre em países de alta renda, onde o problema é particularmente agudo, especialmente nos Estados Unidos da América e países da Europa. 

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No Reino Unido e Irlanda do Norte, a organização não governamental Programa de Ação de Resíduos e Recursos (WRAP) estima que uma família de classe média no país desperdiçou £470 (libras esterlinas) de alimentos em 2015 (em Reais, seriam cerca de R$ 2.500,00 com a conversão para o valor médio da libra no período).

Já nos Estados Unidos da América, o desperdício de alimentos foi estimado em US $370 (dólares americanos) per capita em 2010 (em Reais, cerca de R $800,00 com a conversão para o valor médio do dólar para o período). 

Toda essa perda tem um impacto

Se o que é descartado for dividido pelas terras agricultáveis, quase 30% das terras agrícolas do mundo são ocupadas atualmente para a produção de alimentos que nunca são consumidos. 

Em termos de mudanças climáticas, atualmente, a perda e o desperdício de alimentos são responsáveis por cerca de 7% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE).

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Mas indo mais a fundo nesses prejuízos, é preciso também levar em conta o fato de que a perda de alimentos implica na pressão desnecessária sobre o meio ambiente. Uma vez que recursos naturais foram usados para produzi-los. 

São gastos desnecessários dos recursos terrestres e hídricos, aumento da poluição e de gases de efeito estufa (GEE). Além disso, mais de 820 milhões de pessoas no mundo continuam passando fome.

Mas existem ações que podem reduzir essas perdas

Todos têm um papel a desempenhar na redução da perda e do desperdício de alimentos. Segundo a FAO, é necessário um trabalho com um amplo espectro das partes interessadas e parceiros para resolver o problema. 

No nível macro, exige a colaboração com governos e outros organismos internacionais para promover a conscientização e advocacy sobre essas questões e desenvolver políticas para reduzir os desperdícios e perdas.

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Já ao nível médio, é necessária a coordenação entre os atores da cadeia de abastecimento alimentar – agricultores, manipuladores, processadores e comerciantes, em colaboração com os setores público e privado e a sociedade civil. 

E a nossa parte, ao nível micro, é preciso mostrar aos consumidores o que vem ocorrendo e incentivar a mudança de atitudes, comportamentos, hábitos de consumo e compras individuais relacionados aos alimentos por todos nós. E isso é feito por meio da educação, especialmente com foco no fornecimento de informações sobre o manuseio e consumo seguro de alimentos.

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Reduzir a perda e o desperdício de alimentos é fundamental para um mundo com Fome Zero e alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) mundiais, especialmente o ODS 2 (Acabar com a Fome) e o ODS 12 (Garantir padrões de consumo e produção sustentáveis).

 

Principais fontes:

FAO, The state of food and agriculture: moving forward on food loss and waste reduction. 2019

Henz, G. P. e Porpino, G., Food losses and waste: how Brazil is facing this global challenge? Horticultura brasileira, 2017.

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