Indústria de insumos aposta em mão de obra especializada, segundo CropData; Alta é de 2% nas ocupações do setor, até setembro de 2025.

O crescimento do emprego no agronegócio brasileiro e seus segmentos têm impulsionado a busca por profissionais qualificados. A população ocupada no setor alcançou 28,5 milhões de pessoas até setembro de 2025, crescimento de 2,0% comparado a 2024, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Em números, o saldo é de 568,8 mil trabalhadores. No segmento de insumos – que inclui a indústria de defensivos químicos, bioinsumos e sementes – o aumento foi de 1,5% (4,9 mil profissionais). Neste contexto, a procura de mão de obra qualificada se tornou uma prioridade estratégica, afirma Renato Gomides, economista e gerente executivo da CropLife Brasil.
“Segundo dados da plataforma CropData, o setor de insumos agrícolas – que engloba sementes, defensivos químicos e biológicos – destaca-se pelo alto nível de especialização. Para se ter uma ideia, cerca de 60% dos profissionais que atuam na indústria de insumos, possuem ensino superior completo ou pós-graduação. Esse índice é muito superior à média de outros segmentos”, explica. Ainda segundo Renato, o nível de escolaridade reflete diretamente na remuneração. “Os rendimentos mensais no setor são, em média, cerca de três vezes maiores que a média nacional do trabalhador brasileiro, aponta o CropData. Ou seja, o agro moderno não é apenas pujante em produção, mas é um dos vetores de valorização intelectual e financeira do país”, analisa o gerente.
Empregos
A agricultura nacional é um pilar importante da economia e segue sendo um fator determinante para o crescimento do Brasil. Por sua vez, a agroindústria concentrada na inovação no campo, tem buscado recursos humanos com conhecimento em agronomia, mecânica, biotecnologia, física, além de transversais em tecnologia e sustentabilidade, que vão além do trabalho tradicional e acompanham a pesquisa & desenvolvimento de novos produtos para a lavoura.
Desenvolvimento e capacitação
Para além da contratação, em um cenário atual de rápida evolução tecnológica, o investimento em desenvolvimento e qualificação dos profissionais deixou de ser diferencial para ser o motor da indústria de insumos. Em 2024, cerca de 52% das empresas do setor ofereceram treinamento interno focado em aperfeiçoamento dos funcionários e formação, visando aumentar a produtividade e garantir a segurança no ambiente de trabalho. A indústria entende que a retenção desses talentos passa por oferecer um plano de carreira in company
De acordo com Renato Gomides, a CropLife observa que as empresas do setor não apenas buscam talentos, mas elas os desenvolvem. “Hoje, associadas CLB investem pesadamente em programas de capacitação técnica e liderança. O foco está em preparar o profissional para lidar com a agricultura digital, Manejo Integrado de Pragas e as demandas de sustentabilidade”, afirma. Com a especialização e o auxílio por treinamentos internos, as empresas passam a oferecer plano de carreira e programas de desenvolvimento, assegurando que o conjunto de conhecimentos e habilidades dos funcionários acompanhem o nível de tecnologia que é entregue aos produtores.
Formação
Pensando na aplicabilidade de formações no campo, a CropLife promove treinamentos à distância, gratuitos, para produtores, técnicos, pesquisadores e estudantes, através de plataforma própria – o Conecta. O objetivo é democratizar o acesso ao conhecimento, oferecendo conteúdos atualizados e relevantes para os agentes da cadeia produtiva. “Oferecemos trilhas de aprendizagem, em um formato híbrido e de qualidade, que garante o conhecimento chegar até a ponta do campo”, conclui o gerente executivo da CLB.
Mercado de trabalho do agronegócio brasileiro
A pesquisa Cepea aborda aspectos da conjuntura e da estrutura do mercado de trabalho do agronegócio brasileiro. Enquanto no mercado de trabalho nacional houve relativa estabilidade, no agronegócio o número de trabalhadores cresceu em todos os segmentos, no 3º trimestre de 2025. Segundo o balanço, no período, o agro passou a responder por 26,35% do total de ocupações no Brasil, um recorde histórico na participação. O estudo destaca ainda que há uma tendência consistente de aumento no número de trabalhadores dessas indústrias ao longo do tempo. A análise traz que o avanço “reflete o fortalecimento econômico das atividades agropecuárias, cujo desenvolvimento gradual nos últimos anos tem ampliado a demanda por insumos do agronegócio”.
O centro de pesquisa acadêmico explica que o conceito de agronegócio compreende a soma de quatro segmentos: insumos para a agropecuária, produção agropecuária primária, agroindústria (processamento) e agrosserviços. O boletim é realizado a cada trimestre e utiliza microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua versão trimestral (PNAD-C), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
CropData
O CropData é a plataforma de dados da CropLife Brasil que reúne, de forma inédita e em um só lugar, informações dos setores de sementes, bioinsumos e químicos. Nele é possível encontrar números de faturamento, crédito, impostos e pesquisa e desenvolvimento (P&D) das tecnologias agrícolas, além de indicadores de mercado, comércio exterior, ESG, empregos e salários, registros de produtos e uso/hectares. Para além da consulta e democratização do acesso a dados setoriais, o CD tem como objetivo dar transparência do setor de soluções para o campo, promoção de bases da indústria e ampliação do acesso público a informações estratégicas do agronegócio brasileiro.

