MANEJO DA CIGARRINHA-DO-MILHO
Importância do milho na agricultura brasileira
O milho é uma das principais commodities agrícolas do Brasil, consolidando o país entre os maiores produtores mundiais — geralmente na segunda ou terceira posição, atrás apenas dos Estados Unidos e, em alguns anos, da China. Além da relevância na produção, o Brasil também se destaca no comércio internacional: em 2023, foi o maior exportador global de milho, superando inclusive os Estados Unidos.
Na safra de verão 2024/2025, a produção brasileira alcançou 24,9 milhões de toneladas, enquanto a safrinha de 2025 registrou 109,5 milhões de toneladas. O rendimento médio foi de 6.320 kg por hectare, evidenciando a eficiência da produção nacional.
Esta produção massiva não é apenas uma conquista estatística. Em média 40% de toda a produção brasileira de milho destina-se à cadeia de produção de proteína animal, sendo fundamental para a criação de aves, suínos e bovinos que chegam às mesas dos brasileiros.
Apesar do cenário de abundância na produção de milho, o setor enfrenta um desafio cada vez mais preocupante. A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), um inseto de apenas 3,7 a 4,3 mm de comprimento, deixou de ser considerada uma praga secundária e passou a figurar entre as principais ameaças à cultura do milho no Brasil.
Desde 2015, a cigarrinha-do-milho deixou de ser um problema secundário e se tornou uma das principais pragas do milho brasileiro. Esta mudança está relacionada a transformações no sistema produtivo, incluindo:
• Cultivo contínuo de milho em diferentes épocas
• Presença de plantas voluntárias (tigueras) durante a entressafra
• Escalonamento de plantios que mantém plantas de milho no campo por períodos prolongados
A cigarrinha-do-milho é um inseto minúsculo, de coloração branco-palha, que lembra a mosca-branca. Embora quase imperceptível para quem não está familiarizado com a espécie, esse inseto-sugador pode causar danos severos às lavouras de milho. De acordo com a Embrapa, os prejuízos decorrentes de sua infestação podem ser tão intensos que chegam a comprometer até 100% da produção em determinadas áreas, tornando-a uma das pragas mais preocupantes para a cultura do milho no Brasil.
O que torna a cigarrinha-do-milho ainda mais preocupante é sua elevada capacidade reprodutiva. Em condições favoráveis, o inseto completa seu ciclo de vida em apenas 15 a 27 dias, permitindo a formação de duas ou mais gerações dentro do mesmo período de cultivo do milho.
Cada fêmea é capaz de depositar entre 400 e 600 ovos, o que resulta em populações numerosas e de crescimento acelerado, intensificando os riscos de infestação e os danos às lavouras.
OS IMPACTOS NAS LAVOURAS
Danos diretos e indiretos
Embora a cigarrinha possa causar danos diretos pela sucção contínua da seiva das plantas, os maiores prejuízos estão relacionados à sua capacidade de transmitir patógenos devastadores. Quando presente em altas populações, o inseto pode causar fumagina - um escurecimento das folhas que prejudica a fotossíntese e reduz o desenvolvimento das plantas.
Transmissão de doenças
A cigarrinha atua como vetor de patógenos que causam três principais doenças:
• Enfezamento-vermelho: causado por fitoplasma, provoca avermelhamento das folhas.
• Enfezamento-pálido: causado por espiroplasma, apresenta estrias cloróticas amareladas.
Ambos podem reduzir a produção de grãos em mais de 70% em genótipos suscetíveis.
• Virose da risca: causada pelo vírus MRFV, manifesta-se por pontos cloróticos que evoluem para riscas longas nas folhas. As perdas podem variar de 10% a 100% da produção, dependendo das condições.
É PRECISO AGIR RÁPIDO
Nenhuma medida de controle isolada é capaz de eliminar totalmente a cigarrinha-do-milho. Por isso, o manejo eficaz exige a adoção integrada de boas práticas agrícolas, preferencialmente em nível regional, para reduzir as populações da praga e seus impactos. Entre as principais recomendações estão:
• Eliminação das plantas voluntárias durante a entressafra, evitando que sirvam de hospedeiras.
• Uso de cultivares mais resistentes ou tolerantes, reduzindo a vulnerabilidade da lavoura.
• Controle químico direcionado especialmente nas fases iniciais da cultura, quando as plantas são mais suscetíveis.
• Sincronização regional de plantios e colheitas, minimizando a disponibilidade contínua de hospedeiros.
• Manejo Integrado de Pragas (MIP), combinando diferentes estratégias de forma sustentável.
CONAB. Portal de Informações Agropecuárias – Safra – Série Histórica dos Grãos, 2025. Disponível em: https://portaldeinformacoes.conab.gov.br/safra-serie-historica-graos.html
EMBRAPA. Manejo da cigarrinha e enfezamentos na cultura do milho, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sanidade-animal-e-vegetal/ sanidade-vegetal/arquivos/Cartilhacigarrinhaeenfezamentos_Embrapa.pdf
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