Capacitações em Uberaba e Uberlândia, Minas Gerais, reuniram mais de 185 profissionais e agentes de fiscalização.

A CropLife Brasil (CLB), em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Polícia Federal em Minas Gerais e autoridades fiscalizatórias, promoveu nos dias 19 e 20 de maio rodada de workshops de enfrentamento ao mercado ilegal de insumos agrícolas, em Uberaba e Uberlândia (MG). Voltadas à disseminação de conhecimentos agrícolas, métodos de identificação de produtos e recomendações processuais, as capacitações reuniram mais de 160 profissionais de órgãos de regulação, fiscalização e investigação.
Ao longo da imersão, os participantes receberam treinamento técnico sobre o funcionamento do mercado ilegal no agro e seus impactos em toda a cadeia produtiva. A iniciativa ocorre no estado após uma série de operações federais apreender mais de 60 toneladas de produtos ilícitos, entre agrotóxicos e fertilizantes, no primeiro trimestre do ano. O crime também têm sido objeto de estudo pela academia, que tem debatido o crescente envolvimento do crime organizado transnacional com as cadeias do agronegócio e seus prejuízos.
O gerente de Combate a Produtos Ilegais na CropLife Brasil, Nilto Mendes, destacou a importância da iniciativa itinerante. “A disseminação de conhecimento, especialmente por meio de workshops locais, e o compartilhamento de informações sobre tecnologias e métodos de identificação de produtos falsificados, contrabandeados e roubados são compromissos da nossa entidade com os órgãos de regulação, fiscalização e investigação. O combate a esse crime exige sensibilização dos profissionais que atuam na ponta e fortalecer estratégias conjuntas é o caminho mais eficaz para o enfrentamento”, afirmou.

Uberaba e Uberlândia
No primeiro dia de treinamento, em Uberaba, o encontro reuniu 79 profissionais locais. Já no segundo dia, o workshop treinou 106 servidores. Dentre os participantes, estiveram representantes e servidores do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA-MG), da Superintendência de Agricultura e Pecuária mineira, Polícias Civil e Militar locais, além do Ibama, MAPA, PF, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Ministério Público (MP) e especialistas da indústria de insumos agrícolas agrícola.


Cenário e Impactos
O Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF) aponta que cerca de 25% do mercado de defensivos agrícolas no Brasil opera à margem da lei. Já a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) estima que 30% do mercado de sementes é de origem ilícita. Enquanto representante da indústria de inovação, estudo realizado pela CropLife Brasil de 2025, em parceria com a Céleres Consultoria, apontou que a pirataria de sementes de soja no país gera perdas de cerca de R$ 10 bilhões ao ano para agricultores, agroindústria e governo. A estimativa é que as sementes ilegais ocupem 11% de área plantada da cultura no Brasil.
O efeito desta prática ilegal gera impactos ao cidadão, ao meio ambiente e a economia. Desde exposição do agricultor e produtor a substâncias desconhecidas, riscos de disseminação de pragas e doenças, perda de qualidade das lavouras e contaminação do solo. Até aplicações de sanções legais a produtores, prejuízo na comercialização e inovação industrial de agroquímicos e comprometimento da imagem do agronegócio brasileiro no mercado interno e externo.
Combate
O combate ao mercado ilegal agrícola é parte do compromisso permanente da CropLife Brasil com as Boas Práticas Agrícolas, que inclui mobilização conjunta com os atores da cadeia produtiva. Entre as ações para mapear os impactos da pirataria e conscientizar a sociedade, a entidade promove formações, evidencia factuais e operações e realiza ações voltadas ao uso responsável de tecnologias e ao combate aos ilegais. Em um tripé de ações, a associação mantém um canal de denúncias ativo no site, para recebimentos e encaminhamentos.
Do ponto de vista da educação, a CropLife Brasil promove, em parceria com a Escola de Segurança Multidimensional (ESEM) da Universidade de São Paulo (USP), o Programa de Formação no Combate aos Mercados Ilícitos de Insumos Agrícolas direcionado a agentes de segurança e fiscalização. O curso, que já recebeu mais de 7,9 mil inscrições nas edições anteriores, está em sua 5ª turma. A formação é EaD, gratuito e oferece certificação oficial do tema. A entidade realiza ainda a destinação ambientalmente adequada de defensivos agrícolas apreendidos pelos órgãos estaduais e federais. Ao longo dos últimos cinco anos, mais de 1,7 mil toneladas foram incineradas

