Transgênicos no Brasil: 28 anos de produção inovadora e responsável

Com trajetória baseada em ciência e tecnologia, os Organismos Geneticamente Modificados mudaram a forma de produzir alimentos.

A produção comercial de transgênicos no Brasil completa 28 anos em 2026. Desde a adoção da tecnologia, a agricultura brasileira ampliou sua produtividade e gerou impactos positivos na economia e na sustentabilidade. Proveniente da biotecnologia, conjunto de procedimentos para manipulação de organismos vivos, estes produtos se consolidaram como uma ferramenta estratégica para o campo. O país é um dos líderes na adoção de transgenia nas lavouras, com aproximadamente 56,9 milhões de hectares tratados, segundo dados da CropLife Brasil, considerando as culturas de soja, milho, algodão, feijão e cana-de-açúcar. 

O que são os transgênicos? 

Um organismo transgênico, ou geneticamente modificado, é um ser vivo que recebeu um gene específico de outro organismo, passando a apresentar características desejadas ao cultivo. Na agricultura, o uso da tecnologia visa o desenvolvimento de cultivares mais resistentes a pragas e com melhor desempenho no campo. Esse processo ocorre por meio da engenharia genética. 

Enquanto mutações podem ocorrer na natureza de forma espontânea, a transgenia permite a inserção de genes no DNA da planta de forma planejada, conforme o objetivo, seja para amentar a resistência à seca ou até mesmo aumentar o valor nutricional. A técnica também permite corrigir mutações ou desativar de características indesejadas. 

Trajetória

Há pouco mais de 40 anos, desde que a insulina deixou de ser extraída do pâncreas de bovinos e suínos e passou a ser produzida em laboratório, as técnicas de biotecnologia vêm sendo amplamente adotadas, especialmente na agricultura. 

Com tomates mais resistentes, os norte-americanos foram os pioneiros no desenvolvimento de alimentos transgênicos. Logo depois, em 1996, países como Canadá e Argentina também consolidaram essa tecnologia. A transgenia passou a impactar positivamente a produção, aumentando a produtividade e facilitando o manejo, o que resultou em 1,7 milhão de hectares plantados no mundo, naquele ano. De lá para cá, saltou para mais de 190,4 milhões de hectares tratados globalmente.

No Brasil, o cultivo de plantas transgênicas iniciou em 1998 com a adoção da soja resistente a herbicidas, desenvolvida nos Estados Unidos. Só a partir de 2005, com a aprovação da Lei de Biossegurança (nº 11.105/05), novos organismos foram desenvolvidos em território nacional, somando 106 plantas geneticamente modificadas autorizadas, incluindo milho, feijão e algodão. 

Atualmente, segundo estudo realizado pela CropLife Brasil e Agroconsult, além dos milhões de hectares tratados, as sementes transgênicas são responsáveis pela produção de mais de 112 milhões de toneladas de grãos no mundo e geram, aproximadamente, 20,6 bilhões de dólares em exportações.  

Lei de Biossegurança e CTNBio

Em 1995, o avanço da biotecnologia no Brasil deixou de ser restrito às universidades com a promulgação da primeira Lei de Biossegurança (nº 8.974), que instituiu a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para apoiar o Governo Federal em assuntos relacionados a Organismos Geneticamente Modificados. A regulamentação da lei veio em 2005, com a publicação da Lei de Biossegurança (nº 11.105/05) vigente até hoje, considerada uma  mais rigorosas e completas do mundo.

Vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a CTNBio é responsável por estabelecer as normas técnicas sobre a biossegurança e avaliar cada OGM, desde a elaboração até a comercialização. O processo inclui testes criteriosos e análises moleculares detalhadas para garantir a segurança para a produção e consumo 

Benefícios da adoção

Diante de desafios como otimizar o uso de recursos e aumentar a produtividade, a biotecnologia se torna uma grande aliada dos produtores rurais. 

As lavouras que adotam a transgenia apresentam um crescimento evidente da produção, o que significa que mais alimentos podem ser produzidos em uma mesma área. Além disso, a queda do uso de combustíveis também é significativa. Com a diminuição da necessidade da área plantada, foram economizados mais de 565 milhões de litros de combustível, o que equivale a 377 mil carros retirados das ruas. 

A adoção também trouxe resultados expressivos na redução do consumo de água e das emissões de gases do efeito estufa em relação às safras de 2018/ 19 até 2022/23. Cerca de 10,4 bilhões de litros de água foram economizados em quatro anos, enquanto a redução das emissões de CO2 é equivalente ao plantio de 504 milhões de árvores. O uso dos defensivos também passou a ser otimizado e aplicação mais eficiente e precisa. 

Outro fator relevante para a agricultura brasileira é o impacto econômico. Ao ampliar a produtividade, as sementes transgênicas contribuem para elevar a rentabilidade no campo e impulsionam a atividade agrícola. Esse avanço resulta na combinação de tecnologia, investimento em mão de obra qualificada e uso de insumos de qualidade. Além de fortalecer o setor, o aumento do faturamento das lavouras repercute na economia do país, com geração de empregos e crescimento da massa salarial. 

Inovação

Após 28 anos, os transgênicos reafirmam seu papel como ferramenta estratégica para uma agricultura mais produtiva e sustentável no Brasil Ao longo desse período, a CropLife Brasil tem contribuído para o fortalecimento do ambiente de inovação ao promover o diálogo entre especialistas, empresas e instituições. Os resultados acumulados demonstram que o avanço da pesquisa, aliado ao uso responsável da tecnologia, é fundamental para garantir segurança alimentar e desenvolvimento no campo.

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