Setor agrícola debate convergência regulatória em biotecnologia entre Brasil e China

Encontro abordou impactos dos prazos de aprovação sobre o acesso à inovação e a atuação conjunta para fortalecer o tema na agenda bilateral

O tempo de aprovação de novas biotecnologias na China tem impacto direto no acesso dos produtores brasileiros à inovação e no comércio entre os dois países. Para discutir a necessidade de maior convergência regulatória, a CropLife Brasil (CLB) reuniu, na terça-feira (6), em Brasília, representantes da indústria, produtores rurais, exportadores, pesquisadores e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Durante o encontro, os participantes avaliaram os cenários regulatório e legislativo dos dois países, os desafios e as oportunidades dessa agenda para o setor.

Na abertura, a diretora de Biotecnologia e Germoplasma da CLB, Catharina Pires, explicou que a diferença nos prazos de aprovação adia a disponibilização de novas soluções a agricultores brasileiros. “As indústrias desenvolvem tecnologias capazes de auxiliar o produtor na solução de problemas enfrentados diariamente no campo e a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) faz um excelente trabalho de análise e aprovação dessas biotecnologias aqui no Brasil. Aqui, temos permissão para usar essas tecnologias, mas nossa indústria espera a aprovação na China, um importantíssimo parceiro comercial do Brasil, para disponibilizar essas inovações”, detalhou.

 

A programação contou com uma apresentação do fundador e diretor da Céleres Consultoria, Anderson Galvão sobre os impactos econômicos da convergência regulatória e os potenciais benefícios dessa aproximação para os dois países. Segundo estudo da CLB, a sincronia nas aprovações de biotecnologias poderia gerar um valor adicional médio de até US$ 1,5 bilhão por ano para as exportações brasileiras, considerando as cadeias de soja, milho e algodão. Para a soja, a projeção aponta um aumento anual de produção de 5,2 milhões de toneladas, com potencial de exportação adicional de 3,1 milhões de toneladas.

A presidente da CLB, Ana Repezza, encerrou a agenda destacando que os esforços para reunir, ouvir e apoiar todos os elos da cadeia produtiva agrícola no diálogo com o governo e na construção de estratégias são fundamentais para a sustentabilidade do setor. “O encontro foi uma oportunidade de unir todos os elos da cadeia produtiva, e permitir que todos fossem ouvidos e compartilhassem seus desafios, dúvidas e visões de como avançar na pauta. A construção de soluções para o agro passa pelo diálogo, pela cooperação e pela união de diferentes perspectivas. É assim que transformamos desafios regulatórios em oportunidades para a inovação e para o futuro da agricultura. E essa construção é parte fundamental do trabalho da CropLife Brasil”, finalizou.

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