Treinamento reuniu representantes do governo estadual e setor agrícola em atividades práticas e teóricas durante a semana; CropLife compôs programação.
Para fortalecer a atuação dos órgãos de fiscalização no combate ao mercado ilegal de insumos agrícolas, o Seminário de Capacitação para Fiscalização Integrada de Insumos Agropecuários (SECAFI AGRO MS) reuniu representantes de instituições públicas e privadas, entre os dias 19 e 23, em Campo Grande (MS). A identificação de agrotóxicos e sementes ilegais, as principais modalidades de fraude e as práticas de fiscalização estiveram entre os temas abordados nas atividades teóricas e práticas, que incluíram exercícios de fiscalização em rodovias e revendas
Realizado pela Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), o seminário contou com a parceria da CropLife Brasil, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), da Associação Nacional de Distribuidores de Insumos (Andav) e do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV).
No segundo dia de treinamento a CropLife Brasil, representada pelo gerente de Combate a Produtos Ilegais, Nilto Mentes, conduziu a palestra “Reconhecimento de Agrotóxicos Ilegais e Principais Modalidades de Fraude” e uma aula prática sobre identificação dos produtos ilícitos.
“A ação integrada com órgãos estaduais é fundamental para desnutrir este tipo de mercado, que traz insegurança ao setor e concorrência desleal”, pontuou o gerente.
No seminário foi anunciada a criação de um Grupo de Trabalho sobre Agrotóxicos Apreendidos, no âmbito do Conselho Estadual de Agrotóxicos (CEA), que terá participação da CLB. Também durante o evento, a CropLife e a Iagro assinaram um Acordo de Cooperação Técnica, que visa oferecer ações de capacitação e execução de boas práticas agrícolas e de prevenção/repressão ao mercado ilegal de agrotóxicos, bioinsumos e sementes piratas.
“Essa é uma demonstração da nossa força, especialmente da nossa cooperação. Mato Grosso do Sul construiu uma base agropecuária importante, com investimentos e trabalho dos produtores rurais, e todo esse esforço pode ser colocado em risco pelo contrabando de insumos. Por isso, precisamos trabalhar juntos, identificar os produtos ilegais e saber como retirá-los de circulação”, afirmou Alex Melotto, secretário-adjunto do Semadesc durante sua participação.
Ação conjunta
A capacitação buscou fortalecer a atuação conjunta das instituições e intensificar a fiscalização em barreiras rodoviárias e operações volantes para combater o uso de agrotóxicos e sementes ilegais, além do transporte irregular desses insumos. A iniciativa reforça a importância da cooperação entre governo, órgãos de fiscalização e setor produtivo para a proteção da sociedade e do meio ambiente.
Participaram do seminário representantes da Superintendência Federal de Agricultura e Pecuária em Mato Grosso do Sul (SFA/MS), Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Imasul, Secretaria de Estado de Fazenda (SEFAZ/MS), Polícia Militar Ambiental, Polícia Militar Rodoviária e Polícia Militar Rural.
Cenário ilegal
O impacto do mercado agrícola ilegal é sentido por toda a cadeia produtiva, desde o produtor e indústria, até o consumidor e o meio ambiente. De acordo com dados do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF), cerca de 25% do mercado de defensivos agrícolas no Brasil é ilegal. Já no setor de sementes, a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), estima que 30% das sementes comercializadas são ilícitas.
Estudo realizado pela CropLife Brasil de 2025, em parceria com a Céleres Consultoria, apontou que a pirataria de sementes de soja no Brasil gera perdas de cerca de R$ 10 bilhões ao ano para agricultores, agroindústria e governo.

