CropLife participa de encontro técnico do setor de supermercados que reúne empresas, produtores e representantes para discutir cenário dos alimentos.

Rastreabilidade química dos produtos de prateleira e segurança alimentar foram temas tratados pelo setor de supermercados em evento com elos da cadeia de abastecimento. Nesta quarta-feira (26), o III Encontro Técnico promovido pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) reuniu, em São Paulo, empresas, distribuidores, produtores e representantes dos setores de FLV – Frutas, Legumes e Verduras – para tratar dos indicadores do Programa de Rastreabilidade e Monitoramento de Alimentos (RAMA) e discutir o cenário dos alimentos, com vista aos desafios e oportunidades às vésperas de completar 20 anos de programa. O evento teve participação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que abordou o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA).
“É importante a gente aproveitar este momento não só de conhecimento, mas também de trocas e construção. (…) Esse movimento começou em 2006 liderado pela PariPassu e tem o objetivo de discutir um pouco mais tecnicamente cada situação ou evolução que precisamos avançar no setor”, trouxe o vice-presidente Institucional e Administrativo da ABRAS, Marcos Milan.
A CropLife Brasil marcou presença no evento, representando a indústria de insumos agrícolas, sobretudo no fomento à inovação, à regulação de produtos e à correta propagação das informações dos dados do setor. “Nós temos um grupo técnico que trabalha especificamente com segurança do consumidor. Todas as nossas empresas internalizam e avaliam os resultados dos programas [RAMA, PARA] para verificar informações técnicas de extrapolações e registro de produtos, como também reforçar os cuidados e boas práticas agrícolas, em combate às inconformidades na produção”, destacou o especialista em Assuntos Regulatórios de Defensivos Químicos, Rafael Cordioli.
Evento
O encontro técnico reuniu cerca de 45 pessoas de forma híbrida para tratar rastreabilidade e gestão consciente de fornecedores no que tange à Instrução Normativa Conjunta entre Anvisa-MAPA de 2018, eficiência operacional, redução de perdas e relacionamento com o consumidor. Entre análises e percepções das lideranças presentes, a programação destacou dados de rastreabilidade do RAMA, especialmente de itens perecíveis e industrializados, e dados do PARA, com amostra preliminar do relatório de 2024 em comparativo a 2023 e série histórica. Em conjunto, ambos auxiliam no levantamento de resíduos agroquímicos, qualidade e segurança de produtos alimentícios.

Além disso, os painéis pontuaram os avanços dos supermercados e varejistas de 2025 e a expansão da rastreabilidade para novos segmentos, como ovos e orgânicos. Por fim, o encontro apresentou os planos de trabalho e metas do setor para os próximos 3 anos. Entre as autoridades palestrantes, estiveram: o vice-líder da ABRAS, Marcio Milan; a gerente geral de Toxicologia da Anvisa, Adriana Torres de Souza; o técnico administrativo da Anvisa, Arthur de Souza Prado Reis; o diretor-executivo da PariPassu, Giampaolo Buso; e coordenadora de Monitoramento e Alimento Seguro da PariPassu, Eduarda Souza.

“A Anvisa tem trabalhado o fortalecimento de seu papel como agência de saúde e reguladora deste processo [rastreabilidade] de agrotóxicos, sempre tendo como norte a missão institucional de proteção e de intervenção nos riscos. (…) Recentemente publicamos a nova resolução da diretoria colegiada da Anvisa, que estabelece os critérios para avaliação do risco ocupacional de residentes e transeuntes aos agrotóxicos. Muito embora não seja algo diretamente ligado a segurança dos alimentos, é algo que tangencia esse processo. É uma norma que vem para revolucionar a segurança no campo”, concluiu a representante da Anvisa, Adriana Torres.

Em sua apresentação, Adriana detalhou como a regulamentação dos agrotóxicos do Brasil está baseada na avaliação do risco ao cidadão. “A gente tem um elo muito importante deste processo [regulatório] que é o consumidor. E quando a gente traz a informação da rastreabilidade, certamente a gente aproxima o consumidor do produtor. Mais do que uma obrigatoriedade legal, é algo que agrega valor e traz o consumidor para o conhecimento do que está sendo feito. É uma forma de transformá-lo em um agente que impulsiona todo esse processo”, concluiu.