[Artigo] O protagonismo global do Brasil também passa pela inovação no agronegócio

Ana Repezza, nova presidente da CropLife Brasil

Publicado no Globo Rural Online

O Brasil já ocupa posição central no agronegócio global e desempenha papel relevante para a segurança alimentar nacional e internacional. Sustentado com cifras expressivas, escala produtiva e escala comercial, o país consolidou-se como potência econômica no setor. Ao longo de anos ocupando funções ligadas ao comércio exterior, à atração de investimentos e ao diálogo institucional, acompanhei de perto como somos percebidos em diferentes ambientes. Em muitos deles, a imagem está associada à diversidade cultural, à riqueza natural e à criatividade. 

No entanto, esses atributos revelam apenas uma parte da nossa identidade. O Brasil que ganha destaque é o que produz, inova e entrega soluções em larga escala. E poucos setores representam isso de forma tão clara quanto o agronegócio. Dados recentes reforçam o impacto nacional: em 2025, o PIB do agro alcançou R$ 3,2 trilhões, 12% a mais do que no ano anterior. A agricultura brasileira, reconhecida pelo volume de produção, é resultado de décadas de investimento em pesquisa, tecnologia e qualificação profissional. Produzir no ambiente tropical exige capacidade permanente de adaptação e respostas rápidas a fatores climáticos e sanitários. 

Essa trajetória bem-sucedida transformou experiência em ciência, conhecimento em método e fez do país uma referência global em agricultura tropical.

Mas a projeção externa depende também do olhar que lançamos para dentro. Reconhecer o valor do setor para a economia do país é condição para avançar com consistência. Fortalecer pilares como segurança jurídica, ambiente regulatório previsível, estímulo à inovação e cooperação entre setor público, iniciativa privada, academia e produtores é condição indispensável para atrair investimentos e acelerar as soluções que chegam às lavouras.

Nessa construção de visão, que é coletiva, o papel de cada elo da cadeia produtiva torna-se estruturante e estratégico. Governo, academia, indústria, terceiro setor e agricultores são agentes do desenvolvimento científico que transforma o campo e leva alimento à mesa dos brasileiros e do mundo. Multifacetado e competitivo, o agronegócio exige cada vez mais articulação institucional, visão de futuro e integração global, capazes de aperfeiçoar percepções externas e atrair investimentos que impulsionem o setor.

É nesse ambiente que a indústria de pesquisa e desenvolvimento de insumos agrícolas exerce papel-chave na entrega de inovação ao campo e na consolidação da segurança jurídica necessária ao investimento. Nos segmentos químico, biológico, sementes e biotecnologia, a ciência transforma conhecimento em produtividade, sustentabilidade e soluções concretas para uma demanda global crescente por alimentos. Com uma narrativa clara, exibindo os diferenciais e potenciais do agro brasileiro, será possível ampliar reconhecimento, conquistar reputação e garantir influência. Essa agenda representa uma oportunidade concreta para ampliar a relevância internacional do Brasil na produção e fortalecer o ecossistema de inovação agrícola.

O Brasil já demonstrou ao mundo sua força produtiva. O próximo passo é comunicar com a mesma clareza a potência inovadora que sustenta essa trajetória. Uma agricultura tropical movida por ciência, talento e capacidade permanente de inovar. Transformar esse diferencial em reputação, investimentos e influência será decisivo para consolidar o protagonismo global do Brasil.

*Ana Paula L. A. Repezza é atual presidente da CropLife Brasil, empossada em maio de 2026. Foi diretora de Negócios da ApexBrasil, onde liderou mais de 50 missões comerciais internacionais, e Secretária-Executiva da CAMEX, com atuação na formulação de políticas comerciais e regulação de bens agrícolas e industriais.

A executiva é mestre em Gestão Internacional pela University of London, possui MBA em Negócios Internacionais pela FGV e especialização pelo World Trade Institute da Universidade de Berna. Graduada em Administração pela UFMG, acumula mais de 25 anos de experiência em políticas comerciais, relações governamentais e atração de investimentos, com atuação em setores como agronegócio, biocombustíveis e mineração.

Rolar para cima