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Propagação vegetativa ajuda no melhoramento das plantas

Uma das formas empregadas para a reprodução de plantas é a propagação vegetativa, multiplicação realizada de forma assexuada – sem que haja fecundação e produção de sementes – usando partes das plantas capazes de originar indivíduos geralmente idênticos às plantas-mães. São os chamados clones sem variação genética.

A propagação vegetativa pode ocorrer de forma natural ou induzida. A natural se dá quando a reprodução acontece por estruturas próprias das plantas, como em caules, folhas, rizomas (tipo de caule horizontal), bulbos, brotos e tubérculos. A propagação induzida é realizada de forma artificial com a intervenção humana. 

Para isso, as técnicas mais utilizadas são estaquia, enxertia e alporquia. Pesquisadores, empresas de melhoramento vegetal, agricultores e produtores de mudas usam esses métodos, principalmente, em espécies frutíferas e florestais. 

Há também a micropropagação ou propagação in vitro feita em laboratório. Neste método, fragmentos retirados da planta matriz – chamados explantes – se desenvolvem em meios de cultura adequados e condições ambientais controladas.

 

Uma matriz com qualidade é fundamental 

Muitos fatores influenciam o processo da propagação vegetativa como espécie, condições ambientais, matrizes, tipo e hora de coleta do explante, produtos químicos, entre outros. Um dos pontos fundamentais apontados pelos pesquisadores é a escolha das plantas matrizes, ou plantas-mães, que devem estar saudáveis já que os clones serão iguais a elas.

Os dados do último relatório do Instituto Brasileiro de Árvores (IBÁ), mostraram que, em 2018, a área plantada com florestas no Brasil tinha 7,83 milhões de hectares, sendo 5,7 milhões de eucaliptos. 

As espécies de pinus vêm em segundo lugar com 1,6 mi/ha e a área de seringueira ocupava 218 mil/ha. Outras espécies como acácia, teca e paricá somavam 373 mil/ha. 

 

A micropropagação é utilizada na reprodução de espécies de pinus tropicais

No Brasil, existem inúmeras pesquisas para o melhoramento de espécies florestais, tanto no setor público quanto no privado. A Embrapa Florestas, em Colombo (PR), tem um programa de melhoramento cooperativo desenvolvido em parceria com a Funpinus, entidade que reúne 16 empresas do setor produtivo de pinus. A árvore, que é nativa do Hemisfério Norte, tem cerca de 90 espécies e seu cultivo está concentrado nas regiões sul e sudeste do Brasil. 

Um dos trabalhos resultantes desta parceria, se refere às espécies Pinus tecunumanii e Pinus caribaea var hondurensis. O P. tecunumanii produz madeira para a indústria e o P. caribaea var. hondurensis, madeira e resina. O estudo, que começou em 2011, usa técnicas de propagação vegetativa como a micropropagação. 

Pesquisadora Juliana DegenhardtA pesquisadora Juliana Degenhardt destaca que, “embora para algumas espécies de pinus, os protocolos de micropropagação já estejam avançados, para estas espécies tropicais existiam poucos”.

O enraizamento das plantas é um dos grandes desafios da pesquisa, porque em pinus as taxas são baixas. Para o P.caribaea var. hondurensis, os cientistas avaliam, também, a utilização de bactérias para promover o crescimento. 

As principais vantagens apontadas por Juliana na micropropagação, são a obtenção de mudas com alta qualidade fitossanitária (livres de doenças e pragas) e com alta produção em espaço reduzido. 

Porém, a pesquisadora alerta que a comercialização de mudas vindas de micropropagação ainda está longe do ideal. “Apesar de já funcionar para algumas espécies, ainda há dificuldades quando a técnica é transferida da escala laboratorial para a comercial”, explica.

Para o estudo, os pesquisadores utilizaram mudas vindas de casas-de-vegetação e plântulas germinadas in vitro. As mudas ainda não foram levadas a campo.

 

Seringueira: enxertia garante conservação e comércio 

O pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Erivaldo José Scallopi Junior, trabalha com propagação vegetativa de seringueira no Centro de Seringueira e Sistemas Agroflorestais, em Votuporanga (SP). O principal produto extraído da árvore é a borracha natural e, após esse ciclo, a madeira também pode ser utilizada.

A seringueira é nativa da Amazônia, porém, o estado de São Paulo é hoje o maior produtor do país com, pelo menos, 132 mil hectares plantados, 60% do total de borracha natural produzida no Brasil.  

Para fins comerciais, o método mais utilizado para a propagação da árvore é a enxertia por borbulhia de placa em janela aberta. A técnica consiste em utilizar uma gema, pequena estrutura da planta que está localizada na base, na junção das folhas com os galhos. Da gema se origina toda a árvore, ou seja, um novo indivíduo que preserva as características genéticas. 

A gema é unida a uma pequena porção de casca denominada borbulha, da variedade que se deseja clonar e, depois, inserida no porta-enxerto, planta que servirá de base para o crescimento da nova árvore. 

Para produzir um porta-enxerto com qualidade, é importante que sejam obtidos de cultivos policlonais, ou seja, seringais que possuem mais de um clone. Assim, as chamadas sementes clonais terão vigor genético, ideais para a obtenção de porta-enxertos com qualidade. 

Antes de qualquer produção em escala, os clones são testados em campos experimentais. “O IAC possui plantas matrizes certificadas de diferentes clones elites de seringueira. Todos são exaustivamente pesquisados com relação à produção e características do látex, vigor, resistência a pragas e doenças e outros caracteres secundários”.

Clone IAC 502Existem centenas de clones de seringueira. Alguns são melhores para produção de borracha natural, outros para madeira e alguns servem às duas finalidades. O clone IAC 502, por exemplo, tem alto potencial de produção de borracha e, também, é precoce, começando a produzir um ano antes que os materiais tradicionais. Já o clone IAC 505 tem dupla aptidão, borracha e madeira, além do início da produção ser aos cinco anos de idade, em média dois anos antes dos clones tradicionais.

Scallopi salienta que a clonagem traz uniformidade das plantas o que facilita o manejo mas, em termos ambientais e fitossanitários, é preocupante. “Em seringueira, se recomenda plantar mais de uma variedade numa mesma área, para evitar problemas com doenças e pragas. Mesmo entre variedades, há diferentes níveis de resistência aos patógenos e, portanto, a utilização de distintos materiais genéticos, variedades, pode reduzir a incidência desses organismos nocivos no seringal e proporcionar maiores produtividades”, explica.