Novo espaço de diálogo aproxima governo, setor produtivo, academia e movimentos sociais para o fortalecimento do protagonismo feminino no campo.

Com o objetivo de fortalecer a participação feminina no campo e contribuir para a formulação de políticas públicas efetivas voltadas às mulheres, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) lançou, na quarta-feira (10), em Brasília, a Câmara Temática das Mulheres Rurais. Vinculada ao Conselho Nacional de Política Agrícola (CNPA), a Câmara foi instituída por meio da Portaria Mapa nº 892, publicada em março deste ano.
O lançamento reflete um cenário em transformação: o Brasil conta hoje com cerca de 5,07 milhões de estabelecimentos agropecuários, dos quais, aproximadamente 947 mil são dirigidos por mulheres, o que equivale a 19% do total. Em comparação com o senso de 2006, houve crescimento da participação e liderança feminina das propriedades, quando a participação feminina chegava a 13%. A maioria dos estabelecimentos está concentrado na região Nordeste, seguido das regiões Sudeste, Norte, Sul e Centro-Oeste.
A CropLife Brasil, associação que representa a indústria de tecnologias agrícolas voltadas à agricultura tropical, irá compor o grupo junto a outras 22 instituições representativas dos setores público, privado, acadêmico, cooperativista, de organismos internacionais e de movimentos sociais, garantindo ampla diversidade de visões e experiências.
Para a presidente da CLB, Ana Repezza, a diversidade de perspectivas é um dos principais impulsionadores do desenvolvimento sustentável. “Esse é um tema que me toca pessoalmente. Ao longo da minha trajetória profissional, acompanhei, apoiei e ajudei a criar ações voltadas à ampliação da participação feminina em setores estratégicos e posições de liderança. Por isso, vejo com grande entusiasmo a criação de um espaço permanente de diálogo e construção de políticas públicas que fortaleçam a autonomia econômica, a inclusão produtiva e a geração de oportunidades para as mulheres do campo”, afirma.

A presidente, primeira mulher no posto, também destacou o potencial que ainda pode ser desenvolvido para ampliar a presença feminina nos espaços de liderança e inovação. Segundo ela, os avanços são visíveis no perfil das lideranças do agro e na própria entidade, cujo time é formado 83% por mulheres.
Valorização
A Câmara se propõe a ser um espaço consultivo e permanente de diálogo para debater e acompanhar ações voltadas à promoção da autonomia econômica, da inclusão produtiva e da valorização das mulheres rurais brasileiras. Durante a cerimônia de instalação oficial do grupo, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, reforçou o papel fundamental de mulheres em espaços onde se discutem ideias, se tomam decisões, especialmente no campo político, para o desenvolvimento do país. “Hoje, as mulheres ocupam espaços cada vez mais importantes de liderança e poder. Temos mulheres à frente dos ministérios do Planejamento, da Saúde e da Gestão. Elas vêm assumindo, de forma crescente e extremamente competente, funções estratégicas para o desenvolvimento do país”, destacou o executivo da pasta.

A presidente da Câmara e diretora de Promoção do Agronegócio da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais, Ângela Peres, ressaltou que a criação do comitê representa o compromisso do MAPA com a promoção da inclusão, da igualdade de oportunidades e do desenvolvimento sustentável no meio rural. “Nossa Câmara nasce com a missão clara de contribuir para a formulação, o aprimoramento e o acompanhamento de políticas públicas voltadas às mulheres rurais brasileiras, assessorando o Ministério da Agricultura e Pecuária na construção de soluções que promovam desenvolvimento, inclusão produtiva, autonomia econômica e oportunidades para as mulheres do campo, das águas e das florestas”, enfatizou Peres.
Funcionamento

As reuniões serão realizadas pelo menos uma vez por ano ou mediante a convocação da presidente. Os encontros terão o objetivo de fortalecer a participação das mulheres em cooperativas, associações e em cadeias produtivas e contribuir para a geração de renda, inovação, sustentabilidade e sucessão rural.
Além do MAPA e da CLB, são participantes o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC); a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), a Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp); a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), a Sociedade Rural Brasileira (SRB), o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé); o Banco do Brasil (BB) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil); a Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) e a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf); a ONU Mulheres; o Grupo Mulheres do Brasil; o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); a Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt); o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea); e o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV).