Encontro em São Paulo compartilha indicadores de uso, discute desafios da cadeia produtiva e cobra avanço setorial; CropLife Brasil aponta contribuições à Lei.

O III Fórum de Bioinsumos no Agro, realizado na terça-feira (19), discutiu o momento e as oportunidades globais dos produtos biológicos em ascensão, enquanto o país aguarda a regulamentação do Marco Legal. O encontro, ocorrido na sede da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (OCESP), em São Paulo (SP), reuniu academia, ensino e extensão rural, produtores, indústria, entidades e autoridades de governo para apresentar indicadores de uso, desafios da cadeia produtiva e cobrar avanço no desenvolvimento setorial do país. A CropLife Brasil, como representante da indústria de inovação agrícola, participou ativamente do fórum e compartilhou as contribuições dadas à Lei dos Bioinsumos (nº 15.070/2024), no decreto em construção. Dados do CropData mostram que o setor encerrou 2025 com R$ 6,2 bilhões (+15%) em valor de mercado e área tratada de 194 milhões de hectares (+28%).

A edição contou com cinco painéis de debate que trataram, de forma geral, do cenário global e tendências, das ações e ritmo de crescimento dos bioinsumos, da sustentabilidade inata ao produto, além da indústria, regulamentação e o futuro do mercado. A mesa de abertura teve presença do presidente do sistema OCESP e presidente de honra da edição, Edivaldo Del Grande; vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), João Adrien; vice-presidente da Fiesp e presidente do Conselho Consultivo do Fórum, Roberto Betancourt; diretor de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos da Syngenta, Felipe Teixeira; presidente do Fórum Paulista do Agronegócio, Jacyr Costa Filho; e o secretário-executivo da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de SP, Diógenes Kassaoka. De forma remota, a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, discursou na solenidade.
Dados e setor
O mercado brasileiro de bioinsumos encerrou a Safra 2025/26 com R$ 5,3 bilhões em biodefensivos, cobrindo mais de 107 milhões de hectares, segundo pesquisa apresentada pela Kynetec Brasil. O grupo apresentou que os produtos de base biológica já representam cerca de 6% do mercado total de defensivos e inoculantes nos principais cultivos, enquanto mais de 80% da área de soja tratada para nematoides utiliza insumos biológicos. A diretora de Bioinsumos da CropLife Brasil, Amália Borsari, painelista na quinta mesa redonda – “O Brasil possui hoje um ambiente regulatório capaz de sustentar o crescimento do setor?” – situou o momento desafiador do setor, tanto para o agricultor, quanto para a indústria. Sem regra e previsibilidade, o segmento pode ser impactado pela falta de investimento.

“O que nós percebemos: a lei é uma lei complexa, que traz vários setores e visões diferentes dentro do processo. Hoje, nós estamos num momento crítico. A regulamentação que temos é apenas para registro de produtos, mas não temos uma clareza com relação à fiscalização, a procedimentos claros de normas infralegais, principalmente relacionadas para produtos inoculantes fertilizantes. (…) Sem esse decreto [regulamentador] a gente não consegue mexer na instrução normativa e não conseguimos corrigir problemas decorrentes. A título de exemplo, aqui em São Paulo, temos mais de 50 produtos que estão em fila de processo de registro e que não há uma clareza, em termos de procedimento. (…) Produtos que poderiam já estar no mercado para auxiliar nesse momento a questão de fertilizantes, não estão indo e não têm uma previsão. Então estamos todos amarrados, enquanto isso o setor está crescendo e se desenvolvendo. Os comandos estão claros, falta o detalhamento adicional”, sintetizou.

A programação do seminário trouxe ainda representantes palestrantes da Embrapa, da FGV Agro, do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional (GACInt) da USP e da Esalq/USP, da UFSCAR, da Agroterenas, do Grupo Roncador, do Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS), do Instituto Nacional de Propriedade Industrial, do Instituto Folio, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de SP e indústria setorial. O discurso de fechamento ficou, novamente, por conta do professor Roberto Rodrigues, docente emérito da Fundação Getúlio Vargas e enviado especial da Agricultura na Conferência do Clima da ONU, a COP30.

O III Fórum Bioinsumos no Agro tem promoção da Syngenta, Sistema OCESP, Itaú BBA, Yara Fertilizantes, Aleris, Amazon AgroSciences, CropLife Brasil, FAESP-SENAR, Greenhas Group, Satis e TechFertil, com apoios do Banco do Brasil, Instituto Clima e Sociedade, Sebrae e apoio institucional da ABAG, Abisolo, FGV Agro, Fiesp, Federação Nacional dos Engenheiros, Folio, Insper Agro Global, Rede ILPF, Sindicato dos Engenheiros de SP, Sindicato da Indústria de SP, Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal, Sindiveg e UDOP.