ESEM/ USP promove nova edição de curso de combate ao mercado ilegal agrícola

Inscrições para participar do programa de formação vão até 20 de abril; capacitação gratuita é voltada para agentes de segurança pública e privada.

Estudantes podem obter até cinco certificações durante o programa, sendo quatro dos módulos temáticos (intermediários) e um quinto do curso completo (final) (Foto: Divulgação/ ESEM USP)

A Escola de Segurança Multidimensional (ESEM), do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a CropLife Brasil (CLB) e apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), promove a 5ª edição do Programa de Formação no Combate aos Mercados Ilícitos de Insumos Agrícolas, voltado para especialização no tema. A capacitação é gratuita e tem o objetivo de complementar a qualificação de agentes estatais de segurança pública, meio ambiente e defesa agropecuária, brasileiros e latino-americanos, para o reconhecimento, apreensão, manuseio, fiscalização e investigação deste mercado ilegal.

As inscrições ficam abertas até o dia 20 de abril e podem ser feitas no site da ESEMO curso acontece de 20 de abril a 21 de junho de 2026, com duração de 120 horas de atividades. O ensino ocorre na modalidade EaD (Educação à Distância). Conforme cumprimento de carga horária mínima, os alunos que concluírem o Programa receberão Certificado de Extensão Universitária emitido pela USP. A turma tem como público-alvo agentes de segurança pública (Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal, Polícia Técnico-Científica, Guardas Municipais), fiscais agropecuários, ambientais e aduaneiros, integrantes e servidores do poder judiciário e dos Ministérios Públicos, servidores públicos e estudantes de graduação e pós-graduação em cursos relacionados a toda a cadeia produtiva que integra o agronegócio.  

O gerente de Combate a Produtos Ilegais da CLB, Nilto Mendes, destaca a importância da parceria e integração com a academia para uma capacitação com metodologia consagrada, que ofereça aos profissionais aprofundamento no tema. “O crime organizado está explorando as cadeias produtivas de insumos relacionados ao agronegócio. Desde sua criação a CropLife tem se estruturado e proposto soluções e iniciativas, em cooperação com os elos da cadeia produtiva e autoridades, a fim de ampliar a atuação no enfrentamento aos mercados ilícitos. E o curso surge nesta agenda, de forma a abarcar os conhecimentos e competências que os agentes estatais precisam assumir para a prevenção, fiscalização e repressão aos ilícitos. A presença constante do Estado, o fortalecimento das fiscalizações estratégicas e a punição rigorosa conforme a lei são fundamentais para mitigar esse cenário”. 

O programa de formação já recebeu mais de 7,9 mil inscrições nas edições anteriores. 

O professor Leandro Piquet, coordenador acadêmico da ESEM/USP, reitera como o programa se consolidou como referência na capacitação pela sua metodologia, performance e indicação no setor. “Nessa jornada de formação sobre o tema dos insumos agrícolas ilegais, conseguimos ampliar as fronteiras do conhecimento e preparar os agentes para a realidade e os verdadeiros desafios que encontrarão no campo. O principal destaque do que curso está na metodologia de ensino baseada na solução de problemas práticos, com aulas gravadas, dinâmicas e de curta duração, que conectam teoria e prática. Na última edição, em 2025, tivemos participações de todos os estados brasileiros e de outros 15 países, especialmente da América do Sul. Além disso, medimos os índices de satisfação a cada turma: ano passado, 98,2% dos alunos declararam que recomendariam o curso para amigos e colegas de trabalho”, explicou.

Concluinte do curso, o inspetor e membro há 35 anos da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo, Márcio Riberio, destaca os aprendizados da capacitação. “A formação EAD no programa de combate a insumos ilícitos reforça a nós, profissionais da área de segurança, informações importantes sobre as falsificações e outras modalidades criminais presentes no agro”, comentou.

Cenário Ilegal

O Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF) aponta que cerca de 25% do mercado de defensivos agrícolas no Brasil seja ilegal. Já a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) estima que 30% do mercado de sementes é de origem desconhecida. Enquanto representante da indústria de inovação, estudo realizado pela CropLife Brasil de 2025, em parceria com a Céleres Consultoria, apontou que a pirataria de sementes de soja no Brasil gera perdas de cerca de R$ 10 bilhões ao ano para agricultores, agroindústria e governo. A estimativa é que as sementes ilegais ocupem 11% de área plantada da cultura no país. Além disso, de dez anos para cá, o meio rural tem sido um ambiente estratégico e vulnerável para o crime organizado transnacional, é o que vem sendo estudado pelo Insper Agro Global

A ilegalidade no campo, em especial dos insumos agrícolas, tem se manifestado em diferentes elos e etapas da cadeia produtiva. Operações recentes têm evidenciado essa realidade. O fato representa prejuízos à saúde humana e animal, gera impactos ambientais negativos, diminui a produtividade agrícola, fomenta outras infrações penais, desrespeita a produção intelectual e gera prejuízos financeiros tanto para os produtores, quanto para a indústria. 

Serviço

Curso: Programa de Formação no Combate aos Mercados Ilícitos de Insumos Agrícolas – 5ª edição

Período de inscrição: 20/03/2026 até 20/04/2026

Realização: 20/04/2026 à 21/06/2026

Carga horária: 120 horas

Formato: online, com aulas gravadas e modalidade EaD

Local: Plataforma da Escola de Segurança Multidimensional (ESEM)

Inscrições: no site da Universidade de São Paulo

(Foto: Divulgação/ ESEM USP)
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