Promovido pela ABRASS, evento conectou elos da cadeia produtiva para debater inovação e sustentabilidade no setor; CropLife levou desafios institucionais.

A 4ª edição do Encontro Nacional dos Produtores de Sementes de Soja (ENSSOJA), ocorrida entre os dias 06 e 08 de maio, em Foz do Iguaçu-PR, discutiu regulação setorial, cenário do mercado e trouxe reflexões sobre a Lei de Proteção de Cultivares (LPC). Promovido pela Associação Brasileira de Produtores de Sementes de Soja (Abrass), o evento conectou representantes da cadeia produtiva entre autoridades, especialistas e representantes das principais empresas e associações ligadas a soja para debater o momento da semente no Brasil e no mundo. No encontro, a CropLife Brasil levou os desafios institucionais como biotecnologia, propriedade intelectual e sustentabilidade para a pauta.
Painel
No segundo dia de evento, a diretora de Biotecnologia e Germoplasma da CropLife Brasil, Catharina Pires, contribuiu com os debates no painel “Desafios Institucionais do Setor de Sementes de Soja”. Ao lado dela, dividiram o palco o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Goulart; o Diretor Executivo da APROSOJA-BR e vice-presidente do Instituto Pensar Agro, Fabrício Rosa; e o gerente executivo de Negócios Institucionais do GDM, Fernando Michel Wagner. A mediação ficou por conta dos diretores Institucional e Executivo da Abrass, Gladir Tomazelli e Osli Barreto, respectivamente.

Segundo Catharina, o painel mostrou como as mensagens estão convergentes e alinhadas em defesa da modernização da LPC. “A segurança jurídica e a proteção à propriedade intelectual são condições para que a inovação no agro continue avançando”, reforçou. De encontro à diretora, a autoridade do Mapa defendeu a atualização da lei. “Não existe lei que envelhece bem. A Lei de Proteção de Cultivares vai fazer 30 anos e não reflete adequadamente a realidade atual do campo, não responde mais às necessidades. Precisamos revisar a lei e criar sistemas para gestão de dados. Também é preciso trabalhar a cultura do respeito à propriedade intelectual”, disse Goulart.

Durante a sua participação, Catharina também abordou a Coalizão de Combate a Sementes Ilegais e seus principais pilares, voltados para a defesa conjunta do setor de sementes. Entre os esforços, estão iniciativas de advocacy com o poder público, ampliação da fiscalização e a conscientização do produtor para o uso legal e seguro de sementes. A iniciativa reúne outras entidades além da CLB, como a Abrasem, Abrass, ABCSem, Apassul, Agrosem, Apasem, Aprosmat e Aprosesc.
Ao fim do Enssoja 2026, a Abrass apresentou a mudança oficial do nome da entidade, que passa a se chamar Associação dos Multiplicadores de Sementes de Soja do Brasil (AMSSOJA Brasil). Segundo o diretor-executivo da associação, Gladir Tomazell, a mudança busca reforçar a distinção entre a atuação da entidade, voltada aos multiplicadores de sementes, e a dos obtentores de genética vegetal.
Sementes de soja no Brasil
Atualmente, o mercado de sementes de soja comercializa, por safra, 46,3 milhões de sacas e movimenta mais de R$ 30 bilhões no Brasil, segundo a Abrass. Entretanto, a pirataria de sementes de soja gera prejuízos em torno de R$ 10 bilhões por ano, segundo estudo da CropLife e Consultoria Céleres, para agricultores e para a indústria, evidenciando um dos principais desafios do setor. O trabalho de defesa do integra indústria, associações e órgãos governamentais.