CropLife Brasil destaca, em audiência pública, importância da propriedade intelectual para o desenvolvimento e competitividade do setor

O pagamento de royalties da soja foi tema de audiência pública realizada na quinta-feira (8), na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, em Brasília. O encontro reuniu representantes do setor produtivo, especialistas, entidades ligadas à pesquisa e à inovação, além de parlamentares e representantes do governo, com o objetivo de discutir sobre desafios e oportunidades relacionados ao tema.
A manutenção do modelo de remuneração por tecnologias agrícolas, fundamental para viabilizar investimentos em pesquisa e desenvolvimento, foi um dos destaques da reunião. No caso da soja, a adoção de inovações em biotecnologia e melhoramento genético foram determinantes para os ganhos de produtividade registrados nas últimas décadas.
Desde 1998, quando teve início a adoção da tecnologia no Brasil, a produção aumentou quase 300%, enquanto a área plantada cresceu cerca de 170%. Os dados são de estudo da CropLife Brasil.
A diretora de Germoplasma e Biotecnologia da CLB, Catharina Pires, destacou que a proteção à propriedade intelectual é um dos pilares para garantir o ciclo virtuoso da evolução tecnológica no campo. Segundo ela, a previsibilidade no ambiente regulatório atrai investimentos e assegura que novas soluções cheguem aos produtores rurais.
“A inovação no agro depende de um ciclo contínuo de investimentos. Para que isso aconteça, é fundamental que haja um ambiente de segurança jurídica que valorize e proteja o desenvolvimento tecnológico”, afirmou.

O Brasil tem se consolidado como uma das principais potências agrícolas do mundo, resultado direto da incorporação de ciência e tecnologia adaptadas às condições tropicais. A continuidade desse avanço, segundo os participantes, depende de um ambiente que estimule a inovação e reconheça a importância dos mecanismos que a viabilizam.
Impactos positivos
Atualmente, o Brasil cultiva cerca de 56,9 milhões de hectares com biotecnologia, com taxas de adoção que chegam a 99% na soja.
Ao longo desse período, a tecnologia contribuiu para:
- Evitar a necessidade de abertura de aproximadamente 21,4 milhões de hectares adicionais, preservando áreas naturais;
- Reduzir significativamente o uso de insumos, com queda acumulada de até 35% na aplicação de defensivos na soja;
- Aumentar a eficiência produtiva, permitindo produzir mais na mesma área, com menor pressão sobre recursos naturais.