Entidade participa de comemoração dos 50 anos da Associação dos Produtores de Sementes e Mudas de SC (Aprosesc).

Os perigos e prejuízos causados pela pirataria de sementes foram os temas debatidos pela CropLife Brasil, em Campos Novos (SC), durante encontro técnico da Associação dos Produtores de Sementes e Mudas do Estado de Santa Catarina, no último dia 18 de novembro. O evento celebrou os 50 anos da entidade e contou com a participação do gerente de Combate a Produtos Ilegais da CLB, Nilto Mendes.
“O tema da ilegalidade preocupa a indústria do mundo inteiro. E nós da CropLife Brasil nos estruturamos para tratar de um tema, que é mercado ilícito em insumos agrícolas, dado o fato desse problema ter tomado dimensões preocupantes no Brasil. O país possui legislação recente que demonstra essa preocupação por parte das autoridades brasileiras e como endereçar essa questão. Mercado ilícito existe em tudo que é negócio, especialmente onde tem riqueza e onde tem lacuna regulatória, assimetria regulatória, deficiência de fiscalização e de repressão. E esse cenário muda conforme a região geográfica do globo e conforme a economia que se está abordando”, mostrou Nilto durante painel ao lado do engenheiro agrônomo da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), Matheus Mazon Fraga.

O gerente da CLB ressaltou que o crime explora vulnerabilidades de setores onde há riqueza e retorno econômico como a agricultura brasileira, responsável por aproximadamente ¼ do PIB do país. Este fato tem chamado atenção, inclusive do crime organizado e o mercado ilícito nas fronteiras brasileiras.
O encontro técnico reuniu cerca de 80 pessoas entre produtores, empresas e autoridades do setor para debater os desafios das sementes. A abertura institucional contou com discurso do secretário executivo da APROSESC, Valmir Pavesi. Dividido em três momentos temáticos, a programação trouxe em seguida os painéis: “I – Refúgio: Como proteger a Biotecnologia e garantir Produtividade”; momento “Lei de Proteção de Cultivares”; e “II – Pirataria de Sementes: Risco à Inovação, Perigo ao Agricultor”. Dentre os painelistas, estavam o engenheiro agrônomo da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de SC (Epagri), Leandro Prado Ribeiro; o engenheiro agrônomo da Embrapa, Adeney de Freitas Bueno; e o gerente institucional de Negócios da GDM, Fernando Michel Wagner.

O evento se mostrou como uma oportunidade para divulgar posicionamentos técnicos e regulatórios sobre qualidade de sementes, ampliar networking com stakeholders estratégicos e influenciar políticas públicas e práticas de mercado.
Pirataria de sementes
Estudo divulgado em 2025 pela CLB, em parceria com a Céleres consultoria, estima que as sementes piratas ocupem 11% da área plantada da cultura no Brasil, o equivalente ao total do plantio em Mato Grosso do Sul. A pesquisa aponta que a ilicitude gera perdas de R$ 10 bilhões ao ano para agricultores e outros elos da cadeia produtiva.