Semana reuniu representantes do setor produtivo, academia, indústria, governo e organizações da sociedade civil para debater desafios e oportunidades globais.

As prioridades da agenda climática brasileira e global estiveram em debate durante a São Paulo Climate Week (SPCW), realizada entre os dias 3 e 7 de agosto, em São Paulo. A iniciativa reuniu empresas, lideranças, governos, investidores e sociedade civil em diferentes hubs e eventos simultâneos pela cidade. A CropLife Brasil marcou presença nas discussões sobre sistemas agroalimentares e sustentabilidade, representada pela analista de Sustentabilidade Bruna Emanuela.
Guiada por seis eixos distintos – Transição dos setores de Energia, Indústria e Transporte; Florestas, Oceanos e Biodiversidade; Agricultura e Sistemas Alimentares; Cidades Resilientes, Infraestrutura e Água; Desenvolvimento Humano e Social; e Catalisadores da Implementação –, a SPCW teve como objetivo promover ações concretas para a transição climática, abrangendo áreas como descarbonização, conservação e justiça climática.

Eventos e agendas
A participação da CLB teve como destaques:
- Brazil Climate Solutions – Sistemas Agroalimentares

No dia 4 de agosto, a CropLife Brasil participou do evento Brazil Climate Solutions – Sistemas Agroalimentares, no Cubo Itau. A programação contou com painéis que abordaram temas relacionados à segurança alimentar, ao mercado internacional, à avanços na agricultura regenerativa, à transição energética e aos desafios de produtividade agrícola.
A programação deste evento foi composta por diferentes painéis.
- Um Keynote e Fireside Chat com o diretor da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), David Laborde, e com o professor sênior do Insper e coordenador do centro “Insper Agro Global”, Marcos Jank.
- Na sequência, o diretor global de Sustentabilidade e Relações Governamentais da MBRF, Paulo Pianez; Marcos Jank; a diretora de Relações Governamentais da Nestlé, Ana Carolina Carregaro; o gerente de Consultoria Agro do Itaú BBA, Cesar Castro; e o diretor do SystemIQ Brasil, Felipe Faria, debateram durante o painel “Perspectivas do Mercado Internacional e Transformações no Agro Brasileiro”.
- O terceiro painel, “Avanços no Desenvolvimento de Soluções para Escalar a Agricultura Regenerativa”, foi composto pelo coordenador da The Soil Company, Leonardo Pontes; pela responsável por Estratégia de Clientes e Novos Projetos do ProCarbono Bayer, Renata Portugal Ferreira; pelo professor titular na ESALQ/USP e diretor da CCARBON/USP, Carlos Cerri; pela head de Sustentabilidade da CNH, Raquel Montagnoli; e pela especialista em Agronegócio do Itaú IBBA, Beatriz Domeniconi.
- Marcos Jank palestrou sobre “Transição Energética e Segurança Alimentar”, abordando as relações e oportunidades do Brasil.
- Já o último painel “Fronteiras e Desafios para Produtividade Agrícola” foi palco para debate entre o diretor do Instituto de Estudos do Agronegócio da ABAG, Giuliano Alves; diretor de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos da Syngenta Brasil, Filipe Teixeira; e o desenvolvedor Back End do Climatempo, Lucas Fernando.

Durante o painel da FAO, Laborde situou a segurança alimentar dentro de um quadro mais amplo, conectada à segurança energética e à segurança hídrica. A discussão abordou a influencia de choques geopolíticos, fiscais e climáticos, como a disputa por água agravada pelo El Niño e os conflitos pela dependencia de rotas como o Estreito de Ormuz, que pressiona o sistema global de alimentos.
Nessa discussão, o Brasil apareceu como parte da solução: um fornecedor de proteína e grãos capaz de reduzir pegada de carbono mantendo resiliência do solo, desde que destrave esse potencial. Essa lógica se estende ao comércio internacional, com culturas brasileiras mais baratas para diversificar dietas e conter a insegurança alimentar agravada pela guerra na Ucrânia.
Já o bloco “Perspectivas do Mercado Internacional” tratou da busca por “próximos mercados” com potencial para ampliar a demanda global por proteínas, a exemplo do observado na China. Sul da Ásia, Oriente Médio e África aparecem como candidatos, embora ainda enfrentem limitações de capital e infraestrutura. Nesse cenário, os participantes ressaltaram a importância de ampliar o acesso a dados, seguros, conhecimento e tecnologias para reduzir os riscos inerentes à atividade agrícola.
- Business Leadership for the Action Agenda: From COP30 to COP31 and Beyond

Na quarta-feira, 5 de agosto, a CropLife acompanhou o Business Leadership for the Action Agenda: From COP30 to COP31, no AYA Earth Partners. Como o próprio nome indica, a agenda se baseou em um questionamento: como estruturar a governança da COP30 para que ela gere resultados concretos e duradouros? A partir da pergunta inicial, diferentes nichos encontraram soluções.
No eixo financeiro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destacou a mobilização público-privada via Brazilian Country Platform, com bancos engajados e projetos escaláveis para viabilizar novas indústrias, além de citar o Green Climate Fund como referência para outros emergentes. Já na área de implementação setorial, Ricardo Musa (Chair SB COP 30) apresentou a estrutura do SB COP, com 72 confederações do mundo todo organizadas em torno de um Conselho com agenda de 5 anos, 6 eixos principais e 3 entregas centrais.

Para Dan Ioschpe (Climate High Level Champion for COP 30), dar velocidade à agenda climática e entregar resultados tangíveis é urgente. Além disso, a representante da Conferência Nacional da Indústria (CNI), Constanza Negri, refletiu sobre qual modelo de governança seria capaz de conectar as iniciativas e gerar credibilidade e financiamento, já que o resultado da COP se mede pelo que acontece depois dela.
Ainda, a representante do governo e coordenadora de Ação da Presidência da COP30, Bruna Cerqueira, enfatizou que a força da proposta está na continuidade, uma vez que a estrutura já existe na The United Nations Framework Convention on Climate Change, com 482 iniciativas vinculadas ao SB COP e aos governos e estados, que organizam prioridades em grupos de trabalho.
- Bioinsumos como Eixo para a Transição na Agricultura

Ainda no dia 5 de agosto, a CLB esteve presente na programação do evento Bioinsumos como Eixo para a Transição na Agricultura, que aconteceu no Instituto Biológico de São Paulo.
Os painéis “Pesquisa, Inovação e Regulação: investimento em P&D, marco regulatório e soluções tecnológicas em bioinsumos” e “Mercado, Adoção e Financiamento: adoção por agricultores e cooperativas, modelos de distribuição e financiamento verde” foram compostos pela diretora-geral do Instituto Biológico, Ana Eugenia; pela pesquisadora da Embrapa e vencedora do World Food Prize 2025, Mariangela Hungria; pela diretora de Inovação para Agropecuária do MAPA, Luciene Mignani; e pelo diretor do Serviço Laboratorial de Referência em Controle Biológico do Instituto Biológico, José Eduardo Marcondes de Almeida.

O primeiro painel colocou o Brasil na vanguarda da revolução dos bioinsumos, destacando o potencial tecnológico e de mercado do setor no país. Durante a discussão, Mariangela Hungria apresentou os microrganismos como protagonistas de um “micro revolução verde”, com papel estratégico tanto no enfrentamento das mudanças climáticas quanto no apoio à produção de alimentos. Ela apontou a regulamentação de bioinsumos como um passo decisivo para fortalecer esse mercado e criar um ambiente favorável à inovação, ao crescimento e à exportação do setor, o que coloca o Brasil como referência no Sul Global.
Durante o segundo painel, a principal pauta de discussão entre as empresas do setor foi sobre o financiamento para o setor, como fazer os recursos chegarem e as dinâmicas do mercado. David Laborde, da FAO, encerrou a apresentação reforçando a importância dessas inovações no contexto da segurança alimentar e a necessidade de garantir que o financiamento chegue aos produtores, para que consigam realizar a transição.

- Agricultura e Floresta: produção sustentável, clima e natureza

No dia 6 de agosto, a CLB esteve no CIVI-CO para o evento Agricultura e Floresta: produção sustentável, clima e natureza. O painel I “Padrão Brasil de Agricultura e Barreiras Comerciais” foi composto pelo gerente executivo de Meio Ambiente no Pacto Global da ONU – Rede Brasil, Rubens Filho; pela diretora executiva do Imaflora, Marina Piatto; pelo coordenador de Soluções Sustentáveis da Citrosuco, Mario Melo; e pelo pesquisador da FGV Earth, Leonardo Munhoz.
Durante a discussão, Marina Piatto destacou como as diferentes cadeias produtivas enfrentam pressão crescente dos bancos e da EUDR por menos desmatamento e mais sustentabilidade, enquanto Leonardo Munhoz, reforçou que o Brasil precisa se preparar para a convergência entre normas globais e nacionais. Rubens ainda apontou que iniciativas como o Entre Solos só funcionam caso tenham conexão direta com o produtor. Ele afirma que apesar da legislação brasileira ser robusta em direitos humanos na pecuária, o Sul Global ainda carece de linhas de financiamento claras.
O painel II “Concessões de Manejo Florestal: Escala, Impacto e Soluções Climáticas” abriu espaço de debate entre o diretor de Concessões no Serviço Florestal Brasileiro, Renato Rosenberg; a diretora de Gestão de Florestas Públicas de Produção no IDEFLOR-Bio, Ana Simoneti; o chefe do departamento de Estruturação de Projetos de Infraestrutura Socioambiental no BNDES, Robson Eneas; e o diretor de Desenvolvimento Ambiental na Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Marcos Almeida.
Já o terceiro painel “Concessões de Restauração Florestal: Escala, Impacto e Soluções Climáticas”, contou com o diretor de Concessões no SFB, Renato Rosenberg; com o consultor sênior do BID, Leonardo Mendes; e com a diretora de Mudanças Climáticas e Serviços Ambientais na SEMAS/PA, Indara Roumié.
Como finalização, o secretário executivo da Rede de Inteligência em Agricultura e Clima (RIAG), Fernando Sampaio; a sócia da Área Ambiental no Santos Neto Advogados, Louise Bosschart; o gerente de Agricultura e Florestas no Pacto Global da ONU – Rede Brasil, Hugo Ricardo; e o diretor de projetos no O Mundo Que Queremos, Alexandre Mansur, reuniram-se no painel “Agricultura Regenerativa e Projetos de Carbono.
Durante este último debate, consolidou-se a mensagem de que a agricultura de baixa emissão não acontece sem o Brasil, sem políticas públicas, sem o CAR ou sem o Mercado de Carbono como pilares. Também reforçou que a agricultura regenerativa é uma forma de resiliência climática, uma variável estratégica para 2030.