CropLife Brasil participa da 3ª edição do BioSummit que reuniu especialistas, produtores e empresas para tratar eficiência dos produtos, cenário regulatória e mercado.

A CropLife Brasil participou, nesta quinta-feira (07), do congresso setorial BioSummit 2026, em Campinas-SP, que teve como tema “Bioinsumos e Agricultura Regenerativa: Cultivando o Futuro Sustentável”. No encontro, a CLB integrou dois momentos da programação e apresentou os atuais indicadores do segmento – que atingiram R$ 6,2 bilhões em valor de mercado (+15%) e somaram 194 milhões de hectares tratados (+28%), em 2025. A entidade compartilhou, ainda, os aprendizados da indústria e as perspectivas para o setor, em meio ao processo de regulamentação do Marco Legal. Durante dois dias, a 3ª edição do evento reuniu cerca de 1,2 mil participantes durante entre especialistas, produtores e empresas para tratar sobre eficiência produtiva, cenário e mercado.

Painel Regulatório
Para posicionar o momento estratégico do setor, o Painel Regulatório do evento reuniu os participantes do Grupo de Trabalho (GT) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para debater os avanços da Lei de Bioinsumos e como estão atuando durante o período de transição até a publicação do decreto de regulamentação. A gerente Regulatório da CLB, Julia Pupe, reforçou a importância do passo decisivo para o país, que promoverá previsibilidade e segurança jurídica, sobretudo à indústria.
“Várias entidades participaram do painel e vimos que todas as falas foram complementares, indicando que precisamos de previsibilidade regulatória e segurança para garantir que produtos inovadores cheguem ao produtor. Enquanto a gente não tem o decreto final, normas complementares estabelecidas e revisadas, estamos buscando entender quais são as regras desse processo de transição”, sintetizou.

Compuseram a mesa Amanda Bulgaro da AENDA, Fabio Yoshio Kagi do Sindiveg, Julia Emanuela da ANPII Bio, Marcos Pupin da ABBI e Rodrigo Souza da ABINBIO. A mediação foi feita pelo coordenador do GT de Bioinsumos do Mapa, Henrique Bley. Segundo a autoridade, o momento de discussão é essencial para a convergência de ideias e balizar as expectativas.
“O decreto regulamentador precisa ser robusto o suficiente para estabelecer as diretrizes principais de segurança jurídica para empresas investirem. Porém, também tem que ser flexível o suficiente para prever novas tecnologias, alguns produtos que ainda estão em desenvolvimento e permitir que a gente faça então essa padronização em atos complementares sobre jurisdição do Mapa. Nós temos todo um processo de consultas, contribuições técnicas, revisão e pareceres jurídicos dos ministérios envolvidos, neste caso da Agricultura, Meio Ambiente e Saúde, além de outros interessados, como o de Desenvolvimento Agrário e MDIC. A partir disso, o texto vai para Casa Civil onde é feita a última mediação do tema. Nós estamos trabalhando para que isso seja concluído ainda em 2026”, adiantou Bley.

Palestra
Em um segundo momento, a diretora de Bioinsumos da CLB, Amália Borsari, comandou a palestra “Consolidando o Brasil como Hub de Bioinsumos: Aprendizados e Perspectivas” e trouxe os principais avanços setoriais, dados e impactos no campo e estratégias de impulsionar o mercado dos insumos biológicos. A fala reuniu cerca de 90 participantes entre pesquisadores e lideranças empresariais. Segundo Borsari, a reflexão é que o debate já não é mais se os bioinsumos são promissores, mas sim como transformar vantagem comparativa em liderança competitiva global.
“O Brasil avançou muito nesta tecnologia, os dados mostram isso. Como vocês sabem, não basta importar um fermentador e iniciar o processo de industrialização. O que temos hoje de mercado nacional veio muito do empreendedorismo do Brasil e da ciência tropical desenvolvida aqui. Até mesmo os produtos que vêm do exterior, precisam passar por uma análise completa no campo, dentro da tropicalidade aqui existente, para avançar com a tecnologia. Hoje, a discussão está na regulamentação e de como a gente torna esses fluxos mais previsíveis e com análise aprimorada, de modo a impulsionar o mercado global”, apresentou.

Em sua apresentação, Amália mostrou como o Brasil avançou neste setor devido a uma regulação técnica, pragmática e baseada em risco real (principalmente em biodefensivos). Para os produtores, a qualidade dos produtos e o suporte técnico sobrepõe o preço na decisão de uso. Na oportunidade, a diretora apresentou o projeto renera – Brazilian Bioinputs Innovation Hub, iniciativa estratégica entre a CropLife Brasil e a ApexBrasil para liderar a escala global das soluções baseadas na natureza, conectando biodiversidade, ciência brasileira, produção agrícola e mercado. O objetivo é consolidar a exportação dos produtos e impulsionar a bioinovação.

BioSummit 2026
O congresso BioSummit é um movimento pela inovação consciente, criado para inspirar, conectar e impulsionar práticas que regeneram a terra e reimaginam o futuro da produção. Durante dois dias, o evento reuniu mais de 1,2 mil participantes, de todos os estados do Brasil e representantes de 11 países, além de 60 empresas patrocinadores, apontou a organização. O encontro mergulha nas soluções que estão transformando a agricultura: do uso inteligente de microrganismos e extratos vegetais à aplicação de princípios regenerativos que restauram a fertilidade dos solos, aumentam a biodiversidade e fortalecem a resiliência climática.
