Cenário do mercado agrícola e fatores cambiais influenciam decisões do produtor rural

Em entrevista ao Bom Dia Agronegócio, Maria Xavier, da CropLife Brasil, explicou como preço e margens apertadas têm pesado na escolha do defensivo agrícola.

O ano de 2025 foi recorde tanto para importação, quanto para exportação de insumos agrícolas, apontam os dados do CropData. O destaque das compras brasileiras fica para o setor de defensivos químicos, enquanto sementes e bioinsumos têm ganhado cada vez mais espaço no mercado internacional. Os resultados de comércio exterior e investimento em produtos para o campo se devem à junção de fatores como expansão da adoção de soluções na lavoura pelo produtor rural, sobretudo do uso de produtos genéricos influenciados pelo preço, e abertura de mercado na América do Sul para tecnologias brasileiras. A análise é da Maria Xavier, gerente de Assuntos Econômicos da CropLife Brasil, em entrevista ao Bom Dia Agronegócio.   

O cenário que resultou volume e receita das importações alcançadas em 2025 também é esperado em 2026. Os produtores rurais devem continuar com margens apertadas, impactando pelos custos de produção, e em busca de preços competitivos. Neste ambiente, a disponibilidade de produtos químicos genéricos se faz presente e pode pesar na escolha do defensivo formulado. Para além do preço, a CropLife ressalva para que a decisão considere também qualidade do produto, origem e eficiência agronômica dentro do campo. A janela cambial e cenário geopolítico são fatores que devem ser analisados na hora da compra.     

Na perspectiva das exportações os dados exibem o potencial brasileiro na venda de sementes, que deve continuar em 2026. O fato é justificado, principalmente, pela pesquisa e desenvolvimento (P&D) brasileira em tecnologias eficientes e de qualidade superior, especializadas na agricultura tropical. Países como Paraguai, Colômbia e Argentina, com característica ambientais similares, têm buscado as soluções para alcançar desempenho semelhante na produção agrícola local. Comodities, como o milho nacional, tem conquistado um mercado promissor, sobretudo na segunda safra. 

É observado o crescimento do segmento de bioinsumos no setor agrícola mundial e o Brasil tem sido pioneiro na adoção e promoção das exportações, este último impulsionado pela parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). A expectativa da entidade é a continuidade da expansão do uso do produto nas lavouras do país e vendas externas, são só na Américas, mas também na Europa. O acordo entre Mercosul e União Europeia deve contribuir na ampliação comercial e integração produtiva.

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