Biotecnologia e cooperação Brasil–China são destaques no 4º Congresso da Abramilho

Evento contou com apoio da CropLife Brasil e debateu sobre a importância da inovação e da convergência regulatória para a segurança alimentar global.

Foto: Caroline Barbosa/ CLB

A biotecnologia e a cooperação entre Brasil e China, em especial no setor agrícola, foram destaques no 4º Congresso da Abramilho – Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo, realizada nesta quarta-feira (13), em Brasília-DF. O evento contou com apoio institucional da CropLife Brasil e reuniu autoridades, especialistas e representantes do setor produtivo para discutir inovação, segurança alimentar e os desafios regulatórios que impactam o comércio agrícola global.

Durante o painel “Inovação que alimenta o mundo: o futuro da segurança alimentar”, autoridades brasileira e chinesa, especialistas e representantes do setor ressaltaram a importância da inovação e da convergência regulatória bilateral para fortalecimento das cadeias produtivas e desenvolvimento de soluções aos desafios globais, especialmente na área de segurança alimentar. Participante da mesa, o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, defendeu categoricamente que o avanço da agricultura depende de investimento em ciência e tecnologia.

Entre os temas discutidos, os convidados se aprofundaram nos processos de desenvolvimento e aprovação de tecnologias para o campo, bem como a modernização da agricultura e seus impactos na estabilidade social e econômica. Ambos ilustraram a interdependência comercial entre Brasil e China. 

Além da liderança chinesa, o painel contou com participação do secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Carlos Goulart; do presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), Mario Murakami; do diretor executivo da Abramilho, Glauber Silveira; e do economista-chefe da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), Daniel Furlan Amaral. A mediação ficou a cargo do jornalista do Canal Rural, Luís Patroni.

“O futuro da agricultura está na ciência e tecnologia”, declarou o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao. Foto: Divulgação/ Abramilho

A relação dos dois países no agronegócio tem se consolidado como um dos pilares mais relevantes do comércio agrícola global, marcada pela complementaridade, benefícios mútuos e respeito recíproco. Atualmente, mais de 60% da soja processada/ consumida na China é de origem brasileira, alimentando de forma sistemática outras cadeias produtivas, sobretudo de proteína animal e de biocombustíveis. Para milho e pluma de algodão, a relevância das exportações brasileiras no consumo total chinês é atinge entre 5% e 10%, respectivamente. Os dados evidenciam o impacto do fornecimento de grão e o papel estratégico do Brasil na segurança alimentar chinesa. 

Biotecnologia

A biotecnologia foi central no painel. O presidente da CTNBio, Mario Murakami, destacou que a edição gênica, técnica que há dez anos ainda gerava dúvidas, é hoje uma realidade consolidada para ampliar a produção com segurança. Ressaltou que o avanço da tecnologia resulta de construção coletiva e contínua. A perspectiva do produtor rural também esteve presente nas discussões, especialmente no que diz respeito aos desafios gerados pela assincronia nos processos de aprovação de produtos entre países. Fator esse que pode limitar o acesso as biotecnologias e os planejamentos no setor, impactando a competitividade e capacidade de inovação da agricultura.

Convergência regulatória

Atualmente, um dos principais desafios enfrentados é a assincronia regulatória. No caso de produtos biotecnológicos, o lançamento comercial no Brasil depende, na prática, da aprovação em importantes mercados importadores, especialmente a China. Como o tempo de aprovação chinês pode levar, em média, cerca de 5 anos após a liberação no Brasil pela CTNBio, esse descompasso gera impactos relevantes no planejamento do setor, atrasando a disponibilidade de novas tecnologias e restringindo o acesso dos agricultores a inovações já consideradas seguras no país.

Segundo estudo apresentado pela CropLife Brasil, um alinhamento regulatório entre Brasil e China para aprovação de biotecnologias agrícolas poderia gerar até US$ 1,5 bilhão adicional por ano em exportações brasileiras, especialmente nas cadeias de soja, milho e algodão. 

Congresso

O 4º Congresso Abramilho é uma realização da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo, que representa os produtores dos grãos e atua na defesa dos interesses do setor, no desenvolvimento de políticas públicas e na promoção da cadeia produtiva em âmbito nacional e internacional. O evento reuniu produtores, especialistas, representantes do governo e lideranças do setor para debater agricultura, inovação na segurança alimentar e geopolítica do agronegócio.

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