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Lute como uma cientista!

Na data em que se comemora o Dia das Mulheres e Meninas na Ciência, conversamos com a diretora da Academia Brasileira de Ciências (ABC) para saber a quantas anda a participação feminina na pesquisa brasileira

Dia 11 de fevereiro foi o dia escolhido pela ONU (Organização das Nações Unidas) como o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência para promover o acesso e a participação igualitária na ciência, da igualdade de gênero e do empoderamento feminino.

Entre as cientistas brasileiras que já conquistaram respeito e a admiração da comunidade acadêmica, dentro e fora do país, está a física Márcia Barbosa, que trabalha com estruturas complexas da molécula de água.  Em sua carreira, ela já recebeu muitos prêmios e integra a lista de cientistas da ONU Mulheres, entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres.

Não à toa, Márcia Barbosa é diretora da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e trabalha incansavelmente pela busca de mais igualdade para mulheres e meninas nas áreas de Stem – Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Mas, para ela, ainda há muito por fazer. “Na carreira científica poucas mulheres chegaram ao topo. Como exemplo, nenhuma ainda dirigiu a ABC, Ministério da Ciência e Tecnologia e Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)”, diz Márcia.

Quando surgiu o interesse pela ciência?

A ciência entrou na minha vida na infância. O meu pai era eletricista e eu sempre o ajudava nas reformas da casa. Era encantador saber como as coisas funcionavam. Entre as minhas ousadias, criei a primeira pipa (pandorga) plástica para soltar na chuva. Coisa que o deixava nervoso, pois sabia que os trovões seriam atraídos pela pipa.

Depois no secundário da escola pública, ajudava na montagem do laboratório. Certa feita, fiz um forno que desligou o disjuntor da escola. Nos finais de semana soltava foguetes. Para mim, ciência é aventura.

Você teve apoio da sua família para ser cientista?

Meu pai queria que eu fosse engenheira a minha mãe queria que eu fosse médica. Tinha notas boas no vestibular e podia escolher. Escolhi física porque sabia que seria cientista. Eles não entendiam, mas não atrapalhavam. Sabiam que um curso superior, coisa que eles não tinham, era a garantia de um futuro economicamente seguro.

Como está atualmente a participação das mulheres na ciência brasileira?

Hoje somos na graduação, mestrado e doutorado mais de 50%. No entanto, isto não se reflete no avanço da carreira. As mulheres são minoria no topo. Na área de física, desde o início, somos minoria, o que é complicado. Somos 20% na graduação, 12% como bolsistas de produtividade em pesquisa e 4% na ABC (Academia Brasileira de Ciência).

E quais são as áreas com mais atuação de mulheres?

As mulheres estão mais presentes nas ciências sociais e biológicas.  Os números totais de mulheres bolsistas do CNPq em produtividade em pesquisa têm se mantido iguais. De 2001 a 2015, o avanço foi de 32% a 36% somente.

O que pode ser feito para estimular ainda mais a participação das mulheres na ciência?

Inicia na infância. Vamos parar de tratar meninas como princesas e tratá-las como aventureiras da vida. Vamos chamar nossas meninas de inteligentes. No meio profissional, vamos incorporar a maternidade ao que houver no cotidiano, vamos parar de interromper, menosprezar e inviabilizar as mulheres. Tudo isto se faz com educação e políticas públicas.

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