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DIA MUNDIAL DAS ABELHAS: insetos são importantes aliados da produção agrícola mundial

Responsáveis pela polinização da maioria das plantas cultivadas no planeta, as abelhas têm papel fundamental na produção de alimentos.

Abelhas são fundamentais para a preservação da flora nativa e, também, para o sucesso da agricultura. E é fácil entender porque:

Mesmo considerando que outros insetos e animais, como pássaros e morcegos, prestam este serviço ambiental, é certo que abelhas com ferrão, da espécie Apis mellifera, como as europeias, africanas e africanizadas (resultantes de cruzamentos), representam a maior parte dos polinizadores porque são criadas racionalmente para a produção de mel, própolis, geleia real e cera. 

Parceria que dá frutos

Em muitos países, já é uma prática comum agricultores contratarem apicultores para trabalhos em parceria. O apicultor leva suas colmeias até as áreas de cultivo para que as abelhas melhorem a polinização de fruteiras e algumas hortaliças como tomate, por exemplo, aumentando a produção. Em contrapartida, o apicultor ganha pasto (floradas) para alimentar suas colônias que também vão produzir mais mel. No Brasil, esta prática, já é adotada em pomares de laranja e maçã, entre outros.  

O último censo do IBGE, estimou a existência de 2,5 milhões de colônias de Apis no Brasil. Os chamados meliponídeos, que não têm ferrão, como a maioria das abelhas nativas do país, também são importantes polinizadores. No entanto, sabe-se que há um número muito significativo destes insetos na natureza e em criações, mas não há dados oficiais porque os meliponários não são cadastrados. 

Atualmente, apicultores e pesquisadores têm expressado preocupação com a redução da população de abelhas ao redor do planeta. Segundo o biólogo Cristiano Menezes, pesquisador da Embrapa Meio ambiente, vários fatores contribuem para o declínio das abelhas no mundo. Sem ordem de grandeza, porque o impacto varia de acordo com a intensidade das criações, o continente e a localização dos países, ele destaca entre os principais fatores a disseminação global de doenças; o comércio Ilegal entre países de colmeias e rainhas; a destruição do habitat natural; o aquecimento global e o uso incorreto de defensivos agrícolas. 

Tecnologia

Cabe ressaltar que o Brasil é referência mundial em pesquisa e geração de tecnologia para apicultura e meliponicultura. Nossos pesquisadores fazem algumas recomendações que também podem trazer impactos positivos para a manutenção da população de abelhas do país:

– Formação de pastos apícolas, áreas destinadas ao cultivo de plantas que forneçam alimento para as abelhas; 

– Uso de plantas nativas que beneficiem as abelhas, na recuperação de reservas legais e APPs – áreas de preservação permanente;

– Avaliação de produtos químicos que possam matar abelhas ou prejudicar a dinâmica das colmeias, estabelecendo normas claras para a forma e o período permitido para o uso.

Boas notícias

Apesar da preocupação com a mortandade de abelhas no mundo, um estudo da FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – revelou que desde 1995 houve um crescimento de 25% na população global de Apis Mellifera. O trabalho de governos e agricultores é de suma importância para preservar a vida e a saúde das abelhas. 

No Brasil, há um esforço para garantir o direito de agricultores e apicultores protegerem suas lavouras e criações.  Algumas iniciativas já têm dado bons resultados, entre elas, podemos destacar a ação da Secretaria da Agricultura do estado de São Paulo que, em 2013, publicou uma portaria estabelecendo que todo e qualquer produto de origem animal só pode ser comercializado se proveniente de propriedade cadastrada.

O que inclui a produção de mel, cera, própolis, pólen e afins, como podemos observar na descrição divulgada pela Defesa Agropecuária: “O cadastro dos produtores com atividade apícola é necessário para que a Defesa Agropecuária conheça a quantidade de colmeias no Estado de São Paulo e onde elas estão localizadas.

O cultivo de abelhas Apis e ASF (abelhas sem ferrão) constitui importante atividade econômica para o Estado de São Paulo, e proteger a sanidade das colmeias é fundamental para a qualidade dos produtos, segurança alimentar e sustentabilidade da atividade apícola.” Está na pauta do Ministério da Agricultura adotar medida semelhante em todo o território nacional. 

Outra iniciativa interessante é a criação de aplicativos que colocam agricultores e apicultores em contato. Através destes APPs, o agricultor pode avisar o apicultor que tenha colmeias alojadas num raio de 2,5 quilômetros da propriedade, antes da aplicação de defensivos. Com o diálogo franco, medidas de proteção podem ser adotadas por ambas as partes.