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Bioinseticida desenvolvido pela Embrapa é muito eficiente no controle da lagarta-do-cartucho

Espécies de insetos do gênero Spodoptera são inimigos naturais de diversas culturas. No Brasil, a lagarta Spodoptera frugiperda é um dos maiores problemas enfrentados no cultivo de grãos. Conhecida como lagarta-do-cartucho, ataca lavouras de algodão, soja, arroz, sorgo e, principalmente, o milho.

Segundo os especialistas, essa preferência pode ser explicada pela palatabilidade, ou seja, as lagartas se alimentam mais de plantas com gosto agradável ao paladar. 

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Bioinseticidas milho - lagarta-do-cartuchoA S. frugiperda existia apenas nas Américas, porém, há cerca de 2 nos, chegou à África e se espalhou pela Ásia e Austrália. Os primeiros sintomas na lavoura de milho são folhas que parecem raspadas mas, sem controle, as lagartas podem perfurar as folhas, destruir o cartucho, as espigas e danificar até a base da planta.

Após anos de pesquisas, a Embrapa Milho & Sorgo, em parceria com uma empresa canadense, lançou um bioinseticida capaz de controlar a praga.

A lagarta-do-cartucho também é conhecida como lagarta militar. As larvas têm a cabeça preta e o corpo de cor clara que, aos 3 dias de idade, vai ficando mais escuro. Quando estão totalmente desenvolvidas, a cor varia entre cinza-escuro a marrom. As lagartas também apresentam um “Y” invertido na cabeça.

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O produto já está no mercado e tem em sua base o agente biológico Bacillus thuringiensis (Bt), uma bactéria encontrada no solo, água, insetos mortos, resíduos de grãos, palhada, entre outros. Ela produz esporos e cristais que reúnem as proteínas Cry e Vip3, altamente tóxicas para as lagartas.

Bioinseticidas milho - lagarta-do-cartuchoEm testes em lavouras, o bioinseticida conseguiu controlar entre 95 e 100% das lagartas. Entretanto, o pesquisador alerta que, para atingir essa eficácia, é recomendado aplicar o produto no final do dia porque a lagarta tem hábito noturno.

A aplicação pode ser realizada com pulverizador costal ou com um trator, mas sempre com um espalhante – produto que deve ser aplicado com o biopesticida para facilitar a sua ação sobre as lagartas.

Quando o bioinsumo é pulverizado, formam-se gotas na superfície das folhas e é onde as larvas irão se alimentar.

O espalhante ajuda numa melhor pulverização e uniformidade das gotas sobre as folhas. “O posicionamento da praga é o mais complicado e varia de acordo com a região.

Tem lugar em que a lagarta aparece 6 dias após a germinação do milho, quando a planta ainda está muito pequena. Mas tem que entrar com o produto porque se esperar a planta crescer, passa da hora e a lagarta também cresce. Quanto menor o tamanho, mais rápido os sintomas vão aparecer.

Como ela vive 15 dias no campo, você vai ver que o PH intestinal muda muito rápido. Além disso, a função dela é comer, gerar pupa, mariposa, reproduzir e colocar ovos, então tem que combater nos primeiros sinais de ataque”.

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Ao pulverizar o bionseticida nas folhas, a lagarta raspa o produto e ingere os cristais e acaba morrendo.

Bioinseticidas milho

O bioinseticida versátil

O produto pode ser usado por qualquer agricultor tanto em sistema orgânico quanto no convencional e, de acordo com o pesquisador, “ele não afeta o homem nem animais”. A lagarta morre em até 48 horas após a aplicação. A ação de um bioinseticida, por suas próprias características de origem vegetal, animal ou microbiana, pode demorar mais para agir do que um defensivo químico.

De acordo com a Embrapa, este bioinseticida já está registrado no Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária (MAPA) para o controle da lagarta-do-cartucho.  Mas também é eficiente no combate da lagarta-das-folhas (Spodoptera eridania), da falsa-medideira (Chrysodeixis includens) e da  lagarta-das-vagens (Spodoptera cosmioides).

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