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Produtos biológicos ganham mais espaço na agricultura de baixo carbono

Inovações tecnológicas e agricultura de baixa emissão de carbono impulsionam a adoção de produtos biológicos no campo.

O emprego de biodefensivos para controle de pragas é cada vez mais uma realidade da produção agrícola. O aumento da adoção desses produtos no campo pode ser explicado por questões que vão muito além da diminuição do uso de defensivos químicos. Os acordos climáticos e as megatendências globais que se relacionam com a agricultura demandam maior preservação da biodiversidade e uma agricultura de baixa emissão de carbono.

Nunca se falou tanto em emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE) e aquecimento global. Finalmente, questões tão importantes como essas estão ganhando a devida atenção. Muito provavelmente você ouviu ou leu algo sobre a COP26, onde vários países assumiram o compromisso de reduzir as emissões de GEE em 50% até 2030 e atingir a neutralidade até 2050. Nesse cenário, os produtos biológicos de controle terão importante papel em fazer da agricultura brasileira protagonista na mitigação e adaptação do campo as mudanças climáticas.

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O controle biológico no século XXI

Há muito tempo conhecido como controle biológico, hoje denominados  produtos biológicos ou biodefensivos, esses insumos garantem eficiência na proteção das plantas, promovem a biodiversidade e, ao estarem associados com ausência ou redução de resíduos químicos nos alimentos, auxiliam no atendimento de exigências dos mercados consumidores.

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Na luta contra o aquecimento global, o uso de biodefensivos para gestão de pragas, ervas daninhas e doenças garante um manejo sustentável do campo e favorece a biodiversidade. Por exemplo, quando se observa um cultivo que recebe agentes de controle biológico, também conhecidos como inimigos naturais, se identifica ali um equilíbrio ecológico de espécies que mantém sempre organismos vivos na lavoura.

Dessa forma, os produtos biológicos, além de protegerem as lavouras, possuem o papel de restaurar e/ou melhorar a biodiversidade, auxiliando nos programas de adaptação e mitigação dos GEE.

No entanto, para se desenvolver um sistema de produção agrícola sustentável, esses produtos devem integrar o Manejo Integrado de Pragas (MIP), combinando diferentes tecnologias para que ocorra redução das perdas e conservação do meio ambiente.

Assista o vídeo | Produtos biológicos: inovação inspirada na natureza

 

Produtos biológicos como ferramenta no combate às mudanças climáticas

Nenhuma tecnologia, isoladamente, é capaz de impedir o aquecimento global, mas os produtos biológicos de controle possuem um importante papel nesse contexto. Eles promovem o equilíbrio do ecossistema dentro da produção agrícola.

Há muitas tecnologias como defensivos químicos, culturas transgênicas e fertilizantes que são utilizadas para a proteção de cultivos e melhoria da produtividade das plantas. Mas os biodefensivos podem ir além, quando combatem pragas e doenças e ao mesmo tempo, preservam ou até restauram a biodiversidade da lavoura e do solo.

No entanto, a combinação de tecnologias é importante porque não existe uma “bala de prata” capaz de garantir proteção, produtividade e conservação do meio ambiente. Por isso, diversas tecnologias devem ser utilizadas juntas para assim alcançar benefícios mútuos.

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No combate às mudanças climáticas, a biodiversidade é essencial

Ao aumentar a diversidade de microrganismos, insetos e outros organismos vivos, os biodefensivos também promovem recuperação de solos degradados, maior sequestro de carbono, maior retenção de água e outros nutrientes no ambiente e que são importantes para plantas e animais.

Dessa forma, ao ampliar o uso de produtos biológicos na lavoura, empregando as estratégias do MIP e práticas de adaptação ao clima, o produtor cria um sistema para uma produção agrícola verdadeiramente positiva para a natureza.

Por exemplo, para atender os compromissos firmados na COP26, a Europa apresentou a estratégia Farm to Fork que tem o intuito de mitigar práticas de produção de alimentos que impactem na redução da biodiversidade.

Já a agricultura brasileira, conta com o Plano ABC que, recentemente, foi atualizado com uma nova abordagem e com metas mais ambiciosas, passando a ser chamado de Plano ABC+. Ambas as estratégias promovem uma maior adoção de produtos biológicos no campo.

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O agronegócio está ciente da importância dos produtos biológicos

O reconhecimento dos produtos biológicos de controle para uma agricultura sustentável ocasionou um aumento no número de empresas que passaram a investir em pesquisa e desenvolvimento nessa área. De fato, o crescimento desse mercado é evidenciado pela maior oferta de ativos biológicos, novas formulações e técnicas de aplicação.

Para se ter uma ideia, a adoção global de biodefensivos pelos agricultores, movimentou em 2020 mais de 5 bilhões de dólares e cresceu 16% de 2015 a 2020. Isso representou um valor bem superior ao setor de defensivos químicos, que representou uma taxa de crescimento de apenas 1% no mesmo período.

crescimento produtos biologicos

A expectativa é a de que o mercado mundial de controle biológico continue crescendo, chegando a alcançar o valor de 11,1 bilhões de dólares em 2025.

Com isso, o que não falta na área de biológicos, são as demandas e oportunidades de crescimento. As principais áreas de atuação da pesquisa e do desenvolvimento de produtos biológicos são:

Nesse processo de consolidação do mercado, a oferta de soluções biológicas para o controle de pragas e doenças é cada vez mais intensificada.  No caso do Brasil, as características tropicais também estimulam a inovação e o desenvolvimento de novos produtos.

Confira o número de produtos aprovados no Brasil.

Principais fontes:

CABI. Climate change and biodiversity. Helping farmers adapt to climate. Disponível em: changehttps://www.cabi.org/about-cabi/climate-change/. Acesso em 10/12/2021.

Comissão Europeia. Farm to Fork conference – Building sustainable food systems together. Disponível em: https://ec.europa.eu/food/horizontal-topics/farm-fork-strategy/farm-fork-conference_pt . Acesso em: 13/12/2021.

IHS Markit. 2021. Riscos e impactos da produção on farm de biodefensivos. set/2021.

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