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Excelência a serviço da pesquisa de produtos biológicos

Produzir alimentos, fibras e madeira de forma sustentável é uma das metas da agricultura moderna. Neste contexto, o controle biológico de pragas e doenças tem papel fundamental.  

Quando comparada aos defensivos químicos, a disponibilidade de produtos biológicos formulados no mercado ainda é pequena. Para fomentar a pesquisa e a descoberta de novos ativos, nasceu o SPARCBio – São Paulo Advanced Research Center for Biological Control – com sede em Piracicaba, SP. 

Fruto da parceria entre a iniciativa privada, a ESALQ – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz e a FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – o centro de excelência, reúne pesquisadores brasileiros e estrangeiros. Nós conversamos com a vice-diretora executiva do SPARCBio, Renata Morelli

Qual é o foco principal da entidade?

O foco principal do centro é promover investimentos na pesquisa e desenvolvimento de soluções inovadoras. Com isso, aumentar o portfólio de produtos biológicos, a difusão do conhecimento na área de controle biológico e promover a adoção das novas tecnologias.

 

Quem integra o núcleo? 

Diretor científico do SPARCBio é o Professo Doutor José Roberto Postali Parra, referência mundial em controle biológico. Juntos, somos responsáveis por organizar as linhas de pesquisa junto a aproximadamente 50 pesquisadores, distribuídos em 13 instituições brasileiras e internacionais.

As instituições brasileiras hoje envolvidas no SPARCBio são a USP – Universidade de São Paulo; Unesp – Universidade Estadual Paulista; Universidade Federal de São Carlos; Universidade Federal do Espírito Santo; Universidade Federal de Viçosa e Embrapa.

As instituições internacionais são a Universidade da Califórnia (UC Davis); Universidade de Minnesota; USDA e ARS – nos EUA. INRA e Sophia Antipolis – na França; Universidade de Copenhagen – na Dinamarca.  

 

Quais trabalhos já estão em desenvolvimento?

O SPARCBio possui mais de 40 projetos em andamento. Dentre eles destacam-se o desenvolvimento de novos produtos biológicos para manejo de grandes culturas, descoberta de feromônios que facilitem o monitoramento de pragas e novas tecnologias que permitam o manejo integrado em tempo real.  A previsão é que tenhamos resultados consistentes da pesquisa nos próximos 5 anos, favorecendo a adoção das novas tecnologias pelos produtores rurais brasileiros. 


SAIBA MAIS:

Brasil se destaca no mercado de controle biológico


Houve um aumento significativo no registro de produtos biológicos nos últimos anos, mas ainda é pouco se comparado ao volume de defensivos químicos. Por que?

A pesquisa focada em controle biológico tem aumentado mundialmente. O investimento na pesquisa de defensivos químicos ainda é maior. No entanto, pensando neste cenário, a parceria público-privada se torna fundamental para ampliar o financiamento da pesquisa na área de controle biológico.

 

Na sua opinião, é interessante aliar químicos e biológicos no manejo de pragas e doenças das lavouras?

É fundamental que o produtor brasileiro compreenda o que é o manejo integrado de pragas e doenças e quais são as ferramentas disponíveis para compor seu manejo. Desde o levantamento do tipo de solo da propriedade, escolha da semente, espaçamento e densidade de plantio, monitoramento das pragas e doenças, tecnologia da aplicação e suas nuances como o controle biológico e químico.

Em uma cultura tropical como a brasileira, precisamos adotar todas as tecnologias possíveis visando manejar a resistência das pragas e doenças no campo. Ao incorporarmos o controle biológico no manejo da cultura, inserirmos um componente presente na natureza e reduzimos chances de selecionar os indivíduos resistentes.    

 

Qual a vantagem do uso dos produtos formulados? 

Produtos formulados facilitam a aplicação no campo, utilizando as tecnologias já existentes. No entanto, novas modalidades de aplicação vêm crescendo, como é o caso da liberação de macrorganismos (insetos benéficos) por meio dos drones. Empresas sérias de controle biológico têm empenhado esforços contínuos, em conjunto com as empresas de tecnologia de aplicação de organismos vivos, com o objetivo de ampliar a performance da liberação destes macrorganismos no campo.

Isso permite que a adoção desta nova modalidade de aplicação seja possível em culturas como a cana-de-açúcar, soja, milho e algodão, por exemplo. Isso já vem ocorrendo na prática com resultados positivos e expressivos para o produtor rural brasileiro.