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Controle biológico no amendoim: bioinseticida pode ser estratégia para controlar praga

O controle biológico no amendoim é uma tecnologia que tem sido pouco empregada no seu cultivo. No entanto, controle alternativos para pragas estão sendo desenvolvidos para essa cultura tão importante.

O amendoim ocupa posição de destaque na agricultura devido à sua utilidade na alimentação e como matéria-prima de produtos industrializados. A semente pode ser utilizada na produção de óleo comestível, biocombustível, confeitos, doces, pastas, ou ainda para consumo in natura.

Dentre as várias culturas anuais de importância econômica para o Estado de São Paulo, o amendoim ocupa papel de destaque, respondendo por mais de 90% das 511 mil toneladas produzidas no país na safra 2018/2019. Tal produção tem crescido em média 12% ao ano desde 2007.

Ameaças na produção de amendoim

O amendoinzeiro é uma cultura agrícola comumente danificada por insetos e ácaros em suas diferentes fases de desenvolvimento, bem como por outras pragas que afetam os grãos armazenados. Em todo o ciclo da planta, ainda cabe destacar que diversos microrganismos podem causar doenças como a pinta preta, mancha castanha, ferrugem e verrugose. 

Por tudo isso, a produção de amendoim vive um paradoxo. As condições climáticas favoráveis a essa cultura, umidade e temperatura elevada, também favorecem a incidência de fungos, vírus e pragas que infestam a cultura. 

As pragas são altamente limitantes para a contínua expansão da área cultivada, bem como para o aumento da produção, uma vez que causam danos e prejuízos econômicos aos produtores. Para que esses danos sejam minimizados, é necessário investir em tecnologia e estar atento às pragas e doenças emergentes que poderão afetar a lavoura. 

Spodoptera albula: o controle biológico no amendoim é alternativa?

A espécie Spodoptera albula é um inseto que afeta diversas culturas como tomate, beterraba, sorgo, milho, soja, algodão. Nos últimos anos esse inseto tem sido considerado um dos principais agentes desfolhadores da cultura do amendoim. A lagarta alimenta-se de folhas e frutos, o que leva a alta intensidade de desfolha e, algumas vezes, termina amputando os caules.

Por isso, a praga merece devida atenção e a análise de amostragem na lavoura é essencial para a tomada de decisão de controle.

No entanto, a falta de produtos voltados especificamente para o controle de S. albula no Brasil, pode levar ao uso irrestrito de defensivos químicos inespecíficos e de baixa eficiência, como já ocorreu para outras pragas emergentes. Esse tipo de procedimento termina por não resultar em benefícios reais para o agricultor. Por isso, a necessidade de se avaliar diferentes estratégias que possam ser eficientes para o controle da praga, é tão urgente.  

Além disso, as plantas de amendoim são de porte baixo e apresentam grande massa foliar, o que dificulta a penetração dos inseticidas químicos e o contato das lagartas com os mesmos, diminuindo a eficiência do controle dessa praga usando esse tipo de ferramenta. 

Dessa forma, uma alternativa a ser considerada é o controle biológico para o manejo dessa espécie.

Controle biológico no amendoim é uma estratégia viável

Várias espécies de insetos pertencentes ao gênero Spodoptera são amplamente distribuídas nos trópicos americanos e atualmente estão sendo controladas pelas toxinas Cry e Vip do agente biológico Bacillus thuringiensis (Bt). Tal controle tem sido realizado com bioinseticidas que possuem esse microrganismo como agente biológico ou via adoção de plantas transgênicas que expressam essas toxinas (culturas Bt). 

Uma vez que ainda não temos plantas transgênicas na cultura do amendoim, a  utilização de produtos biológicos contra pragas emergentes é uma estratégia mais viável. Além disso, o Bt já faz parte da formulação de diversos produtos biológicos e que poderiam ser utilizados na cultura do amendoim.

Esse agente biológico reúne proteínas em forma de cristal que causam toxicidade no intestino das larvas recém eclodidas de ovos. A ação dessas toxinas alcança uma ampla gama de insetos da ordem lepidóptera. 

Em 2013, pesquisadores brasileiros demonstraram, por meio de estudos moleculares, que dois tipos de toxinas Bt, Cry e Vip se ligavam em diferentes regiões do intestino da larva de S. albula e causavam sua morte. Esse resultado serviu como base para que bioinseticidas formulados a partir de Bt fossem avaliados no controle da nova praga do amendoim.

As análises dos produtos à base de Bt foram divulgadas em 2018 e enfatizaram o potencial desses bioinseticidas contra a S. albula. As bactérias Bt que integravam os produtos avaliados produziam diferentes tipos da toxina Cry e foram eficientes em controlar até 100% das larvas nos experimentos.

No entanto, houve significativa variação entre os produtos avaliados e por isso os pesquisadores recomendam o desenvolvimento de um produto específico para essa espécie. Além disso, outros fatores de virulência, como esporos e toxinas Vip, podem ser incorporados em uma nova formulação para aumentar o efeito do Bt.

A especificidade e a seletividade dos biopesticidas à base de Bt representam um ganho para a produção de amendoim no Brasil. De fato, essa ferramenta deve ser priorizada para que as populações de pragas emergentes sejam mantidas abaixo do nível de dano econômico. Esses produtos, além de serem eficientes estão de acordo com os procedimentos manejo integrados de pragas (MIP) e podem até ser usados juntamente com outros agentes de controle biológico e defensivos químicos na cultura do amendoim.

Fonte: 

Gonçalves, K. C. et al. Spodoptera albula susceptibility to Bacillus thuringiensis-based biopesticides. Journal of Invertebrate Pathology, 2018.