Home Notícias Bioinsumos, nova aposta da agropecuária

Notícias

Bioinsumos, nova aposta da agropecuária

A busca pelo sustentável é crescente em todos os setores da economia e pode ser implementada de diferentes formas. Tanto na agricultura quanto na pecuária, a utilização de bioinsumos é uma importante estratégia para impulsionar a sustentabilidade sem perdas de produtividade.

Dessa forma, a agropecuária sustentável, produtiva e ambientalmente equilibrada, apoia-se em práticas que promovem a biodiversidade e os processos biológicos naturais. Nesse contexto, o interesse pelos bioinsumos tem se tornado cada vez maior e deve garantir ao Brasil a liderança mundial no setor. 

Os bioinsumos no Brasil

O bioinsumo é uma classe de produtos bastante ampla e que abrangem diferentes tipos de produtos. Podem ser derivados de uma diversidade de substâncias presentes em extratos vegetais e de agentes biológicos. 

Entre eles, os produtos biológicos de controle (produtos fitossanitários), os inoculantes e os biofertilizantes são os mais divulgados.

SAIBA MAIS

Controle biológico faz parte do futuro da agricultura

No entanto, o termo bioinsumo pode incluir ou restringir diferentes insumos dependendo da legislação de cada país. Para padronizar e incentivar o desenvolvimento e uso de bioinsumos na agropecuária brasileira, foi lançado, em maio de 2020, o Programa Nacional de Bioinsumos (PNB) no País. Usando o PNB como referência, podemos esclarecer conceitos e pontuar a utilização de bioinsumos nesse setor.  

Afinal, o que são os bioinsumos?

Segundo o decreto N° 10.375 em que foi criado o PNB, são considerados bioinsumos, qualquer produto, processo ou tecnologia de origem vegetal, animal ou microbiana destinados ao uso na produção, no armazenamento e no beneficiamento de produtos agropecuários, abrangendo os sistemas de:

Esses produtos proporcionam melhor crescimento, desenvolvimento e mecanismos de respostas no metabolismo dos animais, plantas e microrganismos.

Com isso, temos uma diversidade de produtos que podem ser conhecidos como bioinsumos, como por exemplo:

Também são considerados bioinsumos:

Produtos veterinários

Produtos usados na saúde animal que sejam oriundos de materiais de origem vegetal, animal ou microbiana. Como por exemplo: vacinas, medicamentos, antissépticos e outros produtos destinados à prevenção, ao diagnóstico ou ao tratamento das doenças dos animais. 

Os produtos destinados ao embelezamento dos animais e que atendam à legislação de produção orgânica também podem ser considerados bioinsumos.

Produtos para Alimentação Animal

Rações e outros produtos alimentícios, cuja origem e composição atendam à legislação de produção orgânica e às necessidades de promoção e de manutenção da saúde animal e de produção sustentável.

Produtos Pós-colheita

São aqueles produtos, processos ou tecnologias de conservação e acondicionamento, incluindo revestimentos comestíveis, para alimentos de origem animal e vegetal, in natura e minimamente processados, visando a redução de perdas pós-colheita.

Os bioinsumos sempre estiveram presentes

O interesse pelos bioinsumos tem aumentado progressivamente nos últimos anos. Muito se deve ao problema de pragas emergentes, assim como ao aparecimento de doenças fisiológicas e também daquelas causadas por microrganismos patogênicos. Além disso, os consumidores têm demandado que esses problemas sejam solucionados da forma mais sustentável possível.

SAIBA MAIS

Moscas-das-frutas: cientistas encontram agente biológico para controle da praga

No entanto, ainda existe um certo receio quanto aos bioinsumos por parte de alguns produtores (agricultores e pecuaristas). Em parte, porque essa classe de produtos não é uma completa novidade e representam produtos naturais utilizados tradicionalmente.

Para se ter uma ideia, existem relatos do emprego de inimigos naturais há 1000 anos a.C. quando  formigas eram utilizadas para eliminar insetos em plantações de laranja na China. No Brasil, em 1921 houve importação do inseto Prospaltella berlesei para controle da cochonilha do pessegueiro (inseto que ataca os pessegueiros).  

Na cultura da soja a aplicação de produto biológico foi muito utilizada para o manejo da lagarta Anticarsia gemmatalis durante as décadas de 1980 e 1990. 

Contudo, a inovação dos bioinsumos acabou sendo suprimida pelo avanço de outras tecnologias que entregavam soluções para os mesmos problemas e que eram mais simples de serem utilizadas. Com isso, produtos ditos como naturais acabaram sendo utilizados apenas como “alternativa” nos casos em que não havia mais solução. Com isso, ganharam fama de ineficientes.

LEIA TAMBÉM

Como são produzidos os biodefensivos de base microbiológica

No entanto, a busca por produtos mais sustentáveis restabeleceu  o interesse pelos bioinsumos. Fato que resultou em incentivo e investimentos na sua inovação, posicionando os produtos naturais como tecnologias de ponta e tão eficientes como qualquer outro produto do mercado.

O processo de desenvolvimento garante eficiência aos bioinsumos

Assim como qualquer tecnologia, o desenvolvimento de bioinsumos segue etapas convencionais de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Essas etapas envolvem identificação e investigação de um novo ativo biológico, padronização da produção e formulação do produto, avaliação experimental em campo e testes de segurança com relação ao meio ambiente, saúde animal e humana. Por fim, o produto deve ser registrado no órgão responsável, que no caso do Brasil é o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Todo esse processo de P&D na produção de bioinsumos, deve ser realizado dentro de estruturas adequadas, conhecidas como biofábricas que devem estar de acordo com normas de cada país. Toda essa padronização e exigências por parte de pesquisadores e órgãos de legislação são importantes para garantir a qualidade dos bioinsumos.

Já existem biofábricas produtoras de bioinsumos no Brasil, que inclusive realizam toda sua pesquisa e desenvolvimento no país. O setor gera empregos e incentivos à formação de recursos humanos altamente qualificados. Dessa forma, o número de novos produtos que chegam ao mercado, aumenta ano a ano. 

Entre eles, é possível encontrar: armadilhas biológicas, bioacaricidas, biofungicidas, bioinseticidas, bionematicidas, inoculantes e reguladores de crescimento.

SAIBA MAIS

Conheça os protagonistas dos produtos biológicos disponíveis no Brasil

EMBRAPA é pioneira em bioinsumos

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), investe no desenvolvimento de novos bioinsumos há mais de 30 anos. Atualmente, são 632 pesquisadores trabalhando em 73 projetos relacionados ao tema e distribuídos em 40 unidades. 

A EMBRAPA também é responsável por manter bancos de germoplasma dedicados à preservação e caracterização de organismos de controle biológico e promotores de crescimento de plantas. São mais de 24 mil linhagens de bactérias, fungos e vírus.

Adoção de bioinsumos na agricultura

Os bioinsumos sempre estiveram bastante presentes nas pequenas e médias propriedades agrícolas e na agricultura familiar, principalmente naquelas em que a agroecologia é adotada. No entanto, com a modernização desses produtos, os bioinsumos, entraram em expansão não só no Brasil, mas no mundo todo. 

Essa expansão pode ser claramente vista pelo aumento de registros no número de defensivos biológicos nacionais e importados registrados no MAPA. Atualmente, são mais de 300 produtos registrados, metade deles foram registrados nos últimos três anos. 

Só no Brasil, o mercado de biodefensivos movimentou R$ 675 milhões, crescimento da ordem de 15% em relação a 2018, e acima da média estimada de crescimento internacional. No mundo, a média de produtos biológicos registrados aumentou de três para onze na última década.

Bioinsumos

Os bioinsumos tem sido utilizado em cerca de 50 milhões de hectares que recebem os mais diversos tipos de produtos biológicos, para o controle pragas e doenças, assim como para melhorar o desenvolvimento de plantas.

Em uma pesquisa realizada pelo setor de biológicos em 2018, envolvendo usuários dessa classe de produtos em 15 estados e 11 culturas concluiu que 96% dos pesquisados acreditam que a taxa de adoção de biodefensivos irá crescer nos próximos cinco anos. 

O Programa Nacional de Bioinsumos

Devido à importância dos bioinsumos como tecnologias a serem empregadas no campo, foi criado o Programa Nacional de Bioinsumos (PNB). O objetivo desse programa é estruturar o desenvolvimento e a regularização de produtos de origem biológica, assim como ampliar a oferta, o acesso e incentivar a adoção e uso correto desses produtos. 

Conheça algumas ações do PNB: 

Além disso, o PNB institui o Observatório Nacional de Bioinsumos, destinado à coleta, à sistematização e à divulgação de dados anuais sobre tendências de mercado, produção e consumo de bioinsumos.

O PNB será coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O programa é fruto da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Pnapo) instituída em agosto de 2012 e que trouxe um maior comprometimento dos órgãos reguladores com o processo de registro de produtos de origem biológica.

O fortalecimento de um setor

Espera-se que nos próximos anos o segmento de bioinsumos esteja fortalecido e possa ofertar ao usuário tecnologias, produtos, processos, conhecimento e informações sobre uma diversidade de insumos de base biológica. 

O programa nacional de bioinsumos também prevê um crescimento social resultado desse fortalecimento do setor, como por exemplo:

 

Principais fontes:

Parra, J. R. P. Biological Control in Brazil: An overview. Scientia Agricola, 2014.

Programa Nacional de Bioinsumos. Disponível em:  https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/bioinsumos. Acesso em: 17/06/2020.