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Alimentos transgênicos: estudo mostra que produção beneficia a agricultura e meio ambiente

Os produtos transgênicos, ou organismos geneticamente modificados (OGM), são aqueles que tiveram parte de seu material genético alterado com a introdução de um ou mais genes vindos de outro organismo.

Em 15 de julho de 2020, a PG Economics, consultoria inglesa especializada em agricultura, publicou o 14º relatório anual sobre o impacto econômico e ambiental global da produção de transgênicos. 

O novo estudo analisou 23 anos de uso comercial de OGM´s e aponta que esses alimentos contribuem com o meio ambiente e são mais rentáveis do que os convencionais. Em 2018, por exemplo, para cada dólar extra investido em sementes transgênicas – em comparação aos cultivos convencionais – o agricultor ganhou em média US$ 3,75 a mais. 

Os Estados Unidos lideram a produção de transgênicos no mundo. Em 1996, os americanos lançaram uma variedade de soja tolerante a herbicida que promoveu uma verdadeira revolução no campo. Desde 2009, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking dos principais produtores de transgênicos do mundo seguido por Argentina, Índia, Canadá e China.

O relatório considerou os cultivos de soja, milho, algodão, canola e beterraba e revelou que os EUA têm a maior área cultivada de OGMs, com 38% do total global, e o Brasil, 27%. A área brasileira corresponde a 51,3 milhões de hectares divididos entre as culturas de soja, milho, algodão e cana de açúcar cujo plantio começou em 2018. De acordo com o Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações de Agrobiotecnologia (ISAAA) a taxa de adoção de transgênicos no país é de 93%.  

pg economics 2020

Relatório aponta diferentes ganhos no cultivo de OGM

Entre os benefícios apontados pela PG Economics para o cultivo de transgênicos estão:

– 23 milhões de toneladas de dióxido de carbono – CO2 – deixaram de ser emitidas em 2018. O volume poupado equivale ao produzido por 15,5 milhões de carros. CO2 é um dos gases responsáveis pelo efeito estufa;

– 776 mil toneladas de ingredientes ativos de defensivos químicos não foram usadas no campo, incluindo inseticidas e herbicidas – uma redução global de 8,6% para o período entre 1996 e 2018. Isso é igual a mais de 1,6 vezes o uso total de defensivos agrícolas da China a cada ano;

– A biotecnologia rendeu uma produção adicional de 278 mi/ton (milhões de toneladas) de soja, 498 mi/ton de milho, 32,6 mi/ton de algodão e 14 mi/ton de canola;

– Uma maior produtividade – produzir mais numa mesma área plantada – e diminuição no uso defensivos estão relacionadas com menor emissão de CO2. Sem a necessidade de máquinas para aplicação de agrotóxicos, reduziu-se também o consumo de combustível;

– O benefício líquido de renda para a agricultura mundial acumulado no período de 1996 a 2018, foi de US$ 225 bilhões, um incremento médio de US$ 96,7 por hectare cultivado. Apenas em 2018, esse valor foi de US$ 18,95 bi, equivalente a um aumento médio na renda de US$ 103 por hectare.

– Também em 2018, o agricultor teve um retorno financeiro maior para cada dólar extra investido em sementes transgênicas, em relação aos cultivos convencionais. Nos países em desenvolvimento, o retorno médio foi de US$ 4,41 e, nos desenvolvidos, US$ 3,24 para cada dólar extra investido.

O relatório conclui que, sem essa tecnologia, para manter os níveis de produção de 2018, seria necessário o plantio adicional de 23,5 milhões de hectares para soja, milho e algodão, sendo a maior parte, 12,3 mi/ha para soja.

 

Rigor na aprovação de transgênicos no Brasil

O relatório da consultoria inglesa, corrobora a publicação “20 anos de transgênicos: benefícios ambientais, econômicos e sociais no Brasil” sobre a importância dos alimentos transgênicos, elaborada em 2018 pela Consultoria Agroconsult e Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB):”

Além dos vários benefícios para a produtividade, renda e meio ambiente, outro ponto abordado é o rigor com que o Brasil lida com a avaliação dos OGM´s. Nenhum produto é comercializado antes de passar pela análise da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) criada nos anos 90. A nova Lei de Biossegurança (11.105/05), aprovada em 2005,  reforçou o trabalho e tornou-se referência global de aprovação baseada em ciência e eficiência.