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Já temos tecnologias necessárias para uma produção agropecuária neutra em carbono na Mata Atlântica

Estudo mostra o potencial de sustentabilidade da produção agropecuária na Mata Atlântica.

Muito provavelmente você deve estar pensando em como a produção agropecuária pode ser neutra em carbono, se ela é comumente citada como uma das maiores promotoras de desmatamento no Brasil. Certo?

Mas, o fato é que a agropecuária brasileira é uma das mais inovadoras e tem tudo para se tornar a mais sustentável do mundo. É isso que pesquisadores mostraram no estudo realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica, o Imaflora e o SEEG/Observatório do Clima.

Sobre as emissões de GEE e o potencial de mitigação da Mata Atlântica

Em resumo, os pesquisadores avaliaram as emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE) na região do bioma Mata Atlântica entre 2000 e 2018 e estimaram o potencial de mitigação até 2050. Na análise foram consideradas todas as atividades de uso da terra, ou seja, além de contemplar a agropecuária também se levou em conta as emissões das cidades e indústria da região.

Considerando os 18 anos avaliados, houve uma emissão de 8,55 gigas toneladas de gás carbônico equivalente (GtCO2eq) o que representa 21% do total emitido no Brasil, no período. No mesmo período houve mitigação de 1,25 GtCO2eq. Dados que revelam uma pegada de carbono pelo menos, três vezes menor que a média do País.

Em outras palavras: por ser uma região que engloba alguns dos estados mais desenvolvidos (por exemplo: RS, SC, PR, SP, MG e RJ) possuem alta adoção de tecnologias sustentáveis que auxiliam na mitigação de GEE.

O estudo ressalta que a eliminação do desmatamento e a substituição de combustíveis fósseis por renováveis teriam o potencial de reduzir as emissões totais do bioma em 52%, no período avaliado. Para alcançar a neutralidade até 2050, além dessas medidas, é preciso melhorar o tratamento de resíduos (esgoto e lixo), promover restauração florestal e aumentar ainda mais a adoção da agricultura de baixo carbono.

Você pode conferir o estudo completo

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No caminho da neutralidade

Há décadas a ciência vem entregando aumento de produtividade aos produtores brasileiros, principalmente por meio do melhoramento genético. Com isso, tem sido possível produzir mais carne, grãos, frutas, fibras e energia sem aumentar expressivamente a área de cultivo.

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Nos últimos anos o agricultor tem tomado conhecimento dos benefícios trazidos pela implementação de técnicas de agricultura de baixo carbono como é o caso da recuperação de solos degradados, práticas conservacionistas de solo, modelos de Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF) entre outras.

A combinação dessas técnicas e tecnologias na Mata Atlântica tem feito com que o bioma venha apresentando uma das menores taxas de crescimento das emissões de gases de efeito estufa nos últimos 19 anos em relação aos demais biomas.

Além disso, as emissões per capita e por unidade do PIB da Mata Atlântica foram de três a cinco vezes menores que as médias do Brasil entre 2000 e 2018. Isso revela uma menor emissão de carbono per capita do bioma em relação à população e à economia do país.

Isso mostra a realidade de uma agropecuária sustentável e resiliente aos impactos já sentidos pelo aquecimento global.

sistemas integrados de produção

Agropecuária e desmatamento zero

Mas não são apenas as boas práticas agrícolas que levarão à neutralidade das emissões de carbono na Mata Atlântica.  É preciso zerar o desmatamento do bioma até 2030 e haver restauração de 15 milhões de hectares de florestas. O estudo mostra que essas metas são possíveis e podem ser combinadas com a alta produção de alimentos e geração de empregos que já existem na região.

No entanto, é preciso haver comprometimento do governo e setores privados no aprimoramento de políticas de comando e de incentivos financeiros como o Código Florestal, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc), o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) e o Plano Safra.

Nesse sentido, o plano da Agropecuária de Baixo Carbono (ABC), executado entre 2010 e 2020, é um exemplo de política e foi responsável por mitigar 170 milhões de toneladas de gás carbônico e beneficiar 52 milhões de hectares com tecnologias sustentáveis de produção, superando as expectativas.

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Mas não tem só agropecuária na Mata Atlântica

É preciso lembrar que a Mata Atlântica abriga 72% da população e 80% do PIB nacional e por isso também é preciso avançar em medidas para substituição do uso de combustíveis fósseis por renováveis no transporte nas metrópoles, tratamento de resíduos (esgoto e lixo) nas cidades, associado à recuperação do metano e geração de energia a partir de sua combustão.

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Nós consumidores que vivemos nessa região também podemos ser mais sustentáveis, economizando água, reciclando lixo, utilizando biocombustíveis e buscando por alimentos certificados. Por exemplo, os alimentos derivados de tecnologias que promovem carbono neutro no campo já recebem certificações de carbono neutro e a tendência é isso ser cada vez mais comum.

Principais fontes:

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). Disponível em: https://www.embrapa.br/en/tema-agricultura-de-baixo-carbono/sobre-o-tema#:~:text=O%20Plano%20ABC%2C%20como%20j%C3%A1,e%20combate%20ao%20aquecimento%20global. Acesso em 25/11/2021.

Plano Setorial para Adaptação à Mudança do Clima e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária com Vistas ao Desenvolvimento Sustentável (2020-2030). Visão estratégica para um novo ciclo. Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sustentabilidade/plano-abc/arquivo-publicacoes-plano-abc/abc-portugues.pdf. Acesso em 25/11/2021.

SOS Mata Atlântica. Contribuição da Mata Atlântica para a NDC brasileira: análise histórica das emissões de GEE e potencial de mitigação até 2050. Outubro, 2021.

 

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