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Bioestimulante, uma nova ferramenta para tratar as plantas

Os bioestimulantes são produtos biológicos utilizados pelos agricultores, nas lavouras, com o objetivo de melhorarem as características fisiológicas e nutricionais das plantas. São chamados assim por apresentarem substâncias capazes de induzir uma melhor atividade metabólica nas plantas, promovendo o seu melhor desenvolvimento e também protegendo-as contra pragas, doenças e fatores abióticos.

Bioestimulantes, um termo em discussão 

O termo bioestimulante começou a ser utilizado no início da década de 1990, acabou se tornando recorrente na literatura acadêmica e passou a ser utilizado entre os produtores rurais. No entanto, o seu conceito ainda é bastante discutido. 

No Brasil, a adoção do termo bioestimulante, muito se deve ao nome de um produto lançado na década de 2000 e que faz referência ao termo “estimulante”. O produto em questão é um regulador do crescimento vegetal e possui como ativos químicos, hormônios vegetais sintéticos. 

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A categoria bioestimulante não existe na legislação que aborda os insumos agrícolas no Brasil. São considerados bioestimulantes, os produtos que possuem princípios ativos com ação estimulante nas plantas. 

De fato, ainda não existe uma definição para bioestimulante que tenha efeito legal ou que seja aceita pelos reguladores de qualquer país.

A ausência de uma definição robusta dada pelos órgãos reguladores e instituições de pesquisa dificulta, inclusive, o processo de comercialização entre diferentes países. Um problema que afeta não só os bioestimulantes, mas também outros tipos de produtos biológicos.

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O que seriam os bioestimulantes?

Lançado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), em maio de 2020, o Programa Nacional de Bioinsumos (PNB) conceitua bioestimulantes como:

“produto que contém substância natural com diferentes composições, concentrações e proporções, que pode ser aplicado diretamente nas plantas, nas sementes e no solo, com a finalidade de incrementar a produção, melhorar a qualidade de sementes, estimular o desenvolvimento radicular, favorecer o equilíbrio hormonal da planta e a germinação mais rápida e uniforme, interferir no desenvolvimento vegetal, estimular a divisão, a diferenciação e o alongamento celular, incluídos os processos e as tecnologias derivados do bioestimulante”

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Na Europa o conselho europeu da indústria de bioestimulantes (European Biostimulants Industry Council – EBIC) traz a seguinte definição:

“Os bioestimulantes de plantas contêm substância (s) e/ou microrganismos cuja função, quando aplicados às plantas ou à rizosfera, é estimular o metabolismo natural melhorando a absorção e eficiência de nutrientes, intensificando a tolerância ao estresse abiótico e qualidade dos alimentos”

Nos Estados Unidos, a Associação Americana Oficial de Controle de Alimentos de Plantas (Association of American Plant Food Control Officials – AAPFCO) entende por bioestimulantes:

“Qualquer substância ou composto diferente de nutrientes primários, secundários e micronutrientes de plantas que podem ser demonstrados por pesquisas científicas como sendo benéficos para uma ou mais espécies de plantas, quando aplicados de forma exógena à planta ou solo.

Na academia, o pesquisador Patrick Du Jardin propõe em seu artigo de revisão:  Plant biostimulants: Definition, concept, main categories andregulation a seguinte definição:

Um bioestimulante vegetal é qualquer substância ou microrganismo aplicado às plantas com o objetivo de aumentar a eficiência nutricional, a tolerância ao estresse abiótico e/ou as características de qualidade da cultura, independentemente do seu teor de nutrientes. Por extensão, produtos comerciais que contêm misturas dessas substâncias e/ou microrganismos também podem ser considerados bioestimulantes de plantas. 

Com base em todas essas definições, fica claro que os bioestimulantes podem ser derivados de muitas fontes, orgânicas, inorgânicas e até mesmo serem produtos sintéticos.  Com base nisso, Du Jardin reúne as principais fontes de bioestimulantes:

Bioestimulante

Os bioestimulantes no mercado

Apesar de toda a discussão sobre o conceito de bioestimulantes, há uma grande variedade de produtos disponíveis. 

No Brasil, por exemplo, existe um produto formulado a partir de aminoácidos e fermentação biológica com ação bioestimulante. O produto age ativando três vias metabólicas das plantas, a do carbono, do nitrogênio e via oxidativa. Essa ativação do metabolismo resulta em maior crescimento e produtividade.

Existem ainda aqueles produtos biológicos desenvolvidos a partir de fungos e bactérias que colonizam o solo (saprofíticos), tecidos internos das plantas (endofíticos), e que podem apresentar ação bioestimulante para planta. É o caso de fungos do gênero Trichoderma spp.

No mundo, a maioria dos produtos comercializados como bioestimulantes foram formulados a partir de aminoácidos, peptídeos e extratos vegetais. 

Dessa forma os bioestimulantes estão distribuídos por muitos regulamentos e podem ser incluídos dentro de defensivos químicos, biológicos e até mesmo fertilizantes. Essa situação limita o estabelecimento de processos metodológicos para avaliações confiáveis da eficácia dos produtos quanto a sua ação bioestimulante. 

A história dos bioestimulantes ainda está no começo e seu futuro é promissor. Para isso é necessária uma compreensão ainda mais aprofundada da fisiologia das plantas e de sua interação com moléculas exógenas e microrganismos. Novos métodos de monitoramento para avaliação da eficácia dos bioestimulantes também devem ser desenvolvidos, o que irá ajudar, principalmente, na criação de estratégias/recomendações de uso desses produtos. Esse conhecimento também será fundamental para harmonizar os processos regulatórios, respeitando as características únicas e individuais dos bioestimulantes.

 

Principais fontes:

Du Jardin, P. Plant biostimulants: Definition, concept, main categories andregulation. Scientia Horticulturae, 2015.

Bullock, J. e Calvert, D. Bioformulations 2020. The science, technologu and business of bioprotection formulations. Agribusiness|Agrow, 2020.

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