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Agricultura regenerativa: quem disse que não praticamos?

Agricultura regenerativa, termo criado por Robert Rodale em 1983, faz referência à necessidade de reestabelecer os recursos naturais em áreas de grande intensidade agrícola. Os sistemas agrícolas regenerativos propõem-se a melhorar a saúde do solo e promover a biodiversidade, ao mesmo tempo que produzem alimentos nutritivos de forma lucrativa. 

Agricultura regenerativa

A agricultura regenerativa surgiu na década de 1980 como uma abordagem holística para resgatar princípios do início da agricultura orgânica da década de 1940. Uma vez que, aos olhos de Robert Rodale, o modo de produção orgânica ao tomar grandes proporções acabou perdendo algumas características conservacionistas. 

Com isso, a agricultura regenerativa tem sua base na agricultura orgânica, mas prioriza as práticas de saúde do solo e gestão da terra que são utilizadas na agricultura moderna. Algumas características são:

Agricultura moderna pode e deve ser regenerativa

A agricultura moderna é essencial para a segurança alimentar da humanidade. Suas práticas reúnem uma visão integrada do uso de tecnologias para uma produção escalonável.  Ela engloba um grande acervo de tecnologias e conhecimento adquiridos, principalmente, desde a revolução verde. 

Revolução Verde

A revolução verde proporcionou um “boom” de inovação e tecnologia no campo e possibilitou o aumento na disponibilidade de alimentos. O contínuo investimento em pesquisa e desenvolvimento para o setor agrícola tem transformado os produtos da revolução verde em tecnologias de menor impacto ambiental.

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A agricultura dos dias de hoje conta com a apoio de insumos, sementes melhoradas geneticamente, equipamentos para operações no campo e ferramentas que monitoram o desenvolvimento das plantas. Os agricultores estão mais especializados e precisam estar atualizados para identificar quais tecnologias são as mais adequadas para a sua cultura e região, assim conseguem aplicar no campo a estratégia mais sustentável.

Gráfico agricultura moderna

A adoção de tecnologias modernas permite práticas como o plantio direto, rotação de culturas, manejo integrado de pragas (MIP), reutilização de resíduos das colheitas como adubo natural e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) envolvem sistemas que que proporcionam a conservação do solo e da biodiversidade. Todos eles fazem parte da agricultura moderna e dos princípios da agricultura regenerativa.

Agricultura brasileira é regenerativa 

A agricultura tropical brasileira é referência mundial em produtividade e, é bastante sustentável. Podemos fazer tal afirmação ao olharmos para as principais práticas adotadas pelos produtores. 

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é um conjunto de medidas baseadas na ciência para o combate às pragas no campo. O produtor que adota o MIP faz o monitoramento constante de suas plantas empregando medidas de controle apenas quando a incidência de pragas e doenças é considerada alta. Dessa forma, menos insumos são aplicados, menos energia é utilizada e menos gás carbônico é emitido. 

Gráfico: manejo integrado de pragas

O plantio direto, outra estratégia muito adotada no Brasil, é um exemplo de cuidado e conservação do solo. Essa prática consiste em um plantio sem revolvimento da terra no momento do preparo do solo, muito semelhante a agricultura realizada em séculos passados. No sistema de plantio direto o agricultor realiza a rotação de cultura e mantém no solo resíduos da colheita anterior, protegendo a terra e conservando a umidade e biodiversidade.

Gráfico: benefícios do plantio direto

Diferentes sistemas integrados de produção entre eles o sistema de agroflorestas como a Integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), foram desenvolvidos no Brasil para que, na mesma área, possa ser produzido alimento, fibra, madeira e até mesmo energia. Dessa forma, é possível diminuir os custos de produção, reduzir os impactos ambientais e aumentar a produtividade.

Gráfico: sistemas integrados de produção

As estimativas são de que o sistema ILPF reduz entre 20 e 30% as emissões de gases de efeito estufa e ainda sequestra cerca de 8 toneladas de CO2 por hectare ao ano. 

Os sistemas de irrigação são fundamentais para a conservação e uso racional da água no campo. A adoção desse tipo de tecnologia pelos produtores permite melhor uso da terra, aumento de produtividade e ainda uma produção de alimentos durante todo o ano, nas mais diferentes regiões do país. 

Todas essas estratégias proporcionam melhores relações de gases de efeito estufa, economia de água, redução na aplicação de insumos como defensivos químicos, biológicos e fertilizantes, aumentam a resiliência das fazendas e uma produção de alimentos diversificados. Efeitos que são esperados de uma agricultura regenerativa.

Agricultura regenerativa deve ganhar espaço

Há muito tempo os agricultores têm percebido a importância de conciliar a produção agrícola com a preservação do meio ambiente. Tecnologias têm sido desenvolvidas para atender à necessidade de uma agricultura moderna cada vez mais sustentável, ou seja, regenerativa.

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Cuidar do solo é essencial, o pesquisador Rattan Lal especialista em saúde do solo menciona “Quando o solo é pobre, as pessoas são pobres” por isso, a importância de uma agricultura que saiba devolver ao solo tudo que lhe é tirado. 

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As práticas agrícolas regenerativas utilizadas pela agricultura moderna também visam manter a biodiversidade do solo, com presença de raízes e microrganismos no solo o tempo todo. São as relações biológicas realizadas por esses organismos vivos que fazem o ciclo de nutrientes acontecer, sem perturbar agressivamente o solo, além de realizar a manutenção do carbono armazenado no subsolo para serem utilizados pelas plantas quando for necessário.

A diversidade de microrganismos no solo também promove o controle biológico e ajudam a reduzir a incidência de pragas e doenças. Reduzindo a necessidade de grandes quantidades de insumos como fertilizantes e defensivos.

Promover a adoção dessas práticas agrícolas irá ajudar os agricultores a resgatarem a saúde de suas terras e assim conseguirem produzir alimentos mais diversificados e com alta produtividade. 

 

Principais fontes

BeefPoint. Porque a agricultura regenerativa é o futuro dos alimentos sustentáveis. Disponível em: https://www.beefpoint.com.br/por-que-a-agricultura-regenerativa-e-o-futuro-dos-alimentos-sustentaveis/. Acesso em: 05/04/2021.

Fenster, T. L. D., et al. Defining and validating regenerative farm systems using a composite of ranked agricultural practices.  F1000Research, 2021.

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