COEXISTÊNCIA ENTRE AGRICULTURA E POLINIZADORES
A integração sustentável entre a agricultura e os polinizadores, especialmente as abelhas, é fundamental para garantir a produção de alimentos, uma vez que grande parte das culturas agrícolas depende, em maior ou menor grau, da polinização realizada por esses organismos. Para além do impacto direto sobre o rendimento e a qualidade das colheitas, os polinizadores também contribuem para funções ecossistêmicas essenciais - como a conservação da biodiversidade, a saúde do solo e a mitigação dos impactos às mudanças climáticas.
Entre os polinizadores, as abelhas silvestres e manejadas destacam-se como mais representativas, atuando tanto em sistemas agrícolas quanto em ambientes naturais. Elas são fundamentais para reprodução de diversas plantas e para a estabilidade dos ecossistemas.
POLINIZADORES EM RISCO E A NECESSIDADE DE ADOÇÃO DE BOAS PRÁTICAS AGRÍCOLAS (BPAs)
Apesar de sua importância, os polinizadores enfrentam diversas ameaças ambientais, como a degradação de habitats, os impactos das mudanças climáticas, além de questões como o risco decorrente do uso inadequado de defensivos agrícolas e doenças. Nesse contexto, os agricultores desempenham um papel decisivo na mitigação desses riscos, por meio da adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis, conhecidas como Boas Práticas Agrícolas (BPAs).
Para garantir uma convivência equilibrada entre a agricultura e os polinizadores, é essencial adotar práticas agrícolas que associem produtividade à conservação ambiental. A eficácia dessa relação depende de uma articulação sólida entre agricultores, apicultores, meliponicultores e demais atores do setor.
Comunicação eficiente, capacitação contínua e ações coordenadas são pilares fundamentais para assegurar a proteção dos polinizadores e a resiliência dos sistemas agrícolas.
A INOVAÇÃO VEM AMPLIANDO OS RECURSOS DE GESTÃO DE RISCOS AOS POLINIZADORES
O setor de defensivos agrícolas e sementes, composto por empresas, pesquisadores e associações, desempenha um papel central no apoio à produção sustentável de alimentos e fibras, promovendo soluções que integram responsabilidade ambiental e social. O setor investe continuamente no desenvolvimento de produtos, serviços e práticas de manejo integrado, em parceria com cientistas e técnicos de extensão rural. No entanto, a efetiva adoção dessas soluções no campo depende dos agricultores, dos apicultores e dos meliponicultores, que juntos precisamcompreender claramente os benefícios envolvidos e ter acesso a informações e programas de capacitação.
QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS FERRAMENTAS PARA A GESTÃO DE RISCOS AOS POLINIZADORES?
Defensivos agrícolas mais eficientes
A agroindústria tem intensificado seus esforços no desenvolvimento de soluções inovadoras para reduzir os riscos aos polinizadores, promovendo tecnologias sustentáveis adaptadas às realidades locais. Entre os avanços, destacam-se os defensivos agrícolas com perfis de segurança aprimorados e formulações inovadoras.
Desde as etapas iniciais de triagem, as moléculas químicas são avaliadas quanto ao seu impacto sobre organismos não-alvo - incluindo as abelhas - promovendo maior segurança ambiental.
Biotecnologia
O melhoramento genético e a biotecnologia agrícola também têm desempenhado um papel importante na preservação dos polinizadores, por meio do desenvolvimento de culturas mais resilientes, que facilitam o manejo e diminuem a necessidade de expansão das áreas agrícolas.
Soluções Biológicas
Além disso, o investimento em soluções biológicas - como bioestimulantes, biofertilizantes e biopesticidas - tem oferecido alternativas de manejo, complementando o uso e espectro dos produtos químicos e fortalecendo as defesas naturais das plantas.
Rotulagens, bulas e capacitações
A rotulagem adequada dos defensivos agrícolas e a formação anual de milhares de aplicadores e instrutores reforçam as BPAs voltadas para a proteção dos polinizadores, em acordo com recomendações internacionais, como da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e da Organização Mundial de Saúde (WHO). Os rótulos e bulas incluem informações específicas sobre a toxicidade para abelhas e instruções claras de uso seguro, essenciais para minimizar impactos nas colmeias e proteger polinizadores.
Agricultura digital
Paralelamente, a agricultura digital tem impulsionado uma nova era de sustentabilidade agrícola através da integração de sensores, robótica, automação, digitalização e big data. Máquinas agrícolas inteligentes, conectadas a sistemas de gestão em nuvem, viabilizam a aplicação precisa e localizada de insumos, minimizando riscos. Drones e sensores remotos permitem o monitoramento contínuodas culturas, enquanto dados de alta precisão auxiliam na delimitação de margens de campos e zonas de conservação de habitats para polinizadores.
A automação no monitoramento de insetos, por sua vez, aumenta a eficiência, reduz custos e aprimora a precisão das análises. Essas inovações contribuem não apenas para a proteção dos polinizadores, mas também para a conservação da biodiversidade e o uso racional da terra.
BOAS PRÁTICAS AGRÍCOLAS (BPAs) AOS POLINIZADORES
A convivência harmônica entre a agricultura e os polinizadores depende da adoção de BPAs, que incluem o uso responsável das tecnologias disponíveis. Além de melhorar a produtividade e reduzir custos de produção, essas práticas garantem a preservação dos recursos naturais para as gerações futuras.
Os defensivos agrícolas passam por um processo rigoroso de avaliação junto aos órgãos regulatórios até a obtenção de registro. São avaliados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), pela Agência Nacional De Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Nacional de Meio Ambiente (Ibama). Na prática, isso significa que foram realizados diversos estudos que comprovaram a eficácia desses produtos, e que os defensivos podem ser utilizados de maneira a não causar danos à saúde humana, aos organismos não-alvo (incluindo as abelhas) e ao ecossistema.
Portanto, quando aplicados de forma responsável, seguindo as orientações indicadas nos rótulos, bulas e receita agronômica, oferecem proteção para os cultivos e níveis de segurança elevados para os polinizadores.
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