Home Proteção de plantas

Proteção de plantas

A proteção de plantas é requisito fundamental para a agricultura: conheça as tecnologias mais usadas 

A proteção de plantas é essencial para evitarmos quedas na disponibilidade de alimentos, fibras e energia. Afinal, os seres humanos não são os únicos que desfrutam dos nutrientes contidos nas frutas, vegetais e grãos. As plantas também são de interesse de outros organismos, o que fatalmente provoca redução na produtividade nas lavouras.

A proteção de plantas é realizada empregando tecnologias para o controle de pragas e doenças que causam danos às lavouras. Para isso são utilizadas ferramentas químicas, biológicas, genéticas, físicas e culturais.

Os agricultores realizam a proteção de plantas empregando múltiplas estratégias. E cada vez mais, utilizam soluções inovadoras e eficientes, decorrentes de pesquisas científicas focadas em levar para o campo tecnologias cada vez mais precisas para enfrentarem as pragas e doenças de cada cultura.

Além disso, a complexidade da atividade agrícola exige dos produtores orientação técnica e insumos adequados para que a proteção das plantas seja efetiva, como o que se recomenda no Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Manejo Integrado de Pragas

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é uma estratégia que visa otimizar a proteção de plantas. Envolve a combinação de técnicas e ferramentas que incluem defensivos agrícolas (produtos biológicos e defensivos químicos), material genético e manejo cultural. A adoção de tecnologias de forma planejada e harmônica, é a base para a solidez de um programa de MIP.

A proteção de plantas, pela prática do MIP, tem início com a seleção de variedades convencionais ou biotecnológicas, seguido pelo monitoramento e controle da infestação de pragas na lavoura. É uma estratégia-chave para garantir a proteção da lavoura de maneira econômica e sustentável.

A adoção do MIP, além de permitir a maior proteção das culturas, é essencial na preservação das diferentes ferramentas de controle de pragas. Esse manejo retarda o aparecimento de insetos e plantas resistentes na lavoura. Dentre diversas práticas, podemos citar dois exemplos que estão relacionados aos defensivos agrícolas e às variedades geneticamente melhoradas como: a rotação de princípios ativos e a adoção de áreas de refúgio em lavouras Bt.

A proteção de plantas Bt é obtida por meio da inserção de genes da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt), empregando técnicas da biotecnologia no genoma de culturas como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar. Com a inserção desses genes as plantas produzem proteínas com ação inseticida.

Defensivos agrícolas

Defensivos agrícolas são classificados de acordo com a origem dos ativos presentes em sua formulação. Enquanto os produtos biológicos apresentam em sua formulação apenas ativos de origem natural, os produtos químicos, ou defensivos químicos, são formulados principalmente a partir de moléculas sintéticas. No entanto, ambos são usados na agricultura para o controle de organismos vivos considerados prejudiciais à produção agrícola.

Os defensivos químicos, são também conhecidos por agrotóxicos, pesticidas, praguicidas ou produtos fitossanitários. Dentre esses, agrotóxico é o termo utilizado pela legislação brasileira. O seu uso não deve acontecer de forma isolada, mas sim dentro do MIP. Deve ser realizado um planejamento independente para cada safra, dessa forma os produtos químicos, assim como outros insumos, podem ser utilizados em diversos momentos, desde o tratamento de sementes até a prevenção ou controle de pragas durante o desenvolvimento da cultura.

Os produtos biológicos, são também conhecidos por biodefensivos, biopesticidas, biopraguicidas ou produtos fitossanitários com uso aprovado para agricultura orgânica. São desenvolvidos a partir de organismos ou de substâncias de ocorrência natural para prevenir, reduzir ou erradicar a infestação de pragas e doenças nas plantações.

É importante ressaltar que, durante o ciclo de uma cultura deve-se fazer o monitoramento para verificar a presença de pragas que possam causar prejuízos à lavoura. Só então, determina-se a utilização ou não de um defensivo agrícola, seja ele químico ou biológico.

Classificação dos defensivos químicos

Existem várias formas de classificar os defensivos químicos. Pode ser de acordo com o tipo de praga que controlam, grupos de mecanismo de ação, toxicologia animal e periculosidade ambiental.

De acordo com a praga alvo que controlam




Inseticidas: são produtos à base de substâncias químicas que controlam insetos (lagartas, percevejos, pulgões etc).

Acaricidas: defensivos que controlam ácaros.

•Fungicidas: agentes químicos que combatem fungos causadores de doenças nas plantas.

•Nematicidas: defensivos utilizados para controlar nematoides (vermes) parasitas de plantas.

Herbicidas: são produtos que servem para eliminar ou impedir o crescimento de plantas daninhas.

De acordo com o modo de ação na praga alvo

Cada ingrediente ativo de defensivo obtido é classificado de acordo com o local e modo de ação em uma praga alvo. Ela pode ser um inseto, ácaro, nematoide, fungo ou planta daninha. Uma molécula de inseticida do grupo químico dos organofosforados, por exemplo, age sobre o sistema nervoso e muscular do inseto, eliminando-o ou inibindo seu crescimento.

Os modos de ação dos fungicidas podem ser encontrados no FRAC (Comitê de Ação de Resistência à Fungicidas) e dos inseticidas e herbicidas no IRAC (Comitê de Ação de Resistência à Inseticidas) e no HRAC (Comitê de Ação de Resistência à Herbicidas), respectivamente.

Classificação dos produtos biológicos

Os produtos biológicos podem ser classificados de acordo com sua formulação e efeito nas plantas. Aqueles que consistem na utilização de organismos ou substâncias naturais para prevenir, reduzir ou erradicar a infestação de pragas e doenças na lavoura e fazem parte do controle biológico podem ser categorizados como:

  • Macro-organismos: insetos, ácaros e nematoides que parasitam e predam pragas;
  • Microrganismos: bactérias, fungos, vírus e que infectam e eliminam organismos que desfavorecem a produtividade da lavoura;
  • Bioquímicos: extratos de plantas, algas, enzimas e hormônios que tem efeito estimulante e induzem resistência na planta;
  • Semioquímicos: metabólitos associados à comunicação de organismos e utilizados em armadilhas para pragas (feromônios).

Essa classificação está relacionada com a origem dos seus ativos biológicos, presentes em sua formulação. Esses ativos biológicos são representados pelos organismos vivos (agentes biológicos de controle) ou por substâncias naturalmente produzidas por esses organismos.

São considerados agentes biológicos de controle: vírus, bactérias, fungos, nematoides, insetos, ácaros, algas e plantas. Dentro das substâncias extraídas e utilizadas na lavoura, e que fazem parte do controle biológico, estão: os hormônios, enzimas, feromônios e outros metabólitos naturais.

Alguns produtos biológicos também podem ser denominados biofertilizantes.Essessão desenvolvidos a partir de substâncias minerais ou orgânicas para fornecer nutrientes aos vegetais. Tem como objetivo a indução de vias metabólicas das plantas, promovendo características de interesse na lavoura.

Fases de desenvolvimento dos defensivos agrícolas

O processo de pesquisa, desenvolvimento e registro, até a introdução de um novo defensivo agrícola no mercado é complexo, de custo elevado e longo. Os novos produtos precisam ser, além de eficazes, seguros para o homem e para o meio ambiente. É o que a sociedade quer e o que os órgãos responsáveis pelo registro exigem.

Na fase de pesquisa, que leva em média dois anos, as empresas investem cerca de US$ 107 milhões para analisar milhares de princípios ativos com potencial de se transformar num novo produto.

Na fase de desenvolvimento, são realizados testes que verificam a eficácia e, principalmente, a segurança dessas novas descobertas, o que leva pelo menos oito anos, a um custo aproximado de US$ 146 milhões.

No final, apenas um dos milhares princípios ativos chegam à fase de registro, com custos de mais US$ 33 milhões. A etapa de registro, no Brasil, pode demorar mais oito anos para ser concluída – enquanto em outros países o tempo médio de registro é de cerca de dois anos.

No entanto, os produtos químicos e biológicos apresentam algumas diferenças em relação a forma com que são desenvolvidos, uma vez que seus ativos são de origem diferente.

Defensivos químicos

O primeiro momento da produção de um produto químico é chamado de pré-screening, quando são estudadas as moléculas e identificados novos princípios ativos. Seguindo o processo, esses ativos passam por uma fase de screening, quando novos testes biológicos são realizados. Neste momento, é verificado o potencial bioquímico dos novos compostos e são conduzidos estudos toxicológicos e ecotoxicológicos preliminares. Após o screening, acontece a seleção, que é o momento em que as moléculas com menor potencial e as que consideradas inseguras são descartadas, visando garantir a eficácia biológica e a segurança do futuro produto.

Após as seleções, o perfil biológico do defensivo é definido e desenvolvido através de testes utilizando formulações otimizadas do produto, puro e composto. Sua performance biológica é avaliada em estufas que permitem simular diferentes condições climáticas.

Identificados os melhores produtos, novos testes são realizados em larga escala, para verificar a atuação do ingrediente ativo nas plantas daninhas, nos insetos e nos fungos em condições semelhantes às das lavouras. Também são refinados os testes de segurança do produto, para aumentar ainda mais a confiabilidade do produto.

Produtos biológicos

O desenvolvimento de produtos biológicos começa na identificação da ação dos ativos biológicos contra pragas e doenças. Essa fase pode ser observada no meio ambiente de forma natural ou prospectada em laboratório contra alvos específicos.

A partir desse conhecimento são definidas as propriedades que o produto precisa apresentar para entregar o ativo biológico de forma controlada e eficiente na lavoura. Para isso, são desenvolvidos processos para a multiplicação dos ativos biológicos em ambientes controlados.

É necessário que esses organismos e substâncias naturais mantenham eficiência mesmo após o transporte e tempo de prateleira. Para isso, os produtos precisam manter características como:

  • Estabilidade do ativo biológico;
  • Padronização no manuseio e aplicação;
  • Proteção contra fatores ambientais adversos;
  • Otimização de mecanismos para interação com a praga-alvo.

Para os organismos vivos esses desafios são ainda maiores, uma vez que, por serem vivos, são mais sensíveis à radiação solar, substâncias químicas, altas temperaturas, pH e umidade. Desafios que as empresas de produtos biológicos precisam superar. 

Todos defensivos agrícolas devem ser registrados

Depois de definida a formulação de um defensivo agrícola, é preciso encaminhar o produto final para registro nos diferentes órgãos governamentais. Para ser registrado, os dados que comprovam a eficácia agronômica do novo produto, bem como sua segurança ao aplicador, consumidor e ao meio ambiente, são submetidos para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (IBAMA) e ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

A ANVISA, MAPA e IBAMA são responsáveis por avaliar todas as informações obtidas sob o mais estrito rigor científico. Somente com a concordância dos três órgãos, o MAPA concede o registro do produto para início da comercialização.

Cada um desses órgãos realiza avaliações independentes e dentro do seu escopo de competência. Cabe ao MAPA avaliar a eficiência e o potencial de uso na agricultura. Ao IBAMA é atribuída a avaliação ambiental. Já a ANVISA realiza a avaliação toxicológica do defensivo, determinando em quais condições o seu uso é seguro.

Importância dos investimentos em novas tecnologias

As pesquisas agrícolas resultaram na identificação e desenvolvimento de produtos de proteção de plantas cada vez mais eficientes e precisos. Atualmente, produtos mais modernos são incorporados ao MIP e proporcionam reduções progressivas nas doses aplicadas nas lavouras brasileiras.

Com isso, observamos redução significativa nas doses médias utilizadas dos produtos lançados a partir do ano 2000 quando comparados aos anos anteriores. A dose média de uso dos produtos registrados nesse período é o equivalente a 12% da dose média dos produtos anteriores à década de 1970.

A incorporação cada vez maior dos produtos biológicos na lavoura também é um fator importante na redução das doses médias utilizadas de defensivos químicos. Uma vez que, os princípios ativos desses produtos, podem permanecer no meio ambiente e agir no controle de pragas e doenças nas safras seguintes.

Portanto, defensivos agrícolas mais inovadores e modernos nas lavouras são ferramentas indispensáveis nas boas práticas agrícolas, para a proteção das plantas e a sustentabilidade da produção da agricultura tropical, além de serem comprovadamente mais seguros para os agricultores, consumidores e meio ambiente.

Disponibilidade dos defensivos agrícolas 

É possível identificar quais produtos estão disponíveis para proteção de plantas, acessando o Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários, no site do MAPA, o Agrofit. Todos os defensivos químicos e biológicos já registrados, para determinada lavoura ou praga estão disponíveis nesse sistema e podem ser consultados.

A busca é feita por meio da denominação das pragas (insetos, doenças e plantas daninhas), ingrediente ativo e produtos formulados. É também necessário consultar um engenheiro agrônomo para a prescrição de algum produto antes de adquiri-lo.

O agricultor pode aplicar os defensivos livremente em sua lavoura?

A resposta é não. Assim como os medicamentos, os defensivos agrícolas também exigem uma receita a ser prescrita: o receituário agronômico, feito por um engenheiro agrônomo. Afinal, para a correta aplicação de um defensivo, é preciso saber:

  1. O tipo de praga que está causando problema na lavoura
  2. A dosagem necessária para o controle
  3. As condições da área com problema

Dessa forma, esses produtos ajudam a manter rentabilidade e a alta produtividade da lavoura.

Uso correto de defensivos químicos: como evitar danos à saúde e ao meio ambiente

O uso correto dos defensivos inclui cuidados com o aplicador e com a comunidade agrícola presente. Além disso, conta com a prevenção de excesso de resíduos nos alimentos e cuidados com o meio ambiente.

Recomendações para uso de defensivos agrícolas

O uso correto dos defensivos (químicos ou biológicos) inclui cuidados com o aplicador e com a comunidade agrícola. Além disso, conta com a prevenção de excesso de resíduos nos alimentos e cuidados com o meio ambiente.

Para tomarmos esses cuidados, devemos ficar atentos às seguintes recomendações antes, durante a após o manuseio e utilização desses produtos:

  • A aquisição de um produto deve ser feita via obtenção de um receituário agronômico, prescrito por um profissional habilitado (engenheiro agrônomo);
  • Seguir todas as recomendações sobre transporte e armazenamento dos produtos, em conformidade com a legislação e com as recomendações do fabricante/distribuidor;
  • Não colocar os produtos químicos junto a sacos de alimentos ou adubos;
  • Impedir o acesso de pessoas não autorizadas, crianças e animais ao depósito são medidas para evitar problemas antes mesmo da aplicação;
  • Realizar a leitura do rótulo e da bula antes da utilização do produto;
  • Utilizar Equipamento de Proteção Individual (EPI) durante todo o processo de manuseio, incluindo preparo da calda e aplicação;

Classificação toxicológica dos defensivos agrícolas

A legislação brasileira utiliza o termo agrotóxico para descrever os defensivos agrícolas, porque eles também podem ser classificados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) por níveis de toxicidade.

No rótulo do produto comercial (ingrediente ativo + aditivos) deve constar uma faixa com a cor da respectiva classe toxicológica determinada em testes prévios. Também devem constar os dizeres relativos à saúde, que devem ser lidos de forma criteriosa antes do manuseio do produto.

Para essa avaliação toxicológica são realizados estudos agudos relacionados aos riscos de irritações de pele, dos olhos e inalação devido à exposição aos produtos. Também são realizados estudos crônicos relacionados aos riscos de causar câncer, mutações ou problemas reprodutivos. Se o produto apresentar alguns desses riscos relacionados aos estudos crônicos, ele não pode sequer ser registrado e comercializado.

Cabe ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) realizar a avaliação ambiental dos defensivos agrícolas, estabelecendo suas classificações quanto ao potencial de periculosidade ambiental. Para essa avaliação são realizados diversos estudos sobre efeitos dos agrotóxicos em aves, peixes, mamíferos, abelhas, entre outros organismos e microrganismos não alvo.

Além disso, realizam-se estudos de solubilidade em água, biodegradação em solos, volatilidade etc. para obter a classificação de potencial de perigo ambiental:

Adoção dos produtos biológicos no campo 

Os produtos biológicos podem apresentar os mesmos resultados que os defensivos químicos no controle de pragas e doenças. Os produtos desenvolvidos a partir de microrganismos, tendem a ser bem aceitos pelos produtores, uma vez que a sua forma de aplicação é semelhante a dos defensivos químicos – pulverizações terrestres ou aéreas. Após a aplicação, esses organismos vivos produzem toxinas dentro das pragas (quando ingeridos) ou vão parasitar e impedir a propagação de organismos nocivos à lavoura.

O Brasil vem empregando diversas tecnologias relacionadas aos produtos biológicos em grandes áreas que incluem: encapsulamento de insetos em material biodegradável; drones adaptados para liberação de organismos; aprimoramento das técnicas para quantificar e entender a ecologia dos agentes macrobiológicos.

Atualmente encontram-se registrados 232 produtos comerciais à base de ativos biológicos, utilizados em práticas de controle biológico. Esses produtos são, majoritariamente, bioinseticidas, biofungicidas e parasitoides (insetos que parasitam outros organismos).

O gráfico mostra os produtos biológicos de controle registrados no Brasil até junho de 2019 (MAPA/Agrofit). Contemplando 154 bioinseticidas, 31 biofungicidas, 24 bionematicida, 22 bioacaricidas, 19 armadilhas biológicas e 2 reguladores de crescimento.

Diferentemente dos defensivos químicos os produtos biológicos de controle também podem ser utilizados na agricultura orgânica, desde que se enquadrem em especificações e garantias mínimas estabelecidas pela Coordenação de Agroecologia e produção orgânica (Coagre) do MAPA.

Os produtos biológicos que tiverem em sua composição apenas produtos permitidos na legislação de orgânicos, recebem, após devido registro, a denominação de “produtos fitossanitários com uso aprovado para agricultura orgânica”. Até o momento 114 produtos para controle biológico estão aprovados para a produção de orgânicos.

Leia mais