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O solo: patrimônio essencial da agricultura

O solo é um dos recursos naturais mais preciosos. É a base de todo o nosso ecossistema. Sustenta o desenvolvimento das plantas, fornecendo-nos alimentos, roupas, combustíveis e outros materiais. Além disso, ele filtra a água, decompõe resíduos, armazena calor e troca gases.

O solo ideal é considerado aquele que apresenta boa profundidade para o armazenamento de água e crescimento das raízes, suprimento adequado de nutrientes, drenagem, atividade biológica e um equilíbrio entre as partes mineral (45%), líquida (25%), gasosa (25%) e orgânica (5%).

Ao longo da história, nossa relação com o solo afetou, de forma positiva, nossa capacidade de cultivar e contribuiu com o crescimento das civilizações. Essa relação entre os humanos, a terra, e as fontes de alimento posicionaram o solo na base da agricultura.

Nesse contexto, a conservação desse recurso natural é de fundamental importância para uma agricultura produtiva, sustentável e que preserva o meio ambiente e as relações do ecossistema.

Solo, agricultura e humanidade

Há 12 mil anos, os humanos aprenderam a domesticar e cultivar as plantas. Momento esse que marcou o início da agricultura e da transição do homem coletor ao que dedica parte do seu tempo no cultivo de vegetais.

A produção agrícola e a conservação da água

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Uma vez que os solos mais saudáveis produzem mais alimentos, eles também estiveram associados às regiões de maior desenvolvimento da história. Os antigos egípcios recebiam novos nutrientes em seus campos todos os anos pela enchente do rio Nilo. Isso permitiu que os agricultores usassem os mesmos solos por muito tempo. 

Algumas outras civilizações antigas viviam em solo pobre em nutrientes, ou de baixa retenção de água. Nessas regiões, a queda da saúde do solo, levava à migração das populações para outras regiões em busca de solo fértil. As civilizações mais bem-sucedidas se importavam e se dedicavam com cuidados com o solo para que a produção de alimentos fosse sustentável.

Qualidade e conservação do solo

Em nosso planeta, temos diversos tipos de solos. No Brasil, os solos são bastante diversificados e de vários tipos, conhecidos como ordens. Cada um deles precisa de um tratamento diferente, e os agricultores devem conhecer essas práticas. Afinal, a maneira como um fazendeiro administra a sua propriedade pode ter impactos cruciais no meio ambiente.

Basicamente, o solo se forma à medida que as rochas lentamente se desintegram. 

O ar e a água se acumulam entre as partículas, provocando mudanças químicas. As plantas criam raízes, unindo as partículas, protegendo a superfície, extraindo minerais das camadas inferiores e atraindo vida animal. As bactérias e os fungos decompõem os restos vegetais e animais em húmus fértil.

As plantas precisam de nitrogênio, fósforo, potássio e uma variedade de outros elementos para se desenvolverem. Por mais fértil que seja o solo, as plantações em crescimento acabam esgotando os seus nutrientes.

Antigamente, os agricultores adicionavam os nutrientes faltantes no solo espalhando estrume animal e resíduos vegetais em seus campos. Com o tempo, passamos a entender melhor a composição mineral dos solos e a adição de fertilizantes passou a ser feita de forma cada vez mais eficiente. 

Além de fornecer “comida” para as plantas, essa reposição se faz necessária, pois é importante para a manutenção da matéria orgânica (MOS), que mantém a estrutura do solo. Composta por restos de plantas, animais e microrganismos em diferentes estágios de decomposição, a MOS pode garantir uma produção de qualidade e otimizar o potencial produtivo da cultura.

Os organismos do solo (macro e micro) utilizam esses materiais biológicos como fonte de energia e nutrientes para o seu desenvolvimento. O trabalho desses organismos faz com que ocorra a ciclagem de nutrientes no solo e consequentemente a reciclagem de nutrientes para as plantas.

Além disso, ela também favorece um ambiente equilibrado para a atuação dos fertilizantes químicos, favorecendo seus efeitos benéficos e reduzindo possíveis danos. 

O conteúdo orgânico e a estrutura do solo devem ser administrados com tanto cuidado quanto o conteúdo de nutrientes.

Organismos vivos do solo

As atividades agrícolas exercem importante influência sobre a microbiologia do solo, suas atividades e diversidade. Comunidades microbianas são elementos fundamentais dos sistemas ecológicos terrestres. Um grama de solo pode abrigar mais de 10.000 espécies bacterianas diferentes, que estão fortemente interconectadas e formam uma rede de organismos.

Os microrganismos na área das raízes das plantas (rizosfera), formam comunidades complexas, para cada espécie vegetal e que se beneficiam com a influência das plantas, estabelecendo uma simbiose. Ou seja, os membros do microbioma do solo desempenham papéis importantes no crescimento e da saúde das plantas, em troca, usam os nutrientes dos vegetais para se desenvolverem.

Microrganismos: benefício para o solo e fortes no controle de pragas e doenças

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Uma boa inter-relação entre o solo, plantas e microrganismos, forma um solo saudável e é essencial para uma agricultura bem-sucedida. Os solos mais saudáveis produzem os alimentos mais saudáveis e abundantes.

Degradação do solo

A degradação do solo está associada a um declínio na qualidade dos atributos físicos, químicos, biológicos e ecológicos do solo que resultam na sua perda de biodiversidade, estrutura e matéria orgânica por meio de processos de erosão e compactação, bem como atribuições ecossistêmicas prejudicadas.

A degradação do solo resulta em perda da capacidade de produção da terra. Além disso, o mal uso do solo, causa erosão, contaminação, salinização e vedação, que aceleram a perda da biodiversidade do solo ao comprometer ou destruir o habitat da sua microbiota.

O mau uso do solo resulta na poluição agrícola, industrial e comercial, perda de terras aráveis, devido à expansão urbana sobre pastoreio, práticas agrícolas insustentáveis e mudanças climáticas de longo prazo.

De acordo com um relatório recente das Nações Unidas, quase um terço das terras cultiváveis do mundo desapareceu nas últimas quatro décadas. Também foi identificado que todo o solo superficial do mundo poderá se tornar improdutivo dentro de 60 anos se as taxas atuais de perda continuarem.

Os declínios na área total de solo adequado para a produção de alimentos surgem pelos processos principais:

causas da degradação do solo

Hoje, a degradação do solo afeta aproximadamente 15% da superfície terrestre livre de gelo, e a erosão irreversível ocorreu em uma área de aproximadamente 430 milhões de hectares. Os efeitos da erosão do solo vão além da perda de terras férteis. Isso levou ao aumento da poluição e sedimentação em córregos e rios, obstruindo esses cursos de água e causando declínio de peixes e outras espécies.

Erosão e seus efeitos

Terras degradadas também costumam ser menos capazes de reter água, o que pode piorar as enchentes. O uso sustentável da terra pode ajudar a reduzir os impactos da agricultura e da pecuária, evitando a degradação e erosão do solo e a perda de terras valiosas para a desertificação. 

Os agricultores sabem dessas práticas e usam estratégias para evitar ao máximo que a degradação ocorra.

Práticas que conservam o solo

Os sistemas encontrados na agricultura de conservação são muito variados, pois a escolha das práticas é feita de acordo com as características da lavoura (clima, solo, produção). A agricultura conservacionista é baseada em três princípios agronômicos principais, aplicados simultaneamente: semeadura direta sem qualquer preparo do solo, cobertura permanente (vegetal ou orgânica) do solo e diversificação da rotação de culturas.

O principal objetivo dessa combinação de princípios é reduzir a degradação do solo e, em última instância, melhorar a fertilidade por meio do uso intensivo de processos biológicos e ecológicos do ecossistema do solo.

Sistema de plantio direto

O cultivo conservacionista, em que o plantio direto está inserido, é efetuado sem as tradicionais arações e gradagem do solo. O revolvimento do solo acontece somente nas linhas de semeadura, onde são depositadas as sementes e é efetuada a adubação.

Plantio Direto, um exemplo de cuidado com o solo

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O sistema de plantio direto consiste, basicamente, em não revolver o solo e manter a palhada da cultura anterior na superfície do solo. O processo de obtenção de uma boa palhada pode levar até 10 anos. Uma palhada eficiente cobre cerca de 80% do solo e seus benefícios são:

Além disso, o custo de produção em plantio direto reduz ao longo dos anos, quando se mantém um manejo correto. A rotação de culturas é também uma prática muito importante para quem adota o sistema de plantio direto.

Rotação de culturas

A rotação de culturas ajuda a conservar o solo e auxilia no controle de pragas e doenças da lavoura. A rotação de culturas, consiste na alternância do plantio de diferentes espécies vegetais, de forma planejada, numa mesma área. Sem repetição de uma espécie vegetal no mesmo lugar, em um intervalo de tempo inferior a um ano.

Desta forma, para maximizar a eficiência da rotação de culturas, precisamos planejar o que será plantado e tomar alguns cuidados no plantio e manejo das culturas. Algumas práticas que precisam ser consideradas, são:

No Brasil, a maioria das rotações de cultura são realizadas com plantas de cobertura e adubos verdes. Para a rotação de culturas com a soja, por exemplo, podemos utilizar o trigo, a cevada e a aveia branca, isso no inverno. Já no verão, o milho, o sorgo, o algodão e o girassol são as culturas recomendadas.

A rotação de culturas juntamente com o melhoramento genético traz benefícios que crescem com o passar das safras. Com o passar dos anos, podemos obter um melhor desempenho das cultivares utilizadas, pela maior eficiência na absorção de nutrientes e menor sensibilidade das plantas a estresses de umidade, por exemplo.

Adubos verdes

A adubação verde é uma prática agrícola que já é realizada há muito tempo. Ela aumenta a capacidade produtiva do solo, ajuda na recuperação dos solos degradados e melhora áreas com baixa fertilidade do solo.

É preciso levar em conta que a utilização da adubação verde trará benefícios para a cultura que virá depois dela. As espécies de gramíneas, por exemplo, têm maior relação C:N (carbono: nitrogênio) e por isso decompõe mais devagar no solo. Como produzem maior quantidade de matéria seca, evitam a erosão, protegendo o solo do impacto direto das gotas de chuva e/ou irrigação, e diminuindo a velocidade do escoamento superficial da água.

Integrar para conservar

Atualmente, um sistema de produção que vem crescendo e trazendo muitos benefícios produtivos associados à conservação do solo, são os sistemas integrados de produção. Eles representam uma alternativa para a produção sustentável de alimentos, fibra, madeira e até para a produção de energia.

A implantação dos sistemas integrados pode nos ajudar a desenvolver diferentes cadeias produtivas numa mesma área. A junção das diferentes cadeias diminui os custos de produção, reduz os impactos ambientais e aumenta a produtividade.

Por definição, os sistemas integrados são aqueles que em uma mesma área há uma integração em dois ou mais sistemas de produção agrícola, da pecuária ou de silvicultura. Essa integração pode ser por consórcio, rotação ou sucessão de sistemas.

Podemos dividir os sistemas integrados em quatro diferentes tipos:

A ILPF reúne todos os componentes agrícola, pecuária e florestal em um único sistema. A lavoura pode ser implantada no início da implantação florestal ou em ciclos, durante o desenvolvimento do sistema. No sistema ILPF, a lavoura é o componente que precisa de maiores cuidados iniciais, pois é com a produção que serão pagos os primeiros investimentos feitos para a implantação do sistema.

Principais fontes:

Maximillian J. et al., Pollution and Environmental Perturbations in the Global System. Environmental and Pollution Science. 2019.

Stewart B. A., Soil Health Concerns Facing Dryland Agroecosystems. Soil Health and Intensification of Agroecosytems. 2017.

Freitas I. C. et al., Agrosilvopastoral systems and well-managed pastures increase soil carbon stocks in the Brazilian Cerrado. Rangeland Ecology & Management. 2020.

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